sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Pensamentos sobre o Ano Litúrgico - 2

No Ano Litúrgico a Igreja celebra sempre e em todo lugar a mesma coisa: o Cristo morto e ressuscitado que nos salvou. Em cada sacrifício da Missa (nunca esqueça que a Missa é um sacrifício, o sacrifício de Cristo em forma de banquete) o próprio Cordeiro imolado e ressuscitado coloca-Se nas mãos de Sua Esposa, a Igreja, para que ela O ofereça ao Pai num Espírito eterno. Assim, nós prestamos ao Pai, pelo Filho no Espírito o culto perfeito, santo, completo e totalmente eficaz para a nossa salvação, porque é o culto do próprio Cristo, sumo e eterno Sacerdote.

Mas, como nós vivemos no tempo e tempo é sequência, é duração, esse Mistério salvífico de Cristo é celebrado na Liturgia de modo extenso, como se alguém tomasse  um papel dobradinho feito sanfona e o fosse desdobrando, esticando. Assim é na Liturgia: na Páscoa de Cristo toda a história da salvação está presente, está concentrada – e a Missa é a celebração da Páscoa do Senhor; no entanto, durante o Ano Litúrgico vamos desdobrando este mistério pascal em toda a sua riqueza: o Tempo do Advento, que nos faz celebrar já a Segunda Vinda de Cristo e também a espera de Israel e da humanidade pela Salvação que enche a vida de sentido e nos livra da morte; o Tempo do Natal, que nos coloca no próprio coração da Encarnação do Verbo e nos dá verdadeiramente a graça da Sua Vinda; o Tempo da Quaresma, que nos faz entrar na experiência de Israel no deserto e nos purifica realmente para celebrar a santa Páscoa; o Tempo Pascal, que nos dá a graça de mergulhar com toda a intensidade e verdade na oferta que Cristo fez de Si, na Sua gloriosa vitória sobre a morte e no dom do Espírito que Ele concedeu à Sua Igreja e Se faz presente nos santos sacramentos; o Tempo Comum, que coloca o nosso dia-a-dia no coração do Sacrifício de Cristo e coloca o Sacrifico pascal de Cristo no nosso dia-a-dia, enchendo nossos tempos pequenos com a eternidade de Cristo.

Além disso, durante o Ano Litúrgico celebramos as solenidades, festas e memórias dos Santos – a começar pela Toda Santa Sempre Virgem Maria Mãe de Deus -, que são imagens vivas da glória de Cristo, que é admirável nos Seus Santos e neles mostrou todo o poder e eficácia da Sua vitória pascal sobre o Diabo e sobre o pecado. Cada santo é o mistério pascal de Cristo celebrado na vida dos Seus fiéis, é a Liturgia celebrada no Altar que foi prolongada e efetivada na vida; cada santo é o Evangelho explicado e a Eucaristia vivenciada! Por isso, o melhor lugar para recordar os santos de Cristo é no Sacrifício eucarístico.


Eis, portanto! Estamos iniciando mais um Ano Litúrgico: Deus coloca a Sua luz nas nossas trevas, a Sua graça nas nossas misérias, a Sua vida nas nossas mortes. Vivamos intensamente este tempo santo, pois todo Ano Litúrgico é tempo de salvação. Não participemos das santas celebrações com um coração preso às coisas do mundo, não participemos dispersos e desatentos, sem unção e sem devoção. Cansados ou restaurados, serenos ou agitados, tristes ou alegres, fervorosos ou frios, participemos sempre com fé, com sereno e profundo respeito das celebrações litúrgicas, como Moisés, que tirou as sandálias dos pés pela santidade do lugar da sarça. Nunca brinquemos com a Liturgia, nunca tenhamos uma atitude de quem está na própria casa (a igreja não é nossa casa; é Casa de Deus e ali somos hóspedes feitos filhos). Se assim procedermos, iremos aprendendo a saborear os sagrados ritos e nossa existência neste mundo será inundada pela presença de Deus. Que assim seja. Amém!


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