domingo, 20 de abril de 2014

A vitória do Ressuscitado segundo Mateus (28,11-20)

11Quando foram embora, alguns da guarda entraram na cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes o que tinha acontecido. 12Reunidos com os anciãos, deliberaram dar bastante dinheiro aos soldados; 13e instruíram-nos: “Contai o seguinte: ‘Durante a noite vieram os discípulos Dele e O roubaram, enquanto estávamos dormindo’. 14E se isso chegar aos ouvidos do Governador, nós o tranquilizaremos, para que não vos castigue”. 15Eles aceitaram o dinheiro e fizeram como lhes fora instruído. E essa versão ficou divulgada entre os judeus, até o presente dia.

Comentando:

É gritante o contraste entre a alegria das mulheres pelo anúncio do Anjo e pelo encontro com o próprio Senhor ressuscitado e o cinismo dos sinedritas. Não creram em Jesus e, ainda agora, refutam-se a pensar seriamente no fato que acabara de lhes ser contado. Entre a conversão e o cinismo, preferem o segundo e subornam a guarda.
Portanto, duas possibilidades. Se o cadáver de Jesus foi roubado pelos discípulos, tudo continua como antes: o Nazareno era apenas um impostor, um profeta iludido, um messias falso. E, neste caso, os discípulos seriam uns doentes, incapazes de aceitar a realidade, apegados a uma ilusão absolutamente absurda. Aqueles discípulos não passariam de farsantes e falsários!

Por outro lado, se realmente Jesus ressuscitara, então tudo muda, absolutamente!
Neste caso – incrível!!! – Ele é o Messias do Deus de Israel,
Nele as promessas do Senhor Deus se cumpriram!
Mais ainda: chegaram os últimos tempos e a Morte foi vencida definitivamente!

Era mais cômodo para o Sinédrio a primeira versão, a do roubo do cadáver... E até o presente dia, para o povo de Israel, Jesus não é o Messias, não ressuscitou... É um fato misterioso e impressionante: o Povo de Deus da Antiga Aliança rejeitou o Messias que o Senhor lhe prometera e pelo qual tanto esperara! Eram os chefes – sobretudo o Sumo Sacerdote – que deveriam reconhecer oficialmente o Messias. Não o fizeram, em nome de todo o Israel. E todo o judeu que aceite Jesus, ainda hoje, tem que romper com o judaísmo. São Paulo, ele mesmo viveu esta experiência, e nos ensina o significado desta misteriosa recusa em reconhecer o Senhor. Vale a pena a leitura de Rm 9-11!



16Os onze discípulos voltaram à Galileia, à montanha que Jesus lhes tinha indicado. 17Quando O viram, prostraram-se; mas alguns tiveram dúvida. 18Jesus Se aproximou deles e disse: “Foi-Me dada toda a autoridade no céu e na terra. 19Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 20Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”.

Comentando:

O grupo dos Doze, agora ferido pela defecção de Judas, volta à Galileia. A Igreja vai desenvolver-se saindo de Jerusalém, do seio do judaísmo. Dirigem-se ao monte que Jesus lhes indicara.
Nas Escrituras o monte é o lugar da manifestação de Deus. Qual teria sido esse monte? O Tabor, o monte das Bem-aventuranças? Não sabemos. Basta saber que foi o monte no qual Jesus revelou-Se aos Onze com toda a Sua Glória divina, com Seu estado de Senhor ressuscitado, transfigurado em Glória como no Tabor.
Aquele que fora visto como homem desfigurado em dores, agora aparece como transfigurado em Glória divina! Por isso, diante Dele, os discípulos prostram-se: Ele é Senhor, Ele agora é totalmente divino na Sua própria natureza humana; já não mais está no estado de humilhação, de servo...

Só para recordar: a Glória divina, a Energia Divina, a vida divina é o Santo Espírito, Aquele que o Pai derramou de modo total, pleno e definitivo sobre o Filho feito homem, ressuscitando-O dos mortos, fazendo-O Vivente!

Alguns duvidam. Benditas essas dúvidas, que nos dizem que os discípulos não eram um grupo de alienados, dispostos a inventar fábulas sobre Jesus! Aliás, a Segunda Epístola de Pedro exprime muito bem esta disposição dos primeiros  discípulos do Senhor: “Pois não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da Sua grandeza. Efetivamente, Ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir aquela voz que dizia: “Este é o Meu Filho bem-amado, no qual está o Meu agrado”. Esta voz, nós a ouvimos, vinda do Céu, quando estávamos com Ele na montanha santa” (2Pd 1,19-18).

Depois da dúvida a declaração: Jesus recebera do Pai toda autoridade “no céu e na terra”, isto é, sobre toda a inteira criação.
Nenhum poder se iguala ao do Cristo ressuscitado, pois Sua autoridade é divina.
Depois da declaração, o mandato missionário: fazer discípulos dentre todas as nações, que vivam como Jesus determinou.
Veja, meu Leitor: ser cristão não é simplesmente crer em Jesus, mas viver segundo os critérios de Jesus! A porta para essa Vida nova é o Batismo. Sabe-se o quanto a tradição proveniente da Reforma luterana e suas derivações atuais insistam que é somente a fé que salva. Esta visão é errada e contrária às Sagradas Escrituras!
Quem crê, precisa absolutamente pedir o Batismo, que significa entrar sacramentalmente na relação que o Filho tem com o Pai no laço do Espírito. Ora, pedir o Batismo – que é dado pela Igreja por ordem do próprio Senhor – supõe necessariamente ingressar na Igreja de Cristo, a dos Doze, que tem a Pedro por pedra, e nela viver. Outro detalhe: os Atos falam muito em ser batizado no nome de Jesus. Ora, o Batismo de Jesus, o Batismo no Nome de Jesus é, precisamente, o Batismo na invocação das três divinas Pessoas. Foi este e só este o Batismo instituído pelo Senhor.

E a promessa final, que fecha admiravelmente o Evangelho segundo Mateus: “Eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos!”
É o tempo da Igreja, esse tempo intermediário entre a inauguração do Reino e sua consumação na Glória, quando Cristo nossa vida aparecer (cf. Cl 3,4).

Observe: Eu estarei convosco... Volte um pouco ao início de Mateus (Mt 1,23): Ele será chamado Emanuel – Deus conosco!
Ei-lo, novamente, ao final do escrito de Mateus: o Emanuel de todos os dias de nossa vida, da vida da Igreja! Observe que Mateus não conta a Ascensão... não a nega; simplesmente quer deixar claro que Jesus permanece conosco.
Ele estará conosco todos os dias – nos bons e nos maus, nos luminosos e nos tenebrosos, nos dias de glória e de humilhação, de certezas e de dúvidas...
Eu estarei convosco todos os dias, cada dia, na potência do Meu Santo Espírito dado nos sacramentos, até o fim dos tempos!
Desta promessa vivemos, nesta certeza certíssima apostamos a nossa vida!


Feliz Páscoa, meu Leitor!
Jesus, o nosso Irmão, ressuscitou!
Ressuscitou verdadeiramente! Aleluia!


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