sábado, 12 de outubro de 2019

Homilia para o XXVIII Domingo Comum - ano c

2Rs 5,14-17
Sl 97
2Tm 2,8-13
Lc 17,11-19

Salta aos olhos a mensagem da Palavra de Deus neste Domingo: a gratidão, o reconhecimento cheio de amor pela ação benéfica de Deus na nossa vida. Gratidão e ingratidão – eis o que aparece nas leituras de hoje.
Primeiro, a gratidão de Naamã, um pagão, inimigo de Israel, que, no entanto, sabe ser grato a Deus. Curado de sua lepra, voltou para agradecer ao profeta Eliseu e, como sinal de conversão ao Deus verdadeiro, levou terra de Israel para Damasco, sua cidade, para, sobre essa terra, adorar a Deus, que o havia curado. Também a gratidão de outro pagão, o leproso samaritano que soube, reconhecido, voltar a Jesus “para dar glória a Deus”.
Mas também, hoje, aparece a ingratidão dos nove leprosos, filhos do povo de Israel, que curados, não retornam para agradecer o dom... Dez foram curados, somente um foi salvo: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou!”

Estejamos atentos! Hoje, temos tudo. Chegamos a um alto grau de desenvolvimento tecnológico e científico, compreendemos tantos dos processos e dinamismos da natureza e, num mundo ativista e autossuficiente, temos a sensação ilusória de que nos bastamos, de que tudo é nosso, de que tudo é fruto de nossos esforços, de que tudo foi conquista nossa, simplesmente. Vamos nos tornando cegos para a presença cuidadosa, providencial e cheia de amor de um Deus que sempre vela por nós. É impressionante como o mundo nos vai tornando dormentes, insensíveis mesmo, para Deus! A vida já não mais é percebida como um dom e do nosso coração já não mais brota a ação de graças. Mas, uma vida assim é ela mesma, sem graça, ela mesma uma “des-graça”! Somente quando abrimos o coração e os olhos da fé, podemos perceber que tudo é graça, imenso dom de um Amor sem fim e, então, seremos realmente curados de uma vida sem sentido e libertos para correr livres nos caminhos da existência. Poderemos ouvir a palavra de Jesus: “Levanta-te e vai! A tua fé te salvou!” Mas, para isso – nunca esqueçamos – é necessário um coração de pobre, um coração humilde, que reconheça que tudo quanto possuímos foi recebido de Deus, gratuitamente. Como são verdadeiras as duras palavras de São Paulo: “Que possuis que não tenhas recebido? E, se recebeste, por que haverias de te ensoberbecer como se não o tivesses recebido? Vós já estais saciados! Já estais ricos!” (1Cor 4,7s)

Vale, então, no corre-corre da vida, a exortação do Apóstolo, na segunda leitura de hoje: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos!” Lembrar-se de Cristo é tê-Lo como palavra última e total de amor que o Pai nos pronunciou. Lembrar-se de Jesus é nunca esquecer que Deus está conosco, amando-nos, perdoando-nos e acolhendo-nos como Deus providente e misericordioso. Lembrar-se de Jesus morto e ressuscitado é nunca duvidar da misericórdia de Deus e do Seu compromisso na nossa existência e na existência do mundo. “Lembra-te de Jesus Cristo ressuscitado! Merece fé esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos. Se com Ele ficamos firmes, com Ele reinaremos. Se nós O renegarmos, também Ele nos negará. Se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-Se a Si mesmo!” Aqui está o motivo último e irrevogável de toda a nossa gratidão a Deus: Jesus Cristo, dado-nos como carinho e fidelidade do Pai! É de tal modo este dom, tão irrevogável, tão absoluto, que vale a pena morrer com Ele para, Nele, viver uma Vida nova; vale a pena sofrer com Ele para, Nele, reinarmos.
É interessante como o Apóstolo sublinha a fidelidade amorosa de Deus em Jesus: “Se Lhe somos infiéis, Ele permanece fiel!” Eis um Deus que não Se escandaliza com nossas debilidades, mas é sempre disposto a recomeçar conosco. “Se nós O negamos, também Ele nos negará”... Esta é a única atitude que nos faz perdê-Lo para sempre: a ingratidão de negá-Lo em nossa vida, de fecharmo-nos de tal modo para Ele, que já não mais O reconheçamos, que já não mais deixemos que Ele seja o Senhor da nossa existência, que já não mais percebamos que tudo é graça, tudo é presente de amor.

