quarta-feira, 8 de abril de 2020

Retiro Quaresmal 2020/38 - "Felizes os que se abrigam no Senhor!" (Sl 2,12)

Quinta-feira Santa
Meditação XXXVII: Sem beleza nem formosura, não fizemos caso Dele

Reze o Salmo 119/113-120
Agora, medite e reze Is 52,13 – 53,12, tendo diante dos olhos Jesus Cristo, o Homem de Dores que nos salvou.

1. Este é o último e mais impressionante dos quatro cânticos do Servo Sofredor. De tão impressionante e de tanto nos recordar as dores do Senhor Jesus, muitos o chamam de “a Paixão segundo Isaías”. Na verdade, estes poemas – sobretudo este último – ajudaram sobremaneira os cristãos a compreenderem o sentido dos padecimentos e mortes do Senhor. Então, com veneração e religioso respeito, vamos acompanhar as palavras de Isaías que, em última análise, são palavras do próprio Deus!

2. Leia os vv. 13-15. Aí, o Senhor Deus apresenta o Seu Servo nas Suas dores. O cântico todo será uma longa explicação das dores e da morte do Servo: Sua paixão será motivo da realização do desígnio do Senhor: a salvação de Israel e de toda a humanidade. Por isso mesmo, este primeiro versículo é de triunfo e glória: o Servo vai prosperar, será elevado no mais alto. Compare com Fl 2,9-11. Observe o contraste extremo: do mesmo modo que os povos e os grandes deste mundo ficaram pasmos, sem compreender o sofrimento desse Servo desfigurado – “Ele não tinha mais figura humana e Sua aparência não era mais a de homem” –, do mesmo modo, o mundo permanecerá silencioso e estupefato diante da exaltação do Servo. Observe que é o caminho cristão: da maior humilhação à maior exaltação (cf. Ef 4,10). Veja, por exemplo, o Sl 22/21. Este foi o salmo que o Senhor rezou na Cruz. Observe como é uma oração de profunda dor, mas também de certíssima esperança no triunfo final: “Quanto a Mim, sou verme, não homem. Eu Me derramo como água e Meus ossos todos se desconjuntam” (vv. 7.15); “de Ti vem o Meu louvor na grande assembleia, cumprirei Meus votos frente àqueles que O temem. E Eu vivo para Ele, Minha descendência o servirá!” (vv. 23.26.30) É o mesmo espírito da pergunta do Eclesiástico: “Quem confiou no Senhor e ficou desiludido? Ou quem perseverou no Seu temor e foi abandonado? Ou quem clamou por Ele e Ele o desprezou?” (2,10/11). Eis! Nunca duvidemos: É bom confiar no Senhor! É bom esperar sempre no Senhor! O Nome Dele é Fidelidade, o Nome Dele é Amor que ressuscita!

3. Agora, entrando no capítulo 53, os vv. 1-11a descrevem de modo impressionante e comovente a dor do Servo. Logo de início, o v. 1 reconhece que foi o “Braço do Senhor” que agiu em toda esta dor e ignominia do Servo! Daí a tremenda admiração! Como é possível? Como Deus permitiu isto ao Seu Servo fiel? Como é possível que o Senhor permita deste modo o sofrimento, a humilhação, o abandono, a violência e a morte vergonhosa de Quem Lhe é fiel? Mais ainda: como é possível que o Senhor utilize tal caminho para o seu desígnio de salvação? Pensando bem, trata-se de questões que ainda hoje vêm ao nosso coração. Reze o Sl 10/9,22-39. Como é difícil enxergar a presença de Deus na dor! Como é penoso proclamar no sofrimento e na e humilhação que o Senhor Deus é presença de amor!

4. O cântico começa, então, a descrever os tremendos sofrimentos físicos e morais do Servo: 
=> Ele era pequeno e frágil aos olhos do mundo, mergulhado numa existência precária e sofrida (cf. vv. 2-3);
=> Sua situação humilhante tinha um sentido reparador e vicário, ou seja, de representar, tomar o lugar: “Eram nossos sofrimentos que Ele levava sobre Si, nossas dores que Ele carregava” (v. 4). Esta afirmação é importantíssima: pela primeira vez nas Escrituras se afirma de modo explícito a ideia de um sofrimento tomado para salvar a outros! Leia atentamente os vv. 5-7.8c! Esta será uma chave essencial para os cristãos compreenderem o sentido do que aconteceu com Jesus nosso Senhor!
=> O v. 5 afirma claramente que o castigo do Servo nos traz o shalom de Deus, isto é, a amizade como Senhor, a comunhão com o Eterno, em uma palavra, a salvação! Com Suas dores, o Servo nos reconciliou com Deus!
=> No v. 6 afirma-se de modo impressionante que “o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de todos nós!” Veja os vv. 4.6.10-12. Observe que estas ideias são exatamente as mesmas presentes no Novo Testamento ao descrever o sentido da Paixão do Senhor! 
=> No v. 7 aparece, de modo comovente, a mansidão e paciência do Servo, comparado, agora, a um cordeiro pacífico. Aqui é necessário recordar que o cordeiro e a ovelha são animais típicos para os sacrifícios a Deus no Templo. O sofrimento do Servo é um sacrifício a Deus! Ainda neste versículo aparece a importante afirmação que o Servo entregou-Se livremente: “livremente humilhou-Se!” Leia Jo 10,17-18.
=> Vale a pena insistir na afirmação: “Ferido pela transgressão do Seu Povo!” (v. 8)
=> O v. 9 é impressionante: insiste na inocência radical do Servo e, ao mesmo tempo, na Sua solidariedade com os pecadores. Aqui aparecem os ímpios e os ricos, quase como sinônimos, enquanto tendem a ser descrentes, violentos, devassos, enganadores (cf. v 12). Leia 2Cor 5,21. Nesta solidariedade, assumindo os pecados do mundo, o Servo redime o mundo inteiro! (cf. ainda o v. 12)

5. Agora os vv. 10-12. Aqui aparece o triunfo final do Servo! Porque foi fiel ao Senhor Deus até a morte e para além da morte, o Eterno O glorificou e deu-Lhe uma posteridade! Vejamos:
=> Aparece claramente, com total transparência, a ideia do “sacrifício expiatório” (v. 10)! Nunca é demais repetir: esta ideia de alguém oferecer a vida para expiar os pecados de outros e, sobretudo, do Povo de Israel e até da humanidade, simplesmente não existia ideia no Antigo Testamento! É uma ideia central, vital, para o cristianismo!
=> Ainda no v. 10, duas ideias preciosas: (a) a oferta do Servo faz parte do misterioso desígnio do Senhor Deus! Leia Jo 3,16; Rm 8,31-34; 1Pd 2,21-25. (b) para além da entrega até a morte, o Servo terá uma descendência, uma multidão ser-lhe-á dada como herança e plenitude!
=> Finalmente, o triunfo, nos vv. 11-12: depois do fatigoso trabalho do sofrimento até a escura morte, o gozo pleno e farto da luz; depois do conhecimento de Deus, isto é, do reconhecimento do senhorio do Altíssimo, o fruto de ter salvo, justificado uma multidão! Outra ideia maravilhosa: o um que salva os muitos!
=> Por último, o Servo torna-Se o eterno intercessor, mais que Moisés, que Samuel, que Jeremias, os grandes intercessores de Israel! Pois somente o Servo entregou a própria vida numa doação total: “Tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

6. Para rezar, nada melhor que reler todo este canto com o conselho do Autor da Epístola aos Hebreus no coração: “Assim, meus santos irmãos e companheiros da vocação celeste, considerai atentamente Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé!” (3,1).


