terça-feira, 1 de abril de 2014

Retiro quaresmal - Na piscina do Enviado, a Luz (8)

35Jesus soube que eles o haviam expulsado. Veio, então, encontrar-Se com ele e lhe disse: “Crês no Filho do Homem?” 36E ele respondeu: “Quem é Ele, Senhor, para que eu creia Nele?” 37Jesus lhe disse: “Tu o estás vendo: é Aquele que te fala”. 38O homem disse: “Creio, Senhor”, e se prostrou diante Dele. 39E Jesus disse então: “Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que aqueles que não viam vejam, e aqueles que viam se tornem cegos”. 40Alguns fariseus, que se achavam com Ele, ouviram isso e Lhe disseram: “Acaso também nós somos cegos?” 41Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas dizeis: ‘Nós vemos!’ Vosso pecado permanece”.


Comentando:

Neste trecho temos o ápice da narrativa de João: Jesus veio ao encontro do que fora cego. Antes viera ao seu encontro para replasmá-lo, impondo-lhe o barro com o Seu Sopro, como que recriando-o; agora vai confirmar definitivamente a sua fé. “Crês no Filho do Homem?” Filho do Homem é o título que Jesus costumava usar para Si próprio, evitando assim que o título de Messias fosse manipulado pelos que pensavam num messias político-guerrilheiro, cujo reino fosse uma realidade sócio-econômico-política, nos moldes da Teologia da Libertação, num messias curandeiro e milagreiro, tipo aquele das seitas e de certos grupos católicos, num messias justiceiros, ao gosto de certos rigoristas... Filho do Homem era um título ambíguo (poderia significar simplesmente homem, com toda a fragilidade dos filhos de Adão, vindos do pó da terra, como em Ezequiel ou, por outro lado, poderia evocar o personagem divino e misterioso presente no livro de Daniel 7), e, por isso mesmo, mais conveniente para ser usado, até que na Paixão ficasse claro que tipo de messias era Nosso Senhor: Jesus é o Filho do Homem nos dois sentidos: homem frágil até Se tornar homem de dores e, contemporaneamente, o Filho do Homem cheio de Glória à Direita do Pai!
Como quer que seja, a pergunta que o Senhor faz ao cego é a mesma que faz a todo aquele que ouve a proclamação do Seu Evangelho: “Crês no Filho do Homem? Crês em Mim?” Não se trata de crer numa doutrina, numa teoria; trata-se de crer e aderir com toda a vida a uma pessoa: à Pessoa adorável de Jesus de Nazaré, Cristo-Messias do Pai, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ninguém pode escapar de responder a esta questão: “É agora o Julgamento deste mundo: “Aquele que Nele crer, não será julgado; o que não crer, já está julgado porque não creu no Filho único de Deus! E este é o julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à Luz!” (Jo 3,18-19) Tremendas palavras, que ecoam com toda força no presente contexto desta perícope do Evangelho e na nossa situação do mundo atual!

Importante aqui é a pergunta do que fora cego: “Quem é Ele, para que eu creia?” Bem diferente da falsa segurança e da autoconfiança dos fariseus, que já tinham uma resposta arrumada e preconceituosa para tudo, o que fora cego procura sinceramente a verdade... E Jesus responde de modo comovente: Tu O estás vendo! Eu te curei para isto: para que Me vejas, para que Me contemples, em Mim creias e em Mim tenhas a luz da Vida em abundância! Eis, que maravilha: para isso o cego fora curado: para crer em Jesus, amá-Lo e Nele ser salvo. Lembre que, no Evangelho de João, ver, contemplar e crer são a mesma coisa! Para isso Israel fora libertado do Egito: para prestar um culto ao verdadeiro Deus e ser salvo por Ele; para isto Jesus veio ao mundo, para isto existe a Igreja, para isto a atividade missionária! Toda ação de Deus por nós é teocêntrica, é para a glória de Deus em Cristo – e, portanto, também é cristocêntrica! Na fé e vida da Igreja o centro é Cristo que nos leva ao Pai no Espírito. Todo o resto depende disso e a isso é ordenado! É uma traição à fé o antropocentrismo virulento que vemos hoje em muitos setores da vida da Igreja: de tanto se falar do homem – e do homem como um absoluto –, relativiza-se Deus e transforma-se a fé cristã em mera filantropia de esquerda ou de direita, conforme o gosto do freguês! Como recordou o Santo Padre Bento XVI em Aparecida, e o Papa Francisco já fez eco algumas vezes a tal ensinamento, a realidade é Deus; é Ele o verdadeiramente Real e Aquele que nos faz ver verdadeiramente a realidade! E o que fora cego crê, confessa sua fé e prostra-se diante de Jesus: “Creio, Senhor!” Eis o cume do nosso texto: finalmente, o cego dá  a Jesus o título perfeito, o título cristão: Senhor, Kyrios em grego, Adonai em hebraico: “Toda língua confesse para a glória de Deus Pai que Jesus Cristo é Senhor!” (Fl 2,11) Eis o Nome acima de todos os nomes!

Depois, a palavra duríssima de Jesus, que serve de tremenda advertência para mim e para você, meu Leitor: Ele veio ao mundo para um juízo, como um sinal de contradição: vem dar a luz aos que eram cegos e procuravam a luz e vem revelar a cegueira dos que caminham soberbamente confiando na sua própria luz e não na luz de Deus, que brilha no Seu Cristo bendito! Daí Sua palavra aos fariseus – e a mim e a você: Se nos reconhecermos cegos e procurarmos caminhar na Sua luz, enxergaremos de verdade; reconhecendo-nos cegos, somos perdoados e iluminados (lembre de Nicodemos, mestre judeu, que vem na treva da noite procurar a Luz – cf. Jo 3,1-2). Mas, se presunçosamente, caminharmos na nossa própria luz, na nossa própria teimosia, dizendo: “Eu vejo” (vendo-se com sua própria luz e à sua própria luz, que, no fundo, é humana treva...), então permaneceremos na escuridão de nosso pecado, como os piores cegos: aqueles que não querem ver porque, iludidos, pensam que já enxergam!


- Jesus, Filho de Deus,
Jesus, Senhor bendito,
Jesus, Nome acima de todo nome!

Creio em Ti,
Em Ti espero,
A Ti amo!

Aumenta a minha fé,
Guarda, conserva a minha esperança,
Faz crescer o meu amor!

Tu és o Messias prometido a Israel e por ele esperado,
Tu és o Salvador do mundo,
A Luz da humanidade,
A Vida de todo ser vivente!

A Ti a glória,

Agora e por toda a Eternidade! Amém.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Caro Irmão, serão aceitos comentários que não sejam ofensivos nem desrespeitosos.