Cuidemos, então do modo como estamos construindo a nossa existência: como um fechar-se sobre nós mesmos, na autossuficiência, ou como uma abertura livre e filial, pronta a acolher e viver a vida como um dom do Senhor. Como cantam os focolares: “Se um dia perguntares quem sou, não direi o meu nome. Direi: ‘Obrigado, por tudo e pra sempre, obrigado, obrigado”!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Homilia para a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Est 5,1b-2; 7,2b-3
Sl 44
Ap 12,1.5.13a.15-16a
Jo 2,1-11

A Solenidade hodierna recorda a proteção da Virgem Maria, sua presença materna e consoladora, experimentada em 1717, por três pobres pescadores, ainda na aurora de nossa história nacional. As redes vazias dos pobres quase se romperam pela abundância de peixes, após o “aparecimento” da Imagem enegrecida da Imaculada Conceição. Desde então, aquela imagenzinha humilde e feiosa recorda ao Povo brasileiro a presença materna da Mãe do Senhor na nossa história e na nossa terra.

Sim, hoje a festa é nossa, do Povo brasileiro; hoje, por todo o território nacional, gente de todas as raças que fazem esta Nação, canta com devota gratidão: “Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Salve a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!” Hoje, nossos olhares, atenções, corações, voltam-se para o Santuário Nacional, Casa de Deus, só a Deus dedicada, em honra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida!

Esta presença materna, carinhosa, providente e atuante da Virgem Santíssima é ilustrada de modo admirável nas leituras da Palavra de Deus, que escutamos nesta Solenidade.
Primeiramente, a Virgem é evocada pela rainha Ester, que arriscou a vida para salvar o seu povo da condenação à morte. Quem não se comove com o apelo da Rainha? “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida – eis o meu pedido! – e a vida do meu povo – eis o meu desejo!” Como tais palavras cabem hoje na boca da Mãe do Senhor!

Ela, perfeita e completamente salva e redimida de todo pecado por pura graça de Deus; ela, a Imaculada, a Agraciada! Mais que ninguém, ela pode cantar as palavras de Isaías, que o Missal coloca no início da Eucaristia deste dia: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias”.
Maria Virgem, totalmente agraciada, totalmente salva por Deus, não esquece de nós, filhos que o Filho lhe deu ao pé da Cruz: “Salva a vida do meu povo – eis o meu desejo!” Ela é a Mulher do Apocalipse, em luta constante contra a Serpente, o antigo Inimigo, que ameaça o Povo de Deus; ela é a Mulher que, em Caná, intercede pelos esposos, ensina-nos a fazer o que o Filho disser e cuida para que a água das nossas pobrezas e das nossas angústias seja transformada no vinho da alegria, fruto da ação do Espírito do Cristo ressuscitado.

A Festa de hoje recorda-nos a presença constante de Nossa Senhora na vida da Igreja, na vida do Povo brasileiro e na vida de cada um de nós. Não poderia ser diferente! Foi o próprio Cristo Quem lhe deu essa missão materna em relação a nós, Seus discípulos amados. Recordemo-nos da cena dramática no Calvário. Jesus diz à Sua Mãe, indicando o Discípulo Amado, que é cada um de nós, cada cristão, católico ou não: “Mulher, eis o teu filho!”(Jo 19,26). Não foi ela quem escolheu ser nossa Mãe. Não! Foi o Filho mesmo Quem lhe deu a missão:
“Eis o teu filho, os teus filhos, Virgem Maria!
Tu és a Mulher do Gênesis, inimiga da Serpente;
tu és a Mãe dos viventes, a verdadeira Eva!”

Fidelíssima à vontade do Senhor, como sempre foi, a Virgem vela por todos os cristãos; até por aqueles que não lhe têm amor e veneração, chegando mesmo a difamá-la de modo injusto! Mãe dos discípulos do Senhor Jesus Cristo nosso Deus, Mãe da Igreja, Virgem Maria!

Foi esta maternidade tão amorosa, fecunda e providente que o Povo brasileiro experimentou às margens do rio Paraíba do Sul, quando a Imagem enegrecida da Imaculada apareceu nas redes dos pescadores. É esta maternidade que nós experimentamos continuamente em nossa vida! Quem de nós não tem uma história para contar a respeito da presença da Virgem no nosso caminho? “Filho, eis a tua Mãe!” (Jo 19,27). Repito com insistência: Não fomos nós que escolhemos Maria por Mãe. Cristo mesmo, no-la deu como aconchego materno. Na Cruz, Ele olhou para o Discípulo Amado, para cada um de nós, e deu-nos Sua Mãe: “Filho, eis a tua Mãe!” Que generosidade, a do Senhor: deu-nos tudo, Seu corpo, Seu sangue, Sua vida, deu-nos Sua Mãe! Realmente, amou-nos até o fim (cf. Jo 13,1).