Retiro Quaresmal 2020/39 - "Felizes os que se abrigam no Senhor!" (Sl 2,12)

Tríduo Pascal
Meditação XXXVIII: Entregue, morto e ressuscitado!

Depois da Meditação desta Quinta-feira pela manhã, a Meditação XXXVI, ofereço-lhe aqui, ainda no âmbito deste Retiro Quaresmal, um esquema de leituras da Sagrada Escritura para os dias do Santo Tríduo Pascal. Seguindo-o, você estará unido ao Cristo na celebração solene dos mistérios de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. A proposta que faço é exigente; requer fôlego, perseverança e amor ao Senhor! Mas, a recompensa será imensa: com as Escrituras nas mãos, você entrará no Coração do Cristo, naquilo que Ele sentiu e viveu nesses dias e, assim, poderá trazer os mesmos sentimentos do Cristo Jesus (cf. Fl 2,5). Coragem e bom proveito!
Lembre: este esquema é a continuação do Retiro Quaresmal... Vou colocá-lo por dia do Tríduo!
Uma observação: Os números dos salmos depois da barra são da Vulgata (e da Ave Maria). Os números antes da barra são da Bíblia hebraica (e da Bíblia da CNBB, de Jerusalém do Peregrino e da TEB).

Quinta-feira Santa

Neste dia toda a atenção da Igreja se volta para o Cristo que na Ceia celebrou ritualmente a Páscoa com Seus discípulos: “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer...” (Lc 22,15). Aquilo que o Senhor fizera nos gestos rituais (lavar os pés aos Seus, entregar-Se no pão e no vinho) na Quinta, Ele realizou realmente, como evento de salvação, na Sexta-feira. Recordemos que o Senhor fez Sua despedida no contexto da ceia pascal judaica, na qual os judeus faziam memorial da saída do Egito, libertação do povo de Israel. Jesus, agora, sairia do mundo, passando (fazendo a Páscoa) para o Pai, após atravessar o profundo e tenebroso mar da morte. Por tudo isso, para a Quinta-feira são recomendáveis os seguintes textos:

(A) Para serem lidos antes da Missa na Ceia do Senhor, preparando-se para a Celebração:

1. Jo 13,1 – 14,31
É a emocionante e solene narração da Ceia segundo João. Procure unir-se aos sentimentos de Cristo; procure entrar no clima de despedida e comoção daquela Ceia derradeira.

2. Sl 113/112 – Sl 118/117
Estes seis salmos formam o Hallel (Louvor: Hallelu-Iah: louvai o Senhor) que os judeus cantavam ao término da Ceia pascal judaica. Jesus cantou-os neste dia, recordando tudo quanto Deus fizera pelo Seu Povo ao tirá-lo do Egito: “Depois de terem cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras” (Mc 14,26). Se não for possível rezar estes salmos antes da Missa na Ceia do Senhor, que eles sejam rezados logo após.


(B) Para serem lidos após a Missa na Ceia do Senhor:

Depois da Missa na Ceia do Senhor, a Igreja leva muito a sério o convite que o Salvador nos faz: "Permanecei aqui e vigiai Comigo!" (Mt 26,38)... Você pode fazer as leituras seguintes na igreja, diante das Espécies eucarísticas, no altar da reposição... até a meia-noite...

3. Jo 15,1 – 17,26
Estes discursos de Jesus devem ser lidos após a Missa na Ceia do Senhor e dos Salmos do Hallel. Procure lê-los com o coração, devagar, curtindo, como que em câmara lenta, cada palavra do Senhor que Se entregou. É um discurso de despedida que termina com a Oração Sacerdotal de Jesus. Antes de ser entregue, Ele Se oferece livremente, conscientemente, amorosamente, por nós e por nós reza ao Pai. Foi assim, entregue, oferecido, imolado, que Ele Se deu na Eucaristia e na cruz.

4. Salmos 6, 32/31, 38/37, 51/50, 102/101, 130/129 e 143/142
Após a Ceia, Jesus entrou numa profunda agonia no Horto das Oliveiras. Seria ótimo terminar o dia com estes sete salmos. São os salmos penitenciais da Igreja. Reze-os por você, pela Igreja e pelo mundo inteiro, pelos quais o Cristo sofreu e Se entregou à morte. Reze-os como se fosse o próprio Cristo rezando pela sua voz. É verdade que Ele não teve nenhum pecado, mas nunca esqueça: Ele assumiu os nossos: "Aquele que não cometeu pecado, Deus O fez pecado por nós, para que Nele nos tornemos justiça de Deus" (2Cor 5,21).


Sexta-feira da Paixão do Senhor

Neste santíssimo dia de jejum e abstinência de carne, devemos manter um respeitoso recolhimento, unindo-nos piedosamente Àquele que por nós Se entregou até a morte. Nada de atividades inúteis, nada de músicas profanas, nada de televisão dispersiva, nada de conversas inúteis! O que proponho aqui é realmente pesado, tornado leve e suave somente pelo desejo de estar com o Senhor, de a Ele unir-se neste dia sagrado, de Dele não se apartar nem ao menos por um instante!

(A) Antes da Celebração da Paixão

Pela manhã, preparando-se para participar à tarde da Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, reze o seguinte:

1. Is 42,1-9; 49,1-7; 50,4-10; 52,13 – 53,12
São os quatro cânticos do Servo Sofredor. Eles prenunciam a Paixão do Senhor e revelam os sentimentos do Seu Coração bendito. Esses cânticos devem ser rezados com o “coração na mão”, com toda unção e devoção!

2. Salmos 21/22), 31/30 e 69/68
Destes três salmos, dois (o 21 e o 31) foram citados por Jesus na cruz. Os três revelam os Seus sentimentos, Ele, que tomou sobre Si todos os nossos pecados! Estes salmos devem ser rezados como que emprestando nossa voz ao próprio Cristo, reproduzindo em nós os Seus sentimentos benditos!

