quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Um Deus que sempre nos convida à conversão

Dos hinos de Romano, o Melódio (séc. VI), compositor de hinos da Igreja oriental.

Quando contemplo a ameaça suspensa sobre os culpados, no tempo de Noé, tremo, eu que também sou culpado de pecados abomináveis. Aos homens de então, ameaçou o Criador primeiro, porque esperava o tempo da sua conversão.

Para nós também haverá a Hora final, que desconhecemos, e que até aos anjos foi escondida (cf. Mt 24,36). Nesse Último Dia, Cristo, o Senhor de antes dos séculos, virá, cavalgando nas nuvens, para julgar a Terra, como viu Daniel (cf. 7,13). Antes de esta Hora cair sobre nós, supliquemos a Cristo, pedindo-Lhe: “Salva da Tua cólera todos os homens, pelo amor que nos tens, ó Redentor do Universo”.

O Amigo dos homens, vendo a maldade que então reinava, disse a Noé: “O fim de toda a humanidade chegou diante de Mim, pois ela encheu a Terra de violência. Vou exterminá-la juntamente com a Terra (cf. Gn 6,13); só a ti reconheci como justo nesta geração (cf. Gn 7,1). Constrói uma arca de madeiras resinosas como uma matriz, ela carregará as sementes das espécies futuras. Fá-la-ás como uma casa, à imagem da Igreja. Nela Te guardarei, a ti, que Me rezas com fé: ‘Salva da Tua cólera todos os homens, pelo amor que nos tens, ó Redentor do universo!’”

Com inteligência, o eleito cumpriu a sua obra e pedia com fé aos homens sem fé: “Depressa! Saí do pecado, rejeitai a maldade, arrependei-vos! Lavai a mácula das vossas almas, conciliai pela fé o poder do nosso Deus” Mas os filhos da rebelião não se converteram. À perversidade, acrescentaram ainda a dureza.


Então, Noé implorou a Deus, com lágrimas: “Fizeste que eu nascesse do seio da minha mãe; salva-me ainda dentro desta arca de socorro. Porque vou fechar-me nesta espécie de sepultura, mas quando me chamares, dela sairei pela Tua força! Nela, vou prefigurar desde agora a ressurreição de todos os homens, quando salvares os justos do fogo, como a mim me salvas das ondas do mal arrancando-me do meio dos ímpios, eu que Te rezo com fé, a Ti, o compassivo Juiz: ‘Salva da Tua cólera todos os homens, pelo amor que nos tens, ó Redentor do universo!’”


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