Jesus olha para todo cristão – católico ou não – e indica: “Eis a tua Mãe!” E o Evangelho diz qual deve ser a atitude do discípulo ante um dom tão generoso, tão belo, tão grande: “A partir daquele momento, o discípulo a levou para sua casa” (Jo 19,27). Todo discípulo de Cristo tem o dever de acolher o dom do Senhor, o dever de levar a Mãe de Jesus – agora Mãe de cada cristão – para sua casa. Não fazê-lo é desobedecer a um preceito expresso e claro do Senhor, é privar-se de tão grande dom! Por isso, mil vezes tem razão o Povo brasileiro em orgulhar-se hoje de ter Maria por Mãe. Tem razão o nosso povo de tê-la proclamado Rainha e Padroeira do Brasil!

Virgem ãe Aparecida, Mãe de Deus e nossa!
Vela pelo Povo brasileiro, acolhe nosso brado filial!
Desvela teu amor materno pelo Brasil sofrido e tentado pela desesperança, neste momento tremendo da nossa história!
Intercede, com tua oração materna, por nossos governantes: que sejam retos, justos, tementes a Deus, honestos, servidores do bem comum, sobretudo dos mais frágeis e necessitados!
Que a justiça prevaleça, que a impunidade não triunfe, que a corrupção, o populismo, o cinismo, sejam debelados de nossa Pátria! 

Ó Mãe santíssima do Senhor e nossa,
Sê consolo para quem chora, força para quem se encontra alquebrado, inspiração e encorajamento para os pobres, saúde para os enfermos e rosto maternal de Deus para todos nós! 

Mãe e Rainha do Povo brasileiro,
Lembra-te de que nossa Nação nasceu católica, filha da Igreja do teu filho!
Livra-nos, pois, daqueles que pretendem erradicar o santo Nome do Senhor da nossa cultura;
Ajuda-nos a repelir, com serenidade e firmeza, tudo quanto atenta contra a nossa fé, contra os nossos valores, contra as nossas famílias, contra a concórdia e a verdadeira liberdade dos brasileiros!
Vela pelas crianças, mantém na harmonia as famílias de nossa Pátria, vela pela paz no campo e nas cidades!

Senhora Aparecida, protege a Santa Igreja em terras brasileiras! Roga pelo clero, pelos religiosos, por todo o Povo de Deus!

Ajuda-nos, Mãe de Deus-Jesus e Mãe nossa, ajuda-nos a construir um Brasil mais cristão, mais justo, mais decente, mais pacífico e solidário, e que, pelas tuas preces maternas, jorre para nós o vinho bom da alegria e sejamos todos, um dia, herdeiros do Reino dos Céus. Amém!


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Do Mayor, uma ideia menor...

Ontem, li uma entrevista do astrofísico suíço Michel Mayor, um dos ganhadores do Nobel de Física deste ano por ter descoberto um exoplaneta, isto é, um planeta fora do nosso sistema solar. Lá para as tantas, o entrevistador fez a seguinte pergunta:

“Giordano Bruno, que foi queimado pela Igreja no século XVII, propôs que existem muitos outros sistemas solares no universo, o que não concorda com o relato cristão da criação. Qual é o lugar de Deus no universo?”

A resposta de Michel Mayor:

“A visão religiosa diz que Deus decidiu que só houvesse vida aqui, na Terra, e a criou. Os fatos científicos dizem que a vida é um processo natural. Eu creio que a única resposta é investigar e encontrar a resposta, porém para mim não há lugar para Deus no universo”.

O que dizer deste diálogo?

Deixando de lado o modo maldoso com o qual o jornalista fez a pergunta, é preciso corrigi-lo:
Primeiramente, Giordano Bruno, frade dominicano, foi condenado e queimado pela Inquisição não no século XVII, mas no século XVI, em 1600. E não foi condenado por questões meramente científicas, como o entrevistador levemente insinua, mas por heresia a respeito de vários pontos da fé cristã: doutrina sobre a Trindade, sobre Cristo, sobre a transubstanciação...
Em segundo lugar, o relato da criação não é simplesmente cristão, como afirma o jornalista; é bíblico e, portanto, diz respeito também ao judaísmo! Não sei se o entrevistador de uma Espanha  hoje descristianizada e, em larga escala, anti-clerical, sabe que o Antigo Testamento nasceu no seio do povo de Israel e é também livro sagrado dos judeus... Talvez nem isto saiba... Então, o Gênesis não é simplesmente um "relato cristão"...