(B) Após a Celebração da Paixão do Senhor:

3. Salmos 3, 5, 7, 10, 13/12, 17/16, 25/24, 27/26, 28/27/, 35/34, 38/37, 42/41, 43/42, 54/53, 55/54, 56/55, 5756, 59/58, 61/60, 63/64, 70/69, 71/70, 86/85, 88/87, 120/119, 140/139, 141/140, 142/141, 143/142
Após a celebração da Paixão, ainda na Sexta-feira, procure rezar todos estes salmos. São muitos, mas recorde que este é um dia de penitência e oração. Estes salmos devem ser rezados em união com o Cristo, que assumindo nossos pecados, tomou toda nossa dor, todo nosso medo, toda nossa infidelidade, toda nossa fraqueza. Repito: se você rezar todos estes salmos, terá a graça imensa de compreender por dentro os sentimentos do Cristo na Sua Paixão e Morte... e irá dormir em paz, como Ele: “Em paz Me deito e logo adormeço, porque só Tu, Senhor, Me fazes viver em segurança” (Sl 4,9).


Sábado Santo

Neste dia tremendo, a Igreja permanece em profundo silêncio, unida a Maria no dia mais difícil de sua vida: dia de solidão imensa, de vazio sem fim.... Hoje, a Virgem é chamada de "Nossa Senhora da Soledade", da solidão... 
Mas, este é também dia de esperança. Os mais generosos devem jejuar. Deve-se manter um respeitoso recolhimento; nada de atividades mundanas e dispersivas!
Hoje, é proibida a comunhão eucarística até mesmo aos doentes. Somente os doentes moribundos, às portas da morte, podem comungar.
A Igreja une-se a Cristo na Sua descida aos infernos: Ele entrou de verdade na situação de cadáver, de defunto, de nada, Ele desceu aos Infernos, ao Sheol, ao Hades, à situação de morte... Durante todo o dia, vá distribuindo os seguintes textos (alguns deles poderiam ser rezados na igreja, diante da Cruz que ontem fora apresentada na Solene Celebração da Paixão e deverá estar exposta na igreja pelo menos até o meio da tarde):

1. Todo o Livro das Lamentações
Neste livro o Profeta canta a miséria e a esperança de Jerusalém e a sua própria. É Cristo e a Igreja, quem cantam sua miséria e esperança, bem como a dor e a esperança da humanidade toda e de cada um de nós! Reze as Lamentações durante todo o dia, repartindo-as em cinco partes, de acordo com os capítulos.

2. Salmos 4, 16/15 e 139/138
Estes três salmos devem ser rezados no Sábado à tardinha ou no início da noite, mas antes da Santa Vigília Pascal. Os três já prenunciam a Ressurreição... É Cristo falando neles: “Em paz Me deito e logo adormeço, porque só Tu, Senhor, Me fazes viver em segurança” (Sl 4,9), “Bendigo ao Senhor que Me aconselha, e mesmo à noite, Meus rins Me instruem. Meu Coração exulta e Minha carne repousa em segurança.. Ensinar-Me-ás o caminho da Vida” (Sl 16/15, 79) e “Senhor, Tu conheces quando Me deito (na Morte) e Me levanto (na Ressurreição)... sobre Mim Tu pões a Tua mão!” (Sl 139/138,2.5).


Domingo de Páscoa

Neste Dia santíssimo – o mais sagrado de todos, prenúncio do Dia sem fim, do Dia final – pode-se retomar os salmos da Santa Vigília Pascal!
Durante o dia todo, vá saboreando os textos que narram as aparições do Ressuscitado. Não tente compará-los nem fazer uma sequência histórica dos fatos. É impossível!
Aqui, cada texto tem sua mensagem, sua característica própria, sua vibração, seu encanto...
São textos para serem curtidos com pura emoção e gratidão, com pura louvação ao Deus fiel, que ressuscitou o seu Filho dentre os mortos, como primícias da ressurreição nossa e do mundo! Leia-os na ordem que eu coloquei:

Mt 28,1-20
Depois reze o Salmo Pascal por excelência: 118/117: "Este é o Dia que o Senhor fez para nós!"

Lc 24,1-53
Depois reze o Sl 30/29

Mc 16,1-20
Depois reze o Sl 96/95

Jo 20,1 – 21,25
Depois reze o Sl 98/97

Conclua tudo unindo-se à Igreja do Céu, que rejubila e rejubilar-se-á para sempre com estes hinos de louvor e pascal exultação:
Ap 4,11;  5,9-10.12.13;  6,10.12;  11,15.17-18;  12,10-12;  19,6-8...

E, se ainda tiver forças, leia Ap 21,1 - 22,5

E, desde já, uma feliz e santa Páscoa do Senhor!


Retiro Quaresmal 2020/37 - "Felizes os que se abrigam no Senhor!" (Sl 2,12)

Quarta-feira Santa
Meditação XXXVI: O Discípulo obediente e forte

Reze o Salmo 119/105-112
Agora, medite e reze Is 50,4-11, tendo diante dos olhos Jesus Cristo, o Senhor.

1. Este é o terceiro dos quatro cânticos do Servo Sofredor...  É o Servo Quem fala... Logo no início, no v. 4, uma afirmação surpreendente! O Servo afirma que o Senhor Lhe deu uma “língua de discípulo”. Discípulo é o que aprende, o que escuta, todo aberto ao que o mestre fala. O surpreendente aqui é que não diz que o Senhor deu um ouvido ou um coração de discípulo, mas uma língua! Em outras palavras: tudo quanto o Servo diz é porque assim ouviu do Senhor, do Santo de Israel! Como não pensar no nosso Salvador, que tantas vezes insistiu: “Minha doutrina não é Minha: Eu digo como o Pai Me ordenou! Meu alimento é fazer a vontade do Pai!” (cf. Jo 7,17; 12,49s) Assim, o Servo; assim Jesus nosso Senhor: totalmente aberto, totalmente disponível, totalmente pobre ante a vontade santíssima do Pai! Pense nisto... Pergunte ao seu próprio coração: você tem tido ouvidos abertos à vontade do Senhor Deus? Procura converter-se a vontade do Senhor ou, ao invés, com desculpas esfarrapadas, faz sempre a sua própria vontade? Leia Hb 10,5-7.

