terça-feira, 15 de abril de 2014

Retiro Quaresmal - A Paixão segundo Mateus (3)

XLII dia da Quaresma - XXXVI de penitência
Mt 26,30-35

30Depois de cantarem o salmo, saíram para o Monte das Oliveiras. 31Então Jesus disse aos discípulos: “Esta noite, todos vós vos escandalizareis a Meu respeito. Pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão”. 32Mas, depois de ressuscitar, Eu irei à vossa frente para a Galiléia”.
33Pedro lhe disse: “Mesmo que todos se escandalizem, eu jamais”. 34Jesus lhe declarou: “Em verdade Eu te digo: esta noite, antes que o galo cante, três vezes Me negarás”. 35Pedro respondeu: “Ainda que eu tenha de morrer contigo, não Te negarei”. E todos os discípulos disseram a mesma coisa.

Comentando:

“Depois de cantarem o salmo, saíram para o Monte das Oliveiras”... Na verdade, trata-se não de um salmo só, mas do conjunto de salmos chamado Hellel (= louvor; daí vem o termo Helleluiah = louvai o Senhor), que se cantava nas grandes festas e, especialmente, ao fim da ceia pascal judaica. São os salmos 112/113 – 117/118. Vale a pena rezar esses salmos, para colocar-se em sintonia com os sentimentos do Senhor: a Páscoa de Israel, que saíra do Egito atravessando o tremendo Mar para entrar na Terra Prometida é a moldura para a Páscoa do Senhor nosso, que saiu da kénosis, do abaixamento em que Se encontrava neste mundo, atravessando o tremendo mar da morte, para entrar na Terra Prometida da Glória do Pai...

Segundo Mateus, é no Monte das Oliveiras que Jesus faz a dramática revelação: naquela noite, naquela escuridão, naquela hora do poder das Trevas (cf. Lc 22,53): “Esta noite, todos vós vos escandalizareis e Meu respeito!”
Veja, meu Leitor: esta frase diz respeito aos discípulos, a mim, a você, aos cristãos: naquela noite de provação, naquela noite em que o Senhor foi traído, vilipendiado, tornado presa de Seus inimigos, os Seus discípulos tropeçaram (= escandalizaram-se) por causa Dele...
Que vergonha para nós! Quantas vezes, nas trevas, naquelas situações e acontecimentos que nos machucam e que não compreendemos, temos a tentação de nos escandalizar com o Senhor, de desconfiar do Seu amor, da Sua providência e até mesmo da Sua existência...

– Senhor, por misericórdia, faze que nas noites da vida eu não me escandalize por Tua causa e não Te renegue!
Perdoa, Senhor, pela fraqueza de nossa fé, pela debilidade do nosso amor! Kyrie, eleison!

É impressionante como os discípulos não se conhecem: presunçosamente, garantem que não se escandalizarão por causa de Jesus: “‘Ainda que eu tenha de morrer Contigo, não Te negarei!’ E todos disseram a mesma coisa!”
Ah, que o nosso amor é tão fugaz quanto a névoa da manhã: logo se desfaz (cf. Os 6,4): prometemos tanto ao Senhor e tão rapidamente é o que esquecemos o que prometemos!
Quantos propósitos feitos na oração e desfeitos logo depois, ante a dureza da vida e as contradições da existência!

Pobre Pedro, que não se conhece; pobres discípulos, pobres nós! Ao invés de confiar presunçosamente nas nossas próprias forças, deveríamos – nós e Pedro – confiar na oração do Senhor, que vela por nós: “Eu orei por ti para que a tua fé não desfaleça!” (Lc 22,32).


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