Mas, o que espanta mesmo é a resposta do astrofísico! Pode-se ser um grande astrofísico e um grande ignorante em outras áreas; isto não é demérito para ninguém... Mas, quando um grande cientista se mete a comentar temas que não compreende e para os quais não tem competência  acadêmica porque os ignora, comporta-se como um grande tolo. É o caso, aqui, do tolo Michel Mayor...

Primeiramente, de qual “visão religiosa” esse senhor está falando? Não é justo, não é condizente com a realidade colocar todas as religiões num saco só... Há tantas visões religiosas, com cosmogonias tão diversas... Seria de se esperar de um cientista um pouco mais de exatidão...

Depois, nem o judaísmo nem o cristianismo afirmam de modo dogmático que “Deus decidiu que só houvesse vida aqui, na Terra”... Isto é uma lorota de ignorante, um grosseirão em teologia...
Numa linguagem própria da época em que o texto foi escrito e usando ideias desse tempo e dessa cultura, a Sagrada Escritura dá conta de que tudo foi criado por Deus, foi criado livremente e tudo quanto Ele criou é bom. Este é o ensinamento que importa: tudo foi criado por Deus livremente, Deus tirou tudo do nada e tudo quanto Ele criou é bom: “No princípio Deus criou o céu e a terra... E Deus viu que era bom!”

Em terceiro lugar: não é dogma judaico ou cristão que Deus decidiu que só existisse vida na terra... Parece que depois do catecismo básico para a primeira comunhão na primeira metade do século passado, esse senhor astrofísico não leu mais nada de sério sobre a fé cristã! Deveria, portanto, sobre estes temas, calar a boca!
O que o cristianismo sabe e afirma é que exista o que existir no universo, inclusive algum tipo de vida, tudo é criação de Deus e é radicalmente bom! As Escrituras Sagradas não são uma obra de filosofia sistemática ou de astrofísica, não se preocupam com outra coisa que não a relação do homem e do mundo do homem com Deus! A finalidade das Escrituras é nos falar sobre Deus em relação conosco, Deus que Se dirige a nós e de nós espera uma resposta: a fé! A Escritura não é um tratado sobre tudo e muito menos numa abordagem científica ou filosófica...

Em quarto lugar, outra bobagem recorrente entre cientistas que pensam saber tudo do cristianismo sem saberem quase nada: a ideia de que afirmar que Deus criou tudo se choca com a teoria da evolução: se Deus criou tudo, a criação não poderia ser um processo natural... Pura lorota!
Já na metade do século passado, desde os tempos de Pio XII, o Magistério da Igreja admitia que não há contradição entre as duas ideias: criação e evolução... É doutrina de fé da Igreja que Deus criou tudo do nada. O modo como esta criação evoluiu, as leis que o Senhor Deus nela imprimiu, não pertence à Igreja dizer nada sobre isto... É competência das ciências e a elas cabe investigar, descobrir as leis e processos que o Criador , de modo admirável, imprimiu na Sua obra!

Conclusão: o senhor “Mayor” ficou “menor” com a resposta boba que deu! Mostrou que precisa caminhar muito para saber algo realmente sério sobre a fé e o cristianismo... Ele acertou ao afirmar que o único modo de saber se há vida além do nosso planeta é pesquisar, mas errou de modo lastimável quando julgou que não há lugar para Deus no universo...
Que interessante: um bichinho tão pequenininho, tirado do pó da terra, que não sabe de onde vem tudo nem para onde vai, que não sabe quase nada a respeito desta estupenda e misteriosa realidade que são a existência e o universo (ou universos), ousa afirmar que não há lugar para um Criador no universo porque não cabe na sua razão ou não foi visto no seu telescópio! Incrível!
De onde vem tudo? Por que existe o ser e não o nada, a harmonia e não o puro caos?  Quem imprimiu leis ao mundo da energia e da matéria? Para onde vai tudo isto? Qual o sentido de tudo existir? Como surgiu a vida? Como surgiu a vida inteligente? E para quê? E este ser misteriosíssimo, que é o homo sapiens? Por que somente ele tem inteligência reflexa? E esta sede de sentido e de infinito que habita o seu coração? E a dor, o amor, a solidão, a sede da verdade, o visceral inconformismo diante da morte como destruição total do ser? Tudo isto é liquidado pelo sr. “Mayor” com uma resposta “menor”, menorzinha, mesquinha: “Para mim, não há lugar para Deus no universo”...
Como me decepciona e entristece ouvir da boca de um homem de ciência uma resposta tão rasa! Queira Deus, na Sua infinita sabedoria e invencível misericórdia, que haja um lugar para o sr. Mayor no Céu...


quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Que eu busque a Ti, que buscas a mim!