2. Jesus, nosso Senhor, nunca tomou ares de astro, de “pop star”! Não: tudo Nele remetia ao Pai. Era o Pai que importava, era a vontade do Pai, a glória do Pai, o interesse do Pai, o Reino do Pai que realmente contavam! E esta atitude do nosso Salvador foi a atitude fundamental de toda a Sua existência na nossa carne: “De manhã em manhã Ele Me desperta, sim, desperta o Meu ouvido para que Eu ouça como os discípulos!” (v. 4) O Senhor Jesus foi grande, foi livre precisamente porque nunca procurou Sua própria glória, Sua própria vontade, Seu próprio interesse, mas somente a vontade do Pai: “Eu vim, ó Deus, para fazer a Tua vontade!” Por isso mesmo, Ele teve que aprender a obedecer, conforme diz a própria Escritura (cf. Hb 5,8). E isto custou; foi um duro aprendizado, com as dolorosas circunstâncias da vida: a cada manhã, a cada nova ocasião, o Pai Lhe foi abrindo os ouvidos! Que mistério, este da obediência amorosa do Filho, do ajustamento contínuo da Sua vontade humana à vontade do Pai! Obediência por amor, obediência no amor, obediência que levou ao derramamento do próprio sangue! Por isso mesmo, pela Sua santíssima obediência, Seu ministério foi fecundo e tornou-se consolo, salvação e libertação para nós e para o mundo inteiro: “para que Eu soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto” (v. 4). Eis: foi para a nossa salvação, para nosso conforto no Coração do Santo de Israel que o Filho Se submeteu!
Adoremos este mistério! Imitemos o que adoramos! Recebamos a graça do que imitamos no concreto da nossa vida! Unido a Jesus nosso Senhor, reze o Salmo 40/39.

3. Agora, os tremendos vv. 5s... É caro, sempre foi, o preço da fidelidade, da obediência ao Senhor! Porque o Servo foi fiel, porque não recuou diante da missão que o Santo Lhe dera, teve como recompensa a rejeição, os flagelos, a abjeção e a ignomínia, a incompreensão e a solidão moral! Como não pensar em Jesus, o Servo Sofredor, inocente, manso e fiel ao Pai? Ainda hoje, todo aquele que Lhe quiser ser fiel, tem um preço a pagar, às vezes dentro da Sua própria Igreja (cf. Mt 10,34-36)! O preço que se paga pode ser a incompreensão, a solidão moral e afetiva, o velado desprezo dos demais, a crítica e a zombaria sob a capa de piedade e zelo pastoral... E tudo isto por parte dos próprios irmãos na fé... Leia e reze, pensando em Jesus nosso Senhor, rejeitado pelo Seu Povo, pensando nos que sofrem pela fidelidade ao Senhor e ao Seu Evangelho, Jr 15,10-11.15-18: aí, o Profeta aparece em crise, querendo mesmo deixar sua missão... Deus o responde repreendendo-o e exortando-o a deixar de lado o que é vil, o que é menos importante, indo adiante no essencial da sua missão... Leia Jr 15,19-21!

4. Leia agora os vv. 7-9... Impressionante, surpreendente! O Servo, mesmo sofrido, homem de dores, maltratado, flagelado, tem uma atitude triunfal! Loucura? Insanidade? Falta de realismo? Alienação maluca, provocada por alucinação e idiotice religiosa? Não! Capacidade de ver e avaliar com os olhos da fé, na perspectiva de Deus! Força, segurança, certeza fundada Naquele que é o Deus fiel, o Santo de Israel! “O Senhor virá em Meu socorro! O Senhor defenderá a Minha causa! Ainda que todos Me condenem, se o Senhor Me absolver, se Ele estiver ao Meu lado, por que temer? Por que vacilar? Por que duvidar do caminho que escolhi e para o qual fui escolhido?” Observe, no Servo, a profunda convicção do triunfo e da permanência em Deus por parte daquele que a Ele se confia e, por outro lado, a ilusão, a fugacidade, daqueles que se voltam contra o Senhor e Seu Servo. Pense no contraste entre a Sexta-feira e o Sábado Santo, por um lado, e o Domingo da Ressurreição, por outro! – Senhor, os que Te esperam não perecem, não se apagam na sua existência, mas brilham como o sol ao amanhecer! “Eu tranquilo vou deitar-Me e na paz logo adormeço, pois só Vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida!” (Sl 4). Você tem realmente confiado no Senhor?

5. Agora, leia os vv. 10s. O cântico termina com uma exortação que é também um desafio: Quem crê realmente no Deus de Israel? Quem é discípulo desse Servo feito trapo humano, homem de dores? Pois bem: que mesmo nas trevas da vida, o discípulo do Servo coloque, como o Mestre, a sua confiança no Senhor, Nele tome arrimo, Nele alicerce a sua vida! Que consolo, que exortação impressionante: venha o que vier na vida, estejamos na treva mais densa, se fixarmos os olhos nesse Servo bendito, se unirmos nosso coração ao Dele, não perderemos o rumo, não seremos tragados pelas ondas da morte e chegaremos nos braços do Deus Santo, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Mas, quanto aos que, de modo autossuficiente, fazem pouco do Santo de Israel e do Seu Servo, serão consumidos como palha inútil no próprio fogo de sua descrença e rebeldia de uma vida sem sentido, sem consistência e sem rumo. Pense nisto, meu Irmão! Pense nisto! Tome arrimo no Senhor, siga o Servo, Jesus nosso Senhor, e nada o derrubará, nada irá tirar o sentido da sua existência e o prumo da sua vida!

6. Louvando e bendizendo o Senhor que é fiel, reze, contemplando, Is 51,12-16...



terça-feira, 7 de abril de 2020

Retiro Quaresmal 2020/36 - "Felizes os que se abrigam no Senhor!" (Sl 2,12)

Terça-feira Santa
Meditação XXXV: O Senhor Me chamou; fez-Me luz das nações

Reze o Salmo 119/118,97-104
Agora, medite e reze, pensando em Jesus Nosso Senhor, em Is 49,1-9.

1. Este é o segundo cântico do Servo Sofredor. Se no primeiro, o Deus de Israel apresentava o Seu Servo, agora, neste, é o próprio Servo Quem toma a palavra. Já vimos: o Servo é o Messias, e Ele personifica em Si, concentra em Si, recapitula em Si todo o Israel do Antigo Testamento. Veja Os 11,1: “Quando Israel era um menino, Eu o amei e do Egito chamei Meu filho” ; compare com Mt 2,13-15, que fala de Jesus nosso Senhor: “Ali ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que dissera o Senhor por meio do profeta: ‘Do Egito chamei o Meu Filho!’” Vê? Em Jesus, Israel é cumprido, é realizado! É assim: em Jesus nosso Senhor todo Israel é assumido e salvo; e não somente Israel, mas também toda a humanidade, já que Ele é também o Novo Adão, o Homem Novo (cf. 1Cor 15,20-22), imolado e ressuscitado, plenificado em Sua santa humanidade, Ele é o Adão celeste, o Homem que vem do Céu e enche de Espírito de Glória eterna todo aquele que Nele crê e Nele é batizado (cf. 1Cor 15,45-49)! Tudo quanto o Senhor nosso viveu, fê-lo por Israel e por toda a humanidade. Ele é o Salvador de todos, o Redentor do mundo!

