sexta-feira, 28 de março de 2014

Retiro quaresmal - O Poço que jorra a Vida eterna (4)

"11A mulher disse: “ Senhor, Tu não tens sequer um balde, e o poço é profundo; de onde tiras, então, essa Água viva? 12Serias maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço do qual ele mesmo bebeu, como também seus filhos e os seus animais?” 13Jesus lhe respondeu: “Todo aquele que bebe desta água ainda terá sede; 14mas aquele que beber da água que Eu lhe darei nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que Eu lhe darei se tornará nele uma fonte que jorrará para a Vida eterna”. 15A mulher lhe disse: “ Senhor, dá-me essa água, para que eu não tenha mais sede e não precise mais vir aqui tirar água”."

Comentando:

A Samaritana mostra-se intrigada: donde este estranho judeu pode tirar essa Água viva? Se tem tal água melhor que a deste poço, por que me pede de beber? “Senhor, de onde tiras tal água? Serias maior que nosso pai Jacó, que teve de cavar este poço para beber?”
E a resposta de Jesus, impressionante:
Quem bebe da água do poço de Jacó e de todas as águas deste mundo, ainda terá sede e nunca terá o coração saciado verdadeiramente! É como os pais, que comeram o maná dado por Moisés: eles morreram!
Preste bem atenção porque é verdade, porque é urgente, porque é fundamental: não há água ou pão deste mundo (família, bens, sucesso, prazer, fama, amigos, realizações...) que alimente para sempre, que sacie perenemente, que garanta a vida e aquiete o coração! Não adianta teimar, procurando Vida plena onde Vida plena não há!
Há um outro Pão, uma outra Água, que saciam de Vida, Vida divina, Vida do próprio Deus, Vida eterna!

Aqui, caro Leitor, é preciso cuidado, pois hoje em certos setores da Igreja, fala-se muito em vida, em ter vida, em escolher a vida, mas se fica num sentido de vida meramente biológico ou psíquico.
É preciso dizer claramente que não foi este o centro da preocupação de Jesus!
Não é desta vida que Jesus está falando!
Sempre se dá um jeito para não sair da terra, para ficar simplesmente numa visão sócio-econômica, com uma preocupação simplesmente com o social! E isto é deturpação do Evangelho, pura e simples!
Nenhuma vida deste mundo compara-se à Vida que Jesus nos dá já neste mundo, mas que não é deste mundo: a alegria doce, forte, suave, transformadora, de ter em nós a doçura do Seu Espírito que nos une a Ele e nos concede a Vida eterna, o Reino dos Céus.

É como o conceito de Reino! O Reino de que fala Jesus não acontece primeiro fora do homem, em estruturas sócio-econômicas! Isto é traição ao que Jesus pensou e os cristãos sempre acreditaram!
O Reino é o Deus de Jesus, o Pai, reinando totalmente na nossa vida e, através de nós, reinando no mundo.
Mas, isto é impossível ao homem! Foi necessária, absolutamente, a morte e a ressurreição do Senhor: assim Ele nos pôde dar o Seu Espírito, o único que nos purifica, impele, dá-nos os sentimentos de Cristo e nos faz deixar realmente Deus reinar em nós; de modo que dizer “Venha o Teu Reino” é a mesmíssima coisa que dizer “Venha o Teu Espírito!”

Ficar numa visão de vida meramente daqui debaixo é continuar procurando a água da Samaritana!
Ter casa, ter trabalho, ter isto ou aquilo é importante, mas ainda não é isto que mata a sede!
É de outra água que Jesus fala: água que só Ele – somente Ele! – pode dar: o Espírito Santo, que é a própria Vida eterna! Quem bebe desta Água bebe a Vida eterna, sacia o coração!
É esta água que a Igreja tem o dever sagrado de dar ao mundo pela pregação e pelos sacramentos instituídos pelo Cristo Jesus! Só esta Água se torna em nós fonte viva, jorrando para a Vida eterna, jorrando como alegre e convicto e transformador testemunho para os outros!

Observe bem o Leitor o quanto falar de Cristo nos empolga e ficar falando de questões sociais o tempo todo nos cansa e entedia! Ninguém suporta mais as deturpações e interpretações truncadas e rasteiras daquilo que Jesus realmente ensinou e trouxe...
Tudo passado pelo crivo do politicamente correto e da uma teologia muito pouco teológica e excessivamente sociológica (de método e gosto altamente discutíveis). No cristianismo, a dimensão social deve sempre estar presente, mas totalmente dependente do anúncio primeiro, da experiência primeira do Reino, que é o Espírito de Jesus, eclodido na Palavra e experimentado nos Sacramentos!

A reação da mulher somente pode ser a de qualquer um que escute as palavras impressionantes de Jesus: “Senhor dá-me desta água!”
Senhor, sacia minha vida, sacia meu coração daquilo que não passa, daquilo que dura para a eternidade!
Senhor, é por isso, por essa Água, que creio em Ti, que por Ti me sacrifico, que por Ti vivo e por Ti aceito morrer!
É por essa Água, ó Cristo Deus, que sou cristão!

Senhor, dá-me desta Água!


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