Buscar a Deus é a razão mesma da nossa vida, o sentido fundamental da nossa existência.

Que é o homem? O ser que tem sede de Deus, o bicho esquisito e único, cujo coração não sossega com menos que o Infinito; o animalzinho tão limitado que tende, instintivamente para o Eterno, que não se resigna a morrer, pois sua sede de viver é insuprimível!

Que é o homem? O estranho e fascinante ser que não se satisfaz com menos que o Amor e a Verdade. Não qualquer amor, mas o Amor que enche de sentido, plenitude e definitivo o próprio coração; não qualquer verdade, parcial, provisória, científica, mas a Verdade que descortina a razão última da existência e da própria vida pessoal.

Que é o homem? Aquele bichinho minúsculo, ínfima partícula do universo, que não se satisfaz com menos que o Tudo!

Ora, tudo isto, toda essa complexa e admirável realidade aponta para uma busca fundamental, estrutural de Deus em nós. Não adianta tentar fugir dela! Não adianta afirmar, de modo ora louco ora presunçoso, que Deus não existe! O vazio, a ânsia, a necessidade, a pergunta, estão lá, como brecha teimosa para o Infinito, como marca de fogo que Alguém deixou no humano coração!

A Deus o homem busca quando busca o prazer, o poder, o dinheiro, o sucesso, o amor, o conhecimento, o reconhecimento, a realização, a autoafirmação, a vida... Busca consciente ou inconsciente, superficial ou profunda, mas sempre busca de Deus.
Aquele que crê busca conscientemente; aquele que é cristão sabe precisamente a Quem busca e tem consciência de que antes de buscar, foi buscado por Aquele Amor que é a fonte de todo amor e aquela Verdade que é raiz de toda verdade e no humano coração deixou Sua marca bendita.

No entanto, é necessário sempre que nos perguntemos pela qualidade da nossa busca de Deus, de nosso caminho com Ele, perguntando-nos simultaneamente por nosso desprendimento em relação às coisas que nos cercam, às realidades às quais nos apegamos. Desprender-se para ser livre e maduro em relação a Deus! Quem não se desprende de si e das realidades que o cercam não caminha e não é disponível!

O Autor da Carta aos Hebreus nos recomenda largar o fardo, os fardos de nossos tantos e tão variegados apegos – que se tornam fardos de pecado – e correr para o Cristo, nosso “lugar” de encontro com Deus e nossa meta: “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos Naquele que é o Autor e realizador da fé, Jesus... (Hb 12,1-2a)”. É a atitude daquele cego de Jericó, que, “deixando sua capa, levantou-se e foi até Jesus” (cf. Mc 10,50). Jesus, nosso Senhor! Jesus! Somente, unicamente, absolutamente, Jesus, Cristo de Deus! Que Nome doce, que Porto seguro, que Repouso verdadeiro, que Verdade repousante, que Amor plenificante!

Temos nós nossas capas, cheias de bens – esmolas, migalhas da vida... 
Sabemos deixá-las para ir ao encontro Daquele que nos chamou e nos espera?
Que coisas nos prendem? Que ideias, ideologias, medos, humanos respeitos, covardias, sentimentos, atitudes, pessoas, nos impedem de ser generosos e livres? Quais os meus fardos de pecado?

É preciso pensar nestas coisas com sinceridade, diante de Deus! É preciso sair de nós, é preciso ir largando os fardos, pesados ou leves, se quisermos, de verdade o Infinito, o Eterno, o Amor, a Verdade, o Tudo... É preciso coragem de nos deixar em tudo para caminhar para Jesus, nosso Senhor, nosso Bem, nosso Único Necessário, única garantia de que esta nossa vida vale mesmo a pena! Olhe, olhe, que para isto não há mágica, não há atalho, não há desvio, não há desconto! “Este é o caminho: andai por ele!” (Is 30,21)


terça-feira, 8 de outubro de 2019

Urgências para a Igreja hoje

Fala-se tanto em missão – é um imperativo sempre presente, pois que mandato do próprio Senhor: “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19s). O mandato é este, a ordem é clara, simples, direta, altiva, do Senhor nosso Deus, e ninguém pode mudá-la, silenciá-la, amaciá-la, adulterá-la, deformá-la!
Mas, atenção: a missão é algo muito mais amplo e profundo que um qualquer programa com tempo e método determinados. A missão é uma constante, uma tensão, uma tendência, uma consciência, uma disponibilidade a compartilhar a alegria, a felicidade, a plenitude, a certeza e experiência de crer e viver no Senhor Jesus Cristo.: “Anunciamo-vos a Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu! O que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa” (1Jo 1,2b-4).