2. Agora, neste segundo cântico, o Servo dirige-Se a todos os povos da terra; Ele não veio somente para Israel; sua missão é universal! Veja os vv. 1.6! “Ilhas!”, nas Escrituras, significa muitas vezes as nações mais distantes, os lugares mais recônditos da terá. Observe bem o v. 6. Compare com Lc 2,29-32! Jesus é o Servo! Nos vv. 1b e 5, Ele Se apresenta como Aquele que foi chamado pelo Senhor desde o seio materno. Nos evangelhos, Jesus nosso Senhor apresenta-Se muitas vezes como o Enviado do Pai e refere-Se ao Pai como “Aquele que Me enviou” (cf. Mc 9,37; Mt 10,40, Jo 16,5.27s). O que impressiona muito, nestes cânticos, é o alcance da missão do Servo: é universal; atinge as ilhas e os povos distantes! O Senhor Deus de Israel tem, agora, uma palavra para toda a humanidade, uma palavra de salvação, de perdão dos pecados, de Vida divina! Isto é impressionante e mostra o quanto o cristianismo finca suas raízes no Antigo Testamento! Reze o Sl 47/46.

3. Veja como no v. 2 o Servo, tão manso e humilde no primeiro cântico, é também forte, é uma verdadeira arma do Senhor Deus, arma de salvação: Ele é uma espada cortante, uma seta afiada escondida na aljava do Senhor Deus! Mas, toda esta força não está isenta de sofrimentos, lutas e tentação de desânimo. A vocação do Servo é vivida numa luta constante, renovando sempre a confiança em Deus! Leia os impressionantes vv. 3-5. No v. 3, o Servo recorda a Sua vocação: o Senhor Deus, que O escolhera pelo nome desde o seio materno e fizera Dele uma arma potente, agora, confirma a Sua vocação: “Tu és o Meu Servo, em Quem serei glorificado!” Toda vocação, toda vida de um verdadeiro servo do Senhor é para a glória de Deus! Leia Rm 14,7-8. No v. 4, o Servo abre o Seu Coração ao Deus vivo: derrama diante do Senhor a Sua luta, o Seu cansaço, a tremenda sensação de estar trabalhando em vão, gastando sonhos, energias e forças para nada! No entanto, observe como este Servo bendito, para além de todo sentimento e sensação, continua a colocar a confiança no Senhor, sabendo que pode contar com a Sua proteção e Sua recompensa! No v. 5, o Senhor Deus confirma a vocação do Servo em toda a sua extensão: para além de Israel, Ele levará a salvação de Deus até os confins da terra! Reze o Sl 98/97.
Tomando tudo isto em consideração, pense bem e reze: o Servo foi fiel, o Servo combateu o combate do Senhor... A Igreja, no tempo da Quaresma, repete sempre: “Cristo por nós foi tentado, sofreu e na Cruz morreu...” A Liturgia repete também, muitas vezes, as palavras de Fl 2,8: “Cristo por nós Se fez obediente até a morte e morte de Cruz”... E eu? E você? Escute: “Não te envergonhes de dar testemunho de nosso Senhor! Participa do meu sofrimento pelo Evangelho, confiando no poder de Deus! Assume a tua parte de sofrimento como bom soldado de Cristo!” (2Tm 1,8; 2,3)... Aprendamos com o Senhor Jesus a colocar nas mãos do Pai as nossas lutas, os nossos momentos de desânimo e de medo! O Filho eterno do Pai sofreu tudo isto! Quando confiamos no Senhor e Nele nos abandonamos, retomamos a força com vigor renovado e cumprimos a missão que o Senhor nos confia. Leia Is 40,40,28-31 e Hb 5,7-10! Quão alto foi o preço da nossa salvação!

4. Já aqui, neste segundo cântico, aparece o quanto o Servo irá sofrer e ser desprezado (cf. vv. 4.7) e, depois, precisamente pela Sua fidelidade ao Senhor Deus, mesmo na dor e na provação, será exaltado, salvando Israel e toda a humanidade (cf. vv. 6-9)... Não existe caminho fácil na obra de Deus! Como dizem os Atos dos Apóstolos, “é preciso passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus” (At 14,22). A grande novidade nestes cânticos é que começa a surgir a ideia de um sofrimento e de uma provação que se tornam bênção, luz e salvação para uma multidão! Esta é uma ideia nova nas Escrituras de Israel e chegou ao máximo no quarto cântico do Servo, como veremos adiante!

5. Que dizer mais? Releia o cântico todo, pensando em Jesus: “Assim, meus santos irmãos e companheiros de vocação celestial, considerai atentamente a Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé!” (Hb 3,1).Compare estes vv. 6-9 com Lc 4,18s. Agora leia Is 49,8-12: aí está toda a bênção, toda a graça, toda a Vida trazidas pelo Servo, graças à Sua fidelidade, ao Seu sofrimento até a morte!
Agora louve e bendiga a Deus pelo Seu Servo, com Israel e com as Escrituras. Reze Is 49,13-26! Atenção: aqui é o Antigo Israel e a Igreja, Novo Israel, que cantam e cantarão sempre o fruto da obra de salvação pelo sofrimento do Servo fiel! Este cântico durará para sempre, até o Dia de Cristo, na Glória! Cante você também!


domingo, 5 de abril de 2020

Retiro Quaresmal 2020/35 - "Felizes os que se abrigam no Senhor!" (Sl 2,12)

Segunda-feira Santa
Meditação XXXIV: Eis o Meu Servo!

Reze o Salmo 119/118,89-96
Vamos, agora, ler, meditar e contemplar Is 42,1-9. Leia este texto sagrado com os olhos fixos em Jesus nosso Senhor e o coração unido ao Dele!

