domingo, 30 de março de 2014

Retiro quaresmal - Na piscina do Enviado, a Luz (5)

18 Mas enquanto não convocaram os seus pais, os judeus se recusaram a crer que ele tinha sido cego e recobrado a vista. 19E perguntaram aos pais: “Este homem é de fato o vosso filho que pretendeis ter nascido cego? Então como é que agora ele vê?” 20Os pais lhes responderam: “Nós temos certeza de que este é de fato o nosso filho e que ele nasceu cego. 21Como é que agora ele vê, nós o ignoramos! Quem lhe abriu os olhos? Nós o ignoramos. Interrogai-o, ele já tem idade suficiente, ele mesmo que se explique a seu respeito!” 22Os seus pais falaram assim porque tinham medo dos judeus. Estes já haviam decidido excluir da sinagoga todos aqueles que confessassem que Jesus é o Cristo. 23Eis por que os pais disseram: “Ele já tem idade suficiente, interrogai-o”.

Comentando:

Os fariseus - e aqui João diz “os judeus” porque deseja mostrar a situação espiritual dos judeus de modo geral – não querem crer e chamam os pais do cego. É um mistério que não compreenderemos neste mundo, mas Israel como um todo rejeitou e rejeita Jesus como o Messias esperado. Não adianta querer afirmar que foram somente os chefes judeus que não creram em Jesus: foi Israel como um todo! Somente um Resto humilde e pobre acreditou, como os profetas Isaías e Sofonias anunciaram! Veja as atitudes, meu Leitor: os judeus são descrentes e se fecham, os pais do que fora cego são covardes e se omitem para não sofrer represálias... Não são estas atitudes nossas muitas vezes?

Um detalhe interessante: os judeus somente decidiram expulsar da sinagoga quem fosse cristão lá pelo final do século I. Nesta época o Templo já havia sido destruído e os fariseus eram os únicos líderes judeus. Recorde que até o tempo de São Paulo, os cristãos rezavam no Templo e os judeus viam os “nazarenos” como um dos tantos grupos em que estava dividido o judaísmo. À medida que os cristãos iam afirmando sempre com mais força a divindade de Jesus e a não necessidade da prática da Lei de Moisés para a salvação, os judeus, capitaneados pelos fariseus, foram rejeitando os cristãos, a ponto de introduzirem na oração da sinagoga uma maldição aos cristãos. Efetivamente, pelo ano  100, o Rabino Gamaliel II introduziu na Oração das Dezoito Bênçãos - parte da liturgia sinagogal diária – uma décima nona benção, que fala contra os hereges e pede “que não haja esperança para os apóstatas e que o reino do orgulho seja prontamente erradicado em nossos dias; os Nazarenos e os hereges morram subitamente, e sejam cancelados do Livro dos vivos e não sejam contados no número dos justos. Bendito sejas, ó Adonai, que abaixas os orgulhosos!” Um cristão não poderia nunca participar da oração da sinagoga com uma maldição dessas! Estava consumada a excomunhão dos cristãos! Foi por este tempo que o IV Evangelho foi escrito. Por isso João diz que os judeus haviam decidido expulsar do judaísmo quem confessasse o Nome de Jesus! Como quer que seja, ainda hoje, confessar o Nome de Jesus nos expulsa de muitos lugares e de muitos corações... Ai de nós, se formos covardes como os pais desse cego: para não serem expulsos, não se comprometem, não assumem publicamente que seu filho era cego e voltou a enxergar, estava nas trevas e encontrou a Luz!

- Senhor Jesus Cristo,
Envergonho-me
De quando omiti minha fé em Ti,
De quando escondi meu amor por Ti,
De quando calei-me e, covardemente, não proclamei o Teu Nome!

Tantas vezes e de tantos modos tive medo que percebessem
Que creio em Ti,
Que Te dei minha vida,
Que em Ti está a minha esperança.

Kyrie eleison! Kyrie eleison!



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