Sendo assim, antes que de missão no sentido de ir em busca dos distantes, de recuperar perdidos ou de fazer novos cristãos na nossa sociedade descristianizada, deveríamos nos perguntar pelo nosso modo de aderir e viver o Cristo como Igreja.

Isto posto, a verdadeira urgência hoje não é ir atrás dos distantes com palavras pomposas e análises tão vistosas e empoladas quanto artificiais e inúteis, com piruetas e cambalhotas, mas sim fortalecer nossa vivência, aprofundar nossa identidade, recuperar nossa mística, tomar a sério o desafio de santidade, estreitar nossos laços fraternos, corrigir os abusos tremendos na nossa liturgia, formar nosso padres e seminaristas, fazer voltar ao verdadeiro e simples radicalismo evangélico os nossos religiosos.

Como poderíamos encantar alguém para Cristo quando nossas comunidades são desencantadas e desencantadoras? Como poderíamos aquecer corações e atrair se nossas homilias são manifestos ideológicos, eivados de politicamente correto e modismos mundanos? Como ousamos pensar seriamente em missão aos distantes quando até mesmo os que nos procuram saem de nós decepcionados e os que são dos nossos nos deixam escandalizados?

Eis a urgência:
paróquias mais vivas de Cristo,
paróquias mais comunidades em Cristo,
padres mais padres, religiosos mais religiosos,
uma fé mais levada a sério na doutrina e na vida concreta,
uma moral cristã mais assumida na amorosa radicalidade de Cristo, sem descontos ao mundo e ao pecado,
uma liturgia mais sacral, centrada em Deus e no Seu Cristo e não no homem,
uma vida cristã mais santa, segundo o Evangelho e não segundo o mundo,
cristãos que acreditam verdadeiramente no que creem, guardando intacto o precioso tesouro da doutrina católica e apostólica.

Daqui nascerá a missão, com força, juventude, vigor e entusiasmo contagiante:
porque será transbordamento de uma experiência e de uma vida vivida em comunidade com o Senhor,
porque outros sentir-se-ão atraídos pela beleza da vida cristã...


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Uma segunda homilia para ontem, XXVII Domingo Comum

A primeira leitura da Missa de hoje, apresenta, de modo dramático, toda a dor do Profeta Habacuc. Ele era um pobre, que viveu no final do século VII e início do século VI antes de Cristo, um tempo difícil, de impiedade, de descrença, de descaso para com o Senhor Deus e Sua santa Aliança e para com os irmãos. O Reino de Judá estava assolado pelo esquecimento do Senhor e suas consequências: a idolatria (adorava-se aos baals, a Moloc, a Astarte, enfim, aos ídolos dos pagãos, esquecendo-se que somente o Senhor é o verdadeiro Deus), a imoralidade (pois o esquecimento do Senhor dá caminho livre a todas as paixões desordenadas do coração humano), a injustiça social (já que, esquecendo o Senhor Deus, o povo deixa de se reconhecer como irmão; daí a opressão dos pequenos pelos grandes, o luxo em demasia, a falta de piedade para com a dor e o sofrimento dos próximos) e, finalmente, o falso culto (pois Deus não aceita uma adoração que brota de um coração desonesto e descomprometido com os Seus preceitos).
Diante desta situação, o Senhor advertiu os israelitas que eles seriam deportados para a Babilônia: viria o Rei de Babilônia, com todo o seu poderio militar, e levaria Judá para o exílio, destruindo tudo.
E aqui se colocam as palavras de Habacuc na leitura de hoje: o Profeta geme vendo tanto desmando, tanto pecado, tanta miséria, tanto sofrimento, tanta falta de rumo!
Como Deus pode permitir tudo isto?
Onde Ele está?
Por que não age?
E – pior ainda: Como pode permitir que os babilônios, que são mais ímpios que os israelitas, sejam os instrumentos que Ele usará para castigar o Reino de Judá?
“Senhor, até quando clamarei, sem me atenderes? Até quando devo gritar a Ti ‘violência!’, sem me socorreres? Por que me fazes ver a iniquidade, quando Tu mesmo vês a maldade?”
Eis aqui: a dor pelo silêncio de Deus, pelo triunfo da maldade e do pecado, por aquelas coisas na nossa vida, na vida da Igreja, na vida do mundo, que nós não compreendemos!
Onde está Deus? Por que não age? Por que permite? Por que Se cala?

