quinta-feira, 12 de março de 2015

Retiro quaresmal - quinta-feira da III semana

“Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-O, enquanto Ele está perto. Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão” (Is 55,6-7).

“Buscai o Senhor, invocai-O” – é o convite, a exortação, o preceito da Escritura.  Trata-se, esta busca do Senhor, de uma atitude de vida, uma atitude que empenha toda a existência humana, porque se busca o Senhor com o pensamento, se busca com o afeto, se busca com as escolhas feitas no dia a dia, se busca com as ações concretas. Busca-se o Senhor procurando a Sua santa vontade, busca-se o Senhor quando se procura em tudo discernir Seus desígnios a nosso respeito. Em outras palavras: busca-se o Senhor pela constante conversão a Ele.

E atenção, Amigo, para o sentido de conversão: trata-se de viver a vida voltando-se, direcionando-se, dirigindo-se para Ele, como seu foco, seu sentido, seu objetivo, sua plenitude.

Busca-se o Senhor procurando-O, invocando-O, pois Ele não é óbvio! O nosso Deus não é uma realidade que seja palpável, que esteja ao alcance das minhas mãos quando bem quero e entendo! Ele precisa ser procurado com a vontade, com o amor, com o afeto, com a inteligência, com as obras, com todo o nosso ser. Mas, atento: se temos o desejo de procurá-Lo é porque Ele já colocou no nosso coração a sede de Si, o desejo profundo e irreprimível de encontrá-Lo!

Pense um pouco: Como você vive a sua vida? Qual o foco que a unifica? Para que ponto você se volta nas suas escolhas, no seu modo de viver? “Buscai o Senhor!”

 “Ele pode ser achado, Ele está perto!” Esse Deus bendito, sede de nossa vida, que deve ser procurado, invocado, está já perto, é Deus próximo de nós, até mesmo mais íntimo de nós que nós mesmos! Ele pode ser achado!
As Escrituras Santas nos revelam um Deus sempre à procura do homem, vindo a Ele para com eles conviver, um Deus benigno e bom, que nos deseja como a amigos! No entanto, Ele não é manipulável, não é um Deus que aceite suborno, não Se dá, não Se revela a quem não Lhe tem um coração reto e não o busca com todo o ser. Deus é assim; dá-Se realmente a todo aquele que o procura sinceramente e a Ele deseja se dar de todo o coração.
Portanto, atenção para a qualidade da sua relação com o Senhor: uma vida de oração, um caminho religioso que não procura realmente e em todos os aspectos converter-se ao Senhor, termina sendo falso e fictício. Procurar o Senhor e encontrá-Lo exige que, decididamente, eliminemos tudo quanto é contrário à Sua santa vontade. E atenção: não adianta dizer: “Estou resolvido com minhas fraquezas e pecados: a partir de hoje declaro que não são mais pecados! Pronto: estou em paz!” Não é verdade! Sua paz é a paz dos mortos, a paz de uma consciência entorpecida! A paz nascida do sossego no pecado é paz de morte! A paz que o Senhor concede, a paz de encontrá-Lo de verdade numa relação viva com Ele é somente a paz da vitória sobre nós mesmos e nossos vícios!

Pergunte-se pela qualidade de sua relação com o Senhor: funda-se na verdade ou numa ficção arrumadinha de quem ajeitou seus pecados na gaveta da própria consciência, chamando de bem e de normal ao que o Senhor chama de mal e pecaminoso? Este é o mal de tantos e tantos e tantos no cristianismo atual! Não será também o seu e o meu? Ai de nós!

Agora aparece claríssimo o apelo final do Profeta: “Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão”. É para nós – para mim e para você – esta palavra: ímpio (sem piedade para com o Senhor, frio, pouco generoso), injusto (não reto em relação ao Senhor e sua vontade e em relação aos irmãos, sobretudo os que necessitam de nós).

Quais os seus caminhos? Quais as maquinações, os pensamentos, os raciocínios do seu coração: são realmente segundo o Senhor ou, ao invés, segundo o mundo e segundo as próprias paixões do seu coração?


Reze os Salmos 35/36 e 36/37

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