sábado, 29 de março de 2014

Retiro quaresmal - O Poço que jorra a Vida eterna (9)

"31Enquanto isso, os discípulos insistiam com Ele: “Rabi, come!” 32Mas Ele lhes disse: “Eu tenho para comer um alimento que vós não conheceis”. 33Nisso os discípulos disseram entre si: “Alguém Lhe teria dado de comer?” 34Jesus lhes disse: “ O Meu alimento é fazer a vontade Daquele que Me enviou e realizar a Sua obra. 35Vós mesmos não dizeis: 'Daqui a quatro meses, virá a messe'? Ora, Eu vos digo: levantai os olhos e olhai; já os campos estão brancos para a messe! 36Já o ceifeiro recebe o seu salário e ajunta fruto para a vida eterna, de tal modo que aquele que semeia e aquele que colhe se alegram juntos. 37Pois nisto é verdadeiro o provérbio: 'Um é o que semeia, outro, o que colhe’. 38Eu vos enviei para colher o que não vos custou nenhum trabalho; outros trabalharam e vós entrastes no que lhes custou tanto trabalho”.

Comentando:

João é um narrador admirável!
Note como é capaz de apresentar duas cenas paralelas de modo envolvente: na cidade, a Samaritana evangeliza seus conterrâneos; no poço, Jesus instrui os apóstolos. O diálogo de Jesus é todo metafórico, como o foi também com a mulher samaritana.

Os discípulos desejam que Jesus coma o que eles compraram, mas o Senhor já está mais que saciado com aquilo que o Pai acabara de Lhe dar: “Meu alimento é fazer a vontade do Pai e realizar a Sua obra”. Qual é a vontade do Pai? “A vontade Daquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nada do que Ele Me deu, mas o ressuscite no último dia. Sim, esta é a vontade do Pai: quem vê o Filho e Nele crê tem a Vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,39-40).
Jesus está saciado porque naquela Samaritana que acreditou estão simbolizados todos os pagãos que irão Nele acreditar e ter a Vida eterna. Naquela mulher está presente a Igreja vinda dos gentios, fruto da pregação dos Apóstolos a todas as nações. Jesus está agora plantando o que os Apóstolos e a Igreja de todos os tempos irão colher, fruto da Sua paixão, morte e ressurreição, que culminarão com dom do Espírito, água que jorra para a Vida eterna.

Por isso o nosso Salvador utiliza a imagem poética da messe pronta para a colheita. Era o tempo de ceifa e os campos estavam repletos do trigo amarelado, maduro. Jesus olha o trigal e pensa na Samaritana, nos samaritanos que estão chegando, nos pagãos do mundo todo que virão... Olha para o trigal e pensa na colheita da Igreja tempos afora: os campos estão prontos para a messe; Ele é o ceifeiro, pois acaba de colher a fé no coração de Samaria! Os Apóstolos que colherão um dia o fruto da pregação já podem se alegrar com Ele, que acaba de semear e colher a fé dos samaritanos que estão chegando, trazidos pela mulher... E assim será pelos séculos, até o fim do mundo: a pregação dos Doze e de seus sucessores nada mais será que colher o que Jesus semeou com Sua morte e ressurreição, sendo grão de trigo que cai na terra, morre e dá fruto (cf. Jo 12,24).

- Bendito sejas Tu, divino Semeador!
Bendito sejas Tu que com Teu suor, Teu cansaço,
Tuas andanças e Teu sangue
plantaste o Reino do Pai
que brota em cada coração que em Ti crê
e vive a Tua Palavra!

Bendito sejas Tu, divino Trigo,
grão miúdo,
que caindo por terra e morrendo,
dás espigas de Vida eterna!

Bendito sejas, porque nossos antepassados receberam o Evangelho,
Bendito sejas, porque acreditaram nos Teus pregadores,
Bendito sejas porque, crendo, nos transmitiram a fé,
e hoje somos colheita Tu, grãos de Ti, Espiga bendita,
membros e filhos da Igreja Tua, nascida do Teu sangue fecundo!

Nós Te adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo,
porque pela Tua
Encarnação,
Paixão,
Morte
e Ressurreição,

remiste o mundo inteiro!


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