terça-feira, 1 de abril de 2014

Retiro Quaresmal - Na piscina do Enviado, a Luz (7)

XVIII Dia da Quaresma - XXIV de penitência

32“Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33 Se este homem não fosse de Deus, nada poderia fazer”. 34Eles replicaram: “Tu és todo pecado desde o nascimento, e vens nos dar lições?”, e o expulsaram.

Comentando:

Eis! Com Jesus tudo se faz novo: nunca se ouviu dizer que uma Virgem concebesse e virginalmente desse à luz, nunca se ouviu dizer que alguém desse a luz a um cego de nascença! A conclusão do que fora cego se impõe: Este homem é de Deus; o que Ele faz vem de Deus! E mais: Ele não é simplesmente um profeta qualquer; Ele é único: Seu modo de agir é único, original! Ele é especial! Quem é Ele? É necessário sempre está atento aqui ao verdadeiro caminho de fé, caminho de conhecimento de Cristo que este cego está fazendo: primeiro, falou dum homem chamado Jesus; depois proclamou que Ele era um profeta; agora afirma que Ele vem de Deus, mas vem de um modo único, original: nunca, na Antiga Aliança ninguém restituíra a vista a um cego de nascença! Somente Aquele que disse: “‘Faça-se a luz!’ E a luz se fez” poderia realizar tal prodígio...

Os fariseus, usam então, de todo o seu preconceito contra o homem: como pode alguém do povo, sem instrução, alguém que nascera no pecado, pois que era cego desde o nascimento, dar lições aos puros? E aqui aparece a contradição: negam o milagre feito por Jesus, mas admitem indiretamente que o homem era cego desde o nascimento, “nascido no pecado”! Ora, se nasceu cego, no pecado, como agora vê? Como não podem encontrar a resposta, adotam a solução mais fácil e mais covarde: Expulsaram-no da Sinagoga! O Evangelho aqui retrata a situação do final do século I, quando a Sinagoga decretou a excomunhão de todo judeu que reconhecesse Jesus como o Messias. Nunca esqueçamos: o judaísmo é nossa raiz santa – e devemos ter sempre profundo respeito por essa raiz -, mas o cristianismo é outra coisa, totalmente diversa do judaísmo! Entre judaísmo e cristianismo, há uma bendita continuidade e uma surpreendente descontinuidade! O cristianismo é algo enraizado no tronco santo da Abraão, Isaac e Jacó, é uma realidade que finca suas raízes na Lei de Moisés, mas, por outro lado, é algo totalmente original: o critério do cristianismo, o ponto focal, a fonte é Jesus, nosso Senhor! Para Ele toda a Antiga Aliança convergia e converge ainda; Dele brota tudo na Nova Aliança! Nele, o Filho, o Amado, o Bendito, a Luz, a Videira, a Porta, o Pastor, o Caminho, o Esposo, a Verdade, o Templo, o Sacerdote, o Cordeiro, o Ofertante, o Ofertado, o Altar, a Vida – Ele é tudo! – Nele tudo, absolutamente, da Antiga Aliança encontra sentido pleno, cumprimento perfeito e surpreendente, tudo é assumido e, em certo sentido, superado numa nova síntese, numa nova claridade!

A verdade simples e radical, apostólica, é que diante de Jesus, o santo Messias, todo ser humano, seja judeu seja pagão, tem que tomar posição, crendo ou não crendo Naquele único que o Pai consagrou e enviou ao mundo. Só nele está a vida, somente nele a salvação!

- Que Te dizer, Senhor Jesus?
Como colocar-me diante de Ti, Santo de Deus, Filho do Pai?
Tu és adorável,
Tu és louvável,
Tu és glorificável!

Que poderei dizer-Te, que já não saibas?
Que poderei dar-Te, que já não tenhas?
Dou-Te o que é Teu: meu coração,
Ofereço-Te o que Tu mesmo criaste: minha vida,
Coloco em Tuas mãos benditas o que em mim imprimiste:
A Tua Imagem bendita, ó bendita “Imagem do Deus invisível,
Primogênito de toda criatura!”
Recupera em mim a semelhança que o pecado me fez perder,
Para que, semelhante a Ti, minha Forma bendita,
Cuja imagem eu reproduzo,
Eu seja eu mesmo, não mais deformado, mas transformado em Ti,
Ó Imagem do Pai, de cuja Face brilha toda Luz para afugentar
As minhas trevas e as trevas do mundo inteiro!



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