1. Este é o primeiro dos quatro cânticos do Servo Sofredor, o misterioso personagem apresentado na segunda parte da profecia de Isaías... Quem é ele? Do que se trata nestes misteriosos poemas?
Às vezes, parece que é o Servo é todo o Povo de Israel: “Tu és o Meu Servo, Israel, em quem Me gloriarei” (Is 49,3);outras vezes, aparece claro que é Alguém que, em nome de todo o Israel, personificando e representando todo o Povo eleito, sofrerá, tomando sobre Si os pecados do Povo santo e até mesmo de toda a humanidade: “Eu Te constituí como Aliança do Povo, como luz das nações” (Is 42,6b).
Então, o Servo é Israel, mas o Israel que é assumido e levado à perfeição por Alguém que representa todo o Povo sacerdotal do Antigo Testamento e que tomará sobre Si a sorte de Israel e realizará a expiação pelo pecado do Povo da Aliança e de toda a humanidade. Nele, no Servo, Israel alcançará o máximo do seu ser “um Reino de sacerdotes, uma Nação santa” (Ex 19,6). Em última palavra, esse Servo é Jesus nosso Senhor, personificação máxima e perfeita do Israel da Antiga Aliança! Várias vezes o Novo Testamento interpretou assim. Basta, como exemplo, ler Mt 12,15-21... Lendo e meditando esses cânticos impressionantes vemos de que modo o Pai determinou que o Senhor Jesus cumprisse a Sua missão e, verdadeiramente admirados, constatamos o quanto o Filho foi realmente o Servo, obediente ao desígnio misterioso do Pai... Não foi por acaso que o nosso Salvador bendito resumiu toda a Sua missão como um serviço. Atenção, que não se trata de modo algum de um serviço qualquer, mas do serviço do Servo: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar Sua vida como resgaste por muitos” (Mt 20,28). Este é o admirável resumo dos quatro poemas do Servo Sofredor e de toda a existência humana do nosso Salvador Jesus Cristo!
Contemplemos, pois, e aprendamos com Jesus, o Servo, nosso Salvador bendito e santo!

2. Neste primeiro cântico, é o Pai, o Deus de Israel, Quem fala, apresentando-nos o Seu Servo. Leia com atenção o v. 1. O Servo é o Escolhido de Deus, o Amado, o Preferido, o Eleito. Ele é o Ungido com o Espírito: “Pus sobre Ele o Meu Espírito!” (v. 1). Lembre que “ungido”, em hebraico, se diz “messias”!
Pense: Este início deste Primeiro Cântico do Servo recorda-lhe algum texto dos evangelhos? Agora leia Mt 3,16s. Veja o paralelismo impressionante:
=> “Eis o Meu Servo que Eu sustento // Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo!”
=> “Pus sobre Ele o Meu Espírito” // ... e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre Ele”...
A mensagem é clara: o Pai revela que Jesus é o Filho amado, mas esse Filho, no Qual Ele derramou toda a Sua complacência, isto é o Seu Amor (cf. Mt 3,17), agora, uma vez ungido, cheio do Santo Espírito para a missão pública, deverá cumprir essa missão como Servo sofredor! Ele é o Filho-Servo! Aqui, temos uma surpresa total! Jamais Israel imaginara que o Messias fosse Filho de Deus no sentido estrito e forte (cf. Jo 10,31-33); e muito menos ainda pensara que o Messias fosse o Servo Sofredor! Israel sempre imaginara num Messias misterioso e glorioso (cf. Jo 7,27). Eis o caminho do Senhor Jesus, que vai levá-Lo à Paixão, à Cruz, à Morte! Isto custou tanto ao Senhor! Mas, por nós, Ele obedeceu ao Pai, por nós rejeitou um caminho de facilidades e de glória mundana, por nós, venceu a tentação diabólica de seguir uma lógica segundo o mundo (cf. Mt 4,1-11)! Como os caminhos do Senhor Deus são misteriosos! Reze o Salmo 139/138...

3. Leia os vv. 2-3. O Servo deverá cumprir Sua missão em mansidão, em humildade, procurando salvar o que está perdido, sem quebrar a cana já rachada ou apagar a mecha que ainda fumega... Isto significa que o Senhor Jesus Cristo escolheu o caminho da mansidão: não impôs, mas propôs, não demonstrou poder para amedrontar, mas potência de amor para salvar, não se impôs pelo temor, mas desejou conquistar pelo amor! Mesmo quando advertiu severamente e ameaçou, fê-lo sem impor, fê-lo como um grito de amor apaixonado, que deseja salvar quem está perdido! Agora, leia Mt 11,28-30. Peça um coração como o Coração de Jesus! “Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus!” (Fl 2,5) – Que programa de vida cristã! Que bênção tão grande seguir este conselho, esta exortação! Leia e reze 1Pd 2,21-25.
Pense um pouco: É cristão anunciar o Evangelho, mas não é cristão querer impor a própria fé! É cristão advertir sobre a gravidade do pecado, mas não é cristão julgar as pessoas e condená-la. É cristão falar da possibilidade do inferno, mas não é cristão dizer que as pessoas estão lá. É cristão proclamar que Cristo é a Verdade e somente Nele há salvação, mas não é cristão desrespeitar a consciência e a religião dos demais. Examine-se nestes pontos, pensando no Cristo manso e humilde!

4. Leia os vv. 1b.2-4.6s. O Servo vem para salvar, para libertar Israel e a humanidade de todas as suas misérias! A libertação que Ele trará não é simplesmente de cunho político, social, material... É muito mais radical e profunda: Ele vem libertar o homem de seu próprio fechamento em si mesmo, da sua situação de alienação em relação a Deus, da sua autossuficiência, que faz perder a Deus e faz da própria vida e da vida dos demais um inferno! Quando o homem acolhe o Servo como Messias Salvador e se deixa reconciliar com o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, tudo muda na sua vida pessoal e social! Como “todos pecaram e estão privados da Glória de Deus” (Rm 3,23), o Servo veio para todos, para salvar a todos, israelitas e gentios. Ora, uma missão assim, não é fácil, porque não se trata de impor, mas de propor, não se trata simplesmente de manipular, mas de convencer, não se trata de conquistar massas, mas de encontrar e convencer pessoas, conquistando corações, estabelecendo o direito de Deus, na terra. Onde encontrar força para não desanimar? Somente no Senhor, na certeza da Sua fidelidade! Ele, o Deus que tudo criou, que tudo sustenta, Ele que concede o sopro de vida a toda criatura, sustentará fielmente o Seu Servo. Leia os vv. 5-7. Leia agora Lc 2,29-32; 4,16-21.

5. Um outro aspecto importante: a missão do Servo é para a manifestação da glória do Senhor Deus, para a realização do Seu plano de salvar a todos, a todas as nações, a toda a humanidade e a toda a criação! Em Cristo Jesus aparece, de modo surpreendente, a glória de Deus: uma glória feita de amor que salva, de cuidado que procura o ser humano e toda a criação. Leia os vv. 5.8. Nunca esqueça: Cristo veio ao mundo, Cristo viveu entre nós, Cristo sofreu e padeceu até a morte por nossa salvação, pela salvação sua, minha e do mundo inteiro! Tudo isto, dentro de um misterioso desígnio do Senhor Deus. Leia o v. 9. O que significam estas palavras? Indicam que o plano de Deus é constante, firme, coerente e dinâmico: vai de etapa em etapa, do mais escondido para o mais claro, das imagens para a realidade, das profecias para a realização, mas sempre dentro de uma lógica sábia, bendita, coerente, santa, fiel: o Senhor promete, anuncia e cumpre! E tudo com um só propósito: a salvação de Israel, da humanidade, da criação para a glória de Deus, do Pai, através do Filho-Servo, no Espírito! Leia 1Cor 10,1-4.11; Gl 3,23-26.