A resposta que o Senhor Deus dá ao profeta é impressionante: “Escreve esta visão! Não falhará! Se demorar, espera, pois ela virá com certeza: Quem não é correto, vai morrer; mas o justo viverá por sua fé!” Que significam estas palavras?
O Senhor garante ao profeta: haverá um juízo de Deus! Ele está vendo tudo, Ele tudo toma nas Suas mãos benditas, Ele tudo conhece e tudo dirige. Seus tempos e modos não são os nossos! O Profeta deve permanecer firme e confiar. O julgamento do Senhor virá: quem foi ímpio morrerá para sempre; quem foi justo, isto é, piedoso, amigo do Senhor, viverá graças à sua fé, graças à sua fidelidade!

Eis, Irmãos: não são a mesma coisa ser ímpio e ser piedoso, ser reto e viver no pecado, lutar para ser amigo do Senhor e viver como se Deus não existisse! Haverá sim, um juízo de Deus, juízo de vida e de morte! Por isso, permaneçamos firmes! Diante dos desafios da vida, diante das escuridões da existência, supliquemos continuamente, ao Senhor, como os Apóstolos hoje: “Aumenta a nossa fé!”Mesmo diante das tribulações, dos empecilhos, das “amoreiras”, isto é, das dificuldades da vida, não percamos a confiança: sabendo que o Senhor nos vê, nos socorre no tempo oportuno, nós teremos força para jogarmos ao mar todas as dificuldades e provações!

Por fim, o Senhor Jesus conta uma misteriosa parábola, que nos ajuda a compreender as demoras de Deus: o Senhor somente nos servirá o Banquete do Reino, Banquete do repouso, Banquete da recompensa, Banquete da Eucaristia eterna, na Glória do Céu, na plenitude do Reino, no final dos tempos! Até lá é trabalho, é luta, é perseverar, é persistir, é teimar, de esperança em esperança! Até lá, é lutar e ir dizendo: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos ter feito!” Habacuc Profeta teve que aprender isto, os Apóstolos tiveram que aprendê-lo; também nós temos que aprender a cada dia! Não duvidemos do Senhor, não duvidemos da Sua presença santíssima e atuante na nossa vida, não façamos como Israel em Massa e Meriba, que duvidou da presença do Senhor, perguntando de modo blasfemo: “O Senhor está ou não no meio de nós?” (Ex 17,7)
Nunca nos esqueçamos, nunca duvidemos: aconteça o que acontecer, o Senhor está conosco, está em nossa vida, está presente e atuante na Sua Igreja! Assim, valha-nos a exortação do Apóstolo a Timóteo, na segunda leitura deste hoje: Reaviva “a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos!” Para Timóteo, esse dom foi o episcopado; para cada batizado, esse dom é a unção crismal, que, no Sacramento da Confirmação, confere o Espírito não de timidez, de covardia, de descrença, mas “de fortaleza, de amor e sobriedade”, para bem viver, perseverar e testemunhar a fé!
Nestes tempos de covarde relativismo por parte de tantos fieis e tantos pastores da Igreja, mantenhamos firme a nossa santa fé católica, com toda a sua pureza, simplicidade e limpidez, fugindo dos raciocínios mundanos e capciosos: “Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sofre pelo Evangelho, fortificado no Poder de Deus”, que é o Espírito Santo do Cristo!

Por fim, irmãos, no combate da fé, testemunhemos a nossa santa fé, sobretudo aos nossos filhos, às nossas crianças e jovens e a todos quantos procuram de verdade o Senhor Jesus Cristo nosso Deus: “Usa um compêndio das palavras sadias em matéria de fé e amor em Jesus Cristo! Guarda o precioso depósito”, o depósito da fé, da verdadeira e contínua e imaculada doutrina, “com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós!”

Eis, caríssimos meus!
É assim que vigiamos,
é assim que perseveramos,
é assim que combatemos,
é assim que esperamos,
é assim que testemunhamos,
é assim que haveremos de nos sentar à Mesa do Banquete do Reino e seremos servidos pelo próprio Senhor, quando chegar a hora (cf. Lc 12,37),
é assim que seremos justos diante do Senhor e haveremos de viver por nossa fé, por nossa fidelidade!
A Cristo que nos sustenta, pela força do Seu Espírito, a glória, a honra e o poder, hoje, na Igreja, e pelos séculos dos séculos. Amém.


