quinta-feira, 17 de abril de 2014

Retiro Quaresmal - A Paixão segundo Mateus (5)

XLIV Dia da Quaresma - XXXVIII de Penitência 
Mt 26,47-56

47Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus; vinham da parte dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. 48O traidor tinha combinado com eles um sinal: “Aquele que eu beijar, é Ele: prendei-O!” 49Judas logo se aproximou de Jesus, dizendo: “Salve, Rabi!” E beijou-O. 50Jesus lhe disse: “Amigo, para que vieste?” Então os outros avançaram, lançaram as mãos sobre Jesus e O prenderam.
51Nisso, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. 52Jesus, porém, lhe disse: “Guarda a espada na bainha! Pois todos os que usam a espada, pela espada morrerão. 53Ou pensas que Eu não poderia recorrer ao Meu Pai, que Me mandaria logo mais de doze legiões de anjos? 54Mas como se cumpririam então as Escrituras, que dizem que isso deve acontecer?”
55Naquela hora, Jesus disse à multidão: “Viestes com espadas e paus para Me prender, como se Eu fosse um bandido. Todos os dias, no templo, Eu Me sentava para ensinar, e não Me prendestes. 56Tudo isso, porém, aconteceu para se cumprir o que está escrito nos profetas. Então todos os discípulos O abandonaram, e fugiram.

 Comentando:

Agora chega Judas, um dos Doze, um dos nossos, um dos escolhidos pessoalmente por Jesus, chega com a coorte, a guarda do Sinédrio.
O que se passou com Judas, para que traísse Jesus? Sim, não há dúvida: ele O traiu, e o Evangelho chama-o claramente de traidor (cf. v. 48). Mas, qual o motivo? Certamente não foi somente dinheiro. Ao que parece, Judas desiludiu-se com Jesus: seu Mestre não era o tipo de messias que ele esperava, que ele desejava. Da desilusão, passara ao cinismo, pois que chegava mesmo a roubar a bolsa comum do grupo (cf. Jo 12,6). Daí para entregar o Mestre, quase como uma vingança, foi um salto. Além de entregá-Lo, vendeu-O!
O coração humano, o meu, o seu, meu Leitor! Como diz o Profeta Jeremias: “O coração é o que há de mais enganador, e não há remédio. Quem pode entendê-lo? Eu, o Senhor, examino o coração e experimento os rins, retribuo a cada um conforme caminhou, conforme o fruto de suas ações!” (Jr 17,9-10). E Judas exprime bem o seu cinismo, sua cegueira, seu descaso para com o antigo Mestre, pois, de modo despudorado, escolhe como sinal da traição um beijo! Bem que João afirma que Satanás entrara nele (cf. Jo 13,27). Que significa isto? Ele estava totalmente cego, totalmente dominado por seus pensamentos perversos e esta será sempre uma das portas pela qual o diabo invade a vida de alguém...

Observe, meu Leitor, como ele trata Jesus: não O chama Senhor. Nem na ceia! Tanto lá como agora, trata-O por Rabi-Mestre (cf. vv. 25.49). E Jesus o chama amigo, até o fim! “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos!” (Jo 15,13). Amigo! – é assim que Jesus chama Judas. Certamente por ele o Senhor também deu a vida!

Fortalecido pela oração, o Senhor irá até o fim para fazer a vontade do Pai. Repreende o discípulo que desembainhou a espada. Esta não é e nunca será a lógica do Senhor: quem vive pela espada morre pela espada!
A lógica do Senhor é uma outra: Ele vê a avalia segundo o coração do Pai e sabe que está fazendo a Sua santa vontade. Nele, homem atribulado, as Escrituras estão se cumprindo, o misterioso desígnio do Pai está se realizando.

Finalmente, a nossa vergonha, de uma fé de muito sentimento e muitas palavras, mas frágil e de pouca decisão e conversão de vida: “Então, todos os discípulos O abandonaram e fugiram!” Todos, sem exceção: Pedro, o chefe que prometeu ir com o Mestre até a morte, João, o discípulo amado, eu, você... Todos!

– Senhor, perdoa-nos pelas covardias, perdoa porque tantas vezes quisemos salvar nossa vida deixando-Te a Ti, a fonte da Vida, a Vida da nossa vida! Recorda-nos, ó Cristo, que se morremos Contigo, Contigo viveremos; se resistimos Contigo, Contigo reinaremos (cf. 2Tm 2,11-12).




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