6. Como responder a um amor tão grande, a um desígnio tão impressionante? Como Israel respondeu: com o cântico de admiração e júbilo de Is 42,10-17! Louve o Senhor! Ele é bom! Ele é grande! Ele é Santo!


sábado, 4 de abril de 2020

Homilia para o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor - ano a

Para a Procissão de Ramos:

Mt 21,1-11

“Dizei à filha de Sião: ‘Eis que o teu Rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta!” – Assim, caríssimos irmãos, o nosso Jesus entra hoje em Jerusalém para sofrer Sua paixão e fazer Sua Páscoa deste mundo para o Pai.

Jerusalém é a cidade do Messias; aí deveria manifestar-se o Reino de Deus.
O Senhor Jesus, ao entrar nesta Cidade santa de modo solene, realiza a esperança de Israel. Por isso o povo grita: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em Nome do Senhor! Hosana no mais alto dos Céus!” Hoje, com nossos ramos levados em procissão, fazemos solene memória deste acontecimento e proclamamos com nossos cânticos que Jesus é o Messias prometido! Também nós cantaremos daqui a pouco: Hosana ao Filho de Davi!

Mas, atenção! Este Messias não vem como rei potente, num majestoso cavalo de guerra, símbolo de força e poder! Ele vem num burrico, usado pelos servos nos seus duros trabalhos; Ele vem como manso e humilde servo! Eis o escândalo que Israel não suporta! Esperava-se um Messias que fosse rei potente e Deus envia um servo humilde e frágil! Que lógica, a de Deus! E, misteriosamente, Israel não consegue compreendê-la e terminou por refutar Jesus!
Mas, e nós, compreendemos de verdade esta lógica?
Hoje, seguir o Cristo em procissão é estar dispostos a aceitá-Lo como Messias que tem como trono a Cruz e como coroa os espinhos! Segui-Lo pela rua é comprometer-se a segui-Lo pela vida! Caso contrário, nossa liturgia não passará de um teatro vazio...

Vamos com Jesus, o Filho de Davi! Aclamemos Jesus, o Senhor! E quando na vida, a cruz vier, a dor vier, os espinhos vierem, tomemos nas mãos os ramos que levaremos hoje para nossas casas e recordemos que nos comprometemos a seguir o Cristo até a morte e morte de Cruz, para chegarmos à Páscoa da Ressurreição!


Para a Missa da Paixão:

Is 50,4-7
Sl 21
Fl 2,6-11
Mt 26,14 – 27,66

O mistério que hoje estamos celebrando – a Paixão e Morte do Senhor – e vamos celebrar de modo mais pausado e contemplativo nesses dias da Grande Semana, foi resumido de modo admirável na segunda leitura desta Eucaristia: o Filho, sendo Deus, tomou a forma de servo e fez-Se obediente ao Pai por nós até a morte de Cruz. E o Pai O exaltou e deu-Lhe um Nome acima de todo nome, para nossa salvação! Eis o mistério! Eis a salvação que nos foi dada!

Mas isto custou ao Senhor! É sempre assim: os ideais são lindos; colocá-los na vida, na carne de nossa existência, requer renúncia, lágrimas, sangue!
O Filho, para nos salvar, teve que aprender como um discípulo, teve que oferecer as costas aos verdugos e o rosto às bofetadas! Que ideal tão alto; que caminho tão baixo! Que ideal tão sublime, que meios tão trágicos!

Foi assim com o nosso Jesus; é assim conosco! É na dor da carne da vida que o Senhor nos convida a participar da Sua Cruz e caminhar com Ele para a Ressurreição. Infelizmente, nós, que aqui nos sentamos à Mesa com Ele, tantas vezes deixamo-Lo de lado: “Quem vai Me trair é aquele que Comigo põe a mão no prato!” – Eis! É para nós esta palavra! Comemos o Seu Pão ao redor deste Altar sagrado e, no entanto, o abandonamos nas horas de cruz: “Esta noite vós ficareis decepcionados por Minha causa!” – Que pena! Queríamos um Messias fácil, um Messias que nos protegesse contra as intempéries da vida, que fosse bonzinho para o mundo atual. Como seria bom um Messias que de acordo com o aborto, com a destruição da família, com a ideologia de gênero, com a permissividade sexual, com a libertinagem reinante, com o homem no lugar de Deus, colocado como medida de todas as coisas... Mas, não! Este Messias prefere morrer a matar, este Messias exige que O sigamos radicalmente, este Messias nos convida a receber a mesma rejeição que Ele recebe do mundo: “Minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai Comigo!”

Irmãos, que vos preparais para celebrar estes dias sagrados, não vos acovardeis, não renegueis o nosso Senhor, não O deixeis padecer sozinho, crucificado por um mundo cada vez mais infiel e ateu, um mundo que denigre o Nome de Cristo e de Sua Igreja católica!
Cuidado, irmãos! Não é fácil, não será fácil a luta: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca!” Que nos sustente a força Daquele que por nós Se fez fraco! Que nos socorra a divina intercessão Daquele que orou por Pedro para que sua fé não desfalecesse! E se, como Pedro cairmos, ao menos, como Pedro, arrependamo-nos e choremos!

Nós Vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos porque pela Vossa santa Cruz remistes o mundo!


Retiro Quaresmal 2020/34 - "Felizes os que se abrigam no Senhor!" (Sl 2,12)

Sábado da V semana da Quaresma
Meditação XXXIII: Bendito o Senhor pelos séculos eternos!

Reze o Salmo 119/118,81-88
Leia e reze ainda uma vez, para concluirmos, Tb 14.