Algumas considerações sobre 2Tm 3,14 - 4,2

1. São Paulo exorta a Timóteo:
“Caríssimo, permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste”.
O que Timóteo aprendeu? A fé cristã no seio da Igreja. A fé não se descobre ou alimenta de modo individual e fechado em si mesmo. Se crer é um caminho pessoal, nunca é individual, fechado em si mesmo. É da Igreja que recebemos a fé e é a fé da Igreja que se faz nossa fé!
Esta fé é guardada e transmitida geração após geração por aquele órgão a que chamamos “Tradição” e, de modo especial, a “Tradição apostólica”, isto é, aquele núcleo, aquela semente que, desenvolvendo-se ao longo da história sob a guia do Espírito Santo e pelo ministério daqueles que receberam a Sucessão apostólica (os Bispos), vai-se explicitando a aprofundando cada vez mais, de modo coerente e orgânico.
Em muitas passagens do Novo Testamento podem-se encontrar referências a essa Tradição ou, como São Paulo gosta de dizer, a esse Depósito; trata-se do “Evangelho” ou “Palavra” que os Apóstolos pregaram oralmente sob a guia do Santo Espírito e permanece ininterrupta na vida e no sentir da Igreja de Cristo (cf. 1Ts 2,13; 2Ts 2,15; 2Tm 2,2). Ninguém é proprietário desta fé, deste “precioso Depósito” (cf. 2Tm 1,14), ninguém pode adulterá-lo, sequestrá-lo, deturpá-lo!

2. “Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus”.
Quais são as “Escrituras” que Timóteo conhece desde criança? Os livros do Antigo Testamento.
Ainda não estava formado o cânon do Novo Testamento. São as Escrituras dos judeus que, lidas à luz da Tradição apostólica, revelam Jesus Cristo e abrem o caminho para o Evangelho! O Antigo Testamento lido em si mesmo não dá acesso a Jesus e não conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo; somente lidas à luz do Cristo morto e ressuscitado, as Escrituras revelam seu sentido profundo e último: Jesus Cristo, nosso Senhor, único, necessário e absoluto Salvador, fora do Qual não há nem pode haver salvação ou esperança para a inteira humanidade e para cada pessoa!
Ainda hoje é assim: quem lê o Antigo Testamento em si mesmo, sem “re-lê-lo” à luz do Cristo, à luz da Nova Aliança, não passa da leitura judaica!
Por isso mesmo os fundamentalistas cristãos erram gravemente e fazem leituras tão descabidas dos livros sagrados, fora da Tradição apostólica da Igreja! Neste caso, é deixá-los falando sozinhos sobre imagens, transfusão de sangue, sábados, alimentos puros e impuros e outras "judaizadas" mais...

3. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra”.
Aqui há afirmações importantíssimas:

(a) A Escritura Sagrada – Novo e Antigo Testamento – é inspirada por Deus. Se a forma da escrita é humana, seu Autor último é Deus. Nas palavras da Bíblia, nós encontramos realmente a Palavra de Deus! E, em última análise, esta Palavra é o próprio Cristo, o Verbo que Se fez carne. Por isso, podemos dizer que toda Escritura fala de Cristo e desconhecer a Escritura é desconhecer o Cristo, Palavra feita carne.

(b) A Escritura não tem como finalidade o simples estudo e, muito menos, a vã discussão. Sendo uma palavra que Deus nos dirige, ela espera e exige a nossa resposta – resposta na vida e com a vida, qualificando o homem de Deus para toda boa obra. Uma escuta da Escritura que não deságue em boas obras é vã e inútil – como já dizia São Tiago.

4. “Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da Sua Manifestação gloriosa e do Seu Reino, eu te peço com insistência: proclama a Palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina”.
Por último, com solenidade e firmeza, o Apóstolo, exorta a que Timóteo combata o combate da fé. Na Igreja não deve haver espaço para o relativismo doutrinal nem moral, seja sob que pretexto for! Somos discípulos do Cristo nosso Deus e Sua Palavra (a Escritura lida à luz de Cristo segundo a Tradição da Igreja) é sempre o critério para nossa fé e nossa vida. Nem mesmo o Magistério da Igreja está acima da Palavra de Deus: somente ela é a norma última que normatiza todas as outras normas de fé! Nunca se deve calar a verdade em nome do diálogo ou do respeito pelos outros. Sem a verdade não há diálogo nem tampouco há respeito! Verdade e caridade são um binômio que jamais deve ser decomposto! Caridade sim, respeito sim, mas sempre dentro da verdade! O grande desafio dos nossos tempos é dizer toda a verdade de Cristo, único Salvador, com a caridade e a jovialidade de quem é conduzido pelo Santo Espírito de Cristo! Verdade na caridade e caridade na verdade! O Senhor nos sustente e ilumine neste caminho!