1. Com este capítulo, chegamos ao fim do Livro de Tobias. Nestes versículos aparece como transcorre a vida e a morte do justo, segundo o Antigo Testamento na sua mentalidade mais antiga. Aquele que é amigo de Deus tem vida longa, fartura de bens e descendência duradoura neste mundo. O texto de Tobias reflete um período quando ainda não havia a esperança na ressurreição. Esta certeza somente apareceria mais tarde, tendo seus primeiros lampejos no período imediatamente anterior ao Exílio de Babilônia (cf. Sl 16/15,10s; 49/48,16; Jó 19,25-27; Ez 37,10; 73/72,23-26) e desenvolvendo-se bem no tempo da dominação grega. Aparecem os primeiros textos sobre a ressurreição nos livros de Daniel, dos Macabeus e da Sabedoria. Vale a pena ler 2Mc 7,9; 12,43-45; Dn 12,2s; Sb 3,1-9. É que a revelação de Deus ao Seu Povo foi progressiva: como um pai educa o seu Filho, o Senhor Deus foi educando Israel e conduzindo-o ao Cristo (cf. Sl 103/102; Dt 8,5).
Observe os elementos da morte do justo, isto é, do amigo de Deus: morre em paz e na paz vive; morre na abundância de bens e de muitos anos; pratica a esmola, morre cercado de estima, honrado pelos conhecidos, sempre bendizendo o Senhor e proclamando Sua grandeza (cf. vv. 1s.14). Note como este Livro santo insistiu sobre a prática da oração, do jejum, da esmola, da caridade para com os mortos, do respeito e veneração para com os pais, da constante oração de bênção e louvor a Deus. É sempre válida a constatação neste final de escrito: a iniquidade conduz à morte! (cf. v.11) Nunca devemos esquecer isto! E lembre-se: a pior morte é a morte da alma, aquela que o Apocalipse chama de “segunda morte” (20,14s).

2. Leia os vv. 1-7. Volta aqui uma ideia maravilhosa e profunda, presente em todas as Escrituras Santas: o Senhor tem nas mãos a história e o destino dos povos! Mesmo no meio de toda escuridão, de todas as crises, de todas as lágrimas, o Senhor tudo guia, tudo orienta, tudo dirige e, no Seu amor infinito, conduz tudo à salvação de um modo misterioso e no tempo oportuno: “Tudo sucederá a seu tempo!” (v. 4). Pense nisto! Quanto de esperança, de serenidade, de força para caminhar esta certeza nos dá! (cf. vv. 4-5b) A Assíria, tão poderosa, a seu tempo cairia, os grandes do mundo, no tempo que o Eterno assinalou, tornar-se-iam pó: Assíria, Babilônia, Pérsia, gregos, Romanos... É assim! Permanecem o Senhor e o Seus desígnios! Reze o Sl 33/32. Repita, com fé e confiança no Senhor da história, as santas palavras de Tobit: “Sei e creio que se cumprirá tudo o que Deus disse; acontecerá, e não há de falhar nem uma palavra!” (v. 4) Reze os salmos 46/45 e 33/32.

3. Também aparece com força a firme esperança na restauração final do Povo de Deus. Leia os vv. 4-5. Depois da provação, que será ainda maior e mais devastadora, destruindo Jerusalém e o Templo santo de Deus (cf. 2Rs 25,1-21), Israel será reunido novamente e voltará à terra que Deus lhe dera! Todos os profetas anunciaram isto: depois dos castigos de Deus, depois de todas as lágrimas e exílios, o Povo de Deus seria restaurado! Só um exemplo: leia Jr 31,35-40: apesar de todo pecado e de todo castigo, o Eterno nunca deixará Israel, jamais irá abandonar o seu Povo. Mas, nos últimos tempos, estabelecerá no Messias, “uma Aliança nova” (cf. Jr 31,31-34). Esta fidelidade do Senhor Deus ao Seu Povo alcançará sua plenitude na Nova Aliança com o novo e definitivo Israel, que é a Igreja, o Povo nascido do sangue do Cristo, sangue de uma nova e eterna Aliança (cf. Mt 26,27s; Mc 14,24; Lc 22,20). Mas, também para o Israel segundo a carne, a fidelidade amorosa do Senhor não se esgotou. Depois do feio e gravíssimo tropeço por rejeitar o Messias de Deus, no final dos tempos, Israel haverá de contemplar o seu Messias esperado e amado, constatando, pasmo e admirado, que ele é Jesus, nosso Senhor! Leia com atenção Rm 9 – 11. Nunca esqueça: tanto o antigo Israel quanto o novo, que é a Igreja, espera o Messias. Nós já sabemos quem é Ele; Israel não o sabe! Mas, no final de tudo, com a graça de Deus nosso Senhor, o antigo e o novo Povo cantarão juntos o louvor e adoração do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

4. Um traço surpreendente do Livro de Tobias é o seu universalismo, isto é, a convicção de que o amor e a salvação do Senhor Deus, a Sua bênção fecunda, são para todos os povos da terra e os povos haverão de converter-se ao Deus de Israel. Já vimos, na meditação passada, que isto foi anunciado por vários profetas, sobretudo por Isaías. Veja como termina o Escrito de Isaías: 66,18-23. Pois vem, Tb 14,6s alude à conversão de todos os povos ao Deus de Israel. Tal conversão dar-se-á em Cristo nosso Senhor! Nele, todos os povos da terra, cada ser humano, terá a possibilidade de conhecer o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó e o Seu Cristo, que nos faz um novo Povo para o Senhor. Leia Ef 3,1-6. Aí, o Apóstolo fala do Mistério escondido no antigo Testamento e revelado plenamente com a Ressurreição do Senhor e o envio do Espírito Santo: todos os povos são chamados à salvação. Observe como o cristianismo realmente nasce de dentro do judaísmo! A Nova Aliança não é um acréscimo externo à Antiga, mas o seu cumprimento, a sua realização, a sua plenitude! Por isso, Jesus dizia que Nele toda a Lei se cumpre (cf. Mt 5,17s) e São Paulo afirmava que o nosso Cristo é o “Sim”, o “Amém” de Deus (cf. 2Cor 1,20): tudo quanto o Eterno prometera se cumpre abundantemente no Seu Filho Jesus Cristo, Messias e Salvador do mundo inteiro! Reze o Sl 117/116.

5. Um outro aspecto para a nossa meditação e edificação, é o belo exemplo de piedade filial de Tobias: como cuidou dos seus pais e sogros, como foi-lhes amparo até o fim da sua existência, amparando-os na velhice e sepultando-os com veneração (vv. 11-13). Leia Eclo 3,1-16/2-18. Veja também Ef 6,1-3. É necessário aqui um exame de consciência de como tratamos nossos idosos: o cuidado, a atenção, o respeito, a veneração, o tempo dado a eles, a atenção ao que falam e aos conselhos e exemplos que podem nos dar. Nas culturas antigas, o ancião era o sábio da comunidade, era a memória vida do povo, era o guardião da história e da identidade de uma comunidade. Nos anciãos os mais jovens encontravam a experiência e a inspiração para caminharem adiante, construindo um futuro com segurança. Com a escrita, com os livros, com a comunicação digital, com a exaltação da juventude, da saúde, da curtição da vida, do bem-estar, a velhice tornou-se um mal do qual se deve fugir e no qual não se deve pensar – basta pensar na tolice de disfarçar a velhice, chamando-a de “melhor idade”. É uma coisa boba, ridícula! A velhice é bela quando é vivida com sabedoria, com a capacidade de tirar proveito das alegrias e tristezas dessa fase da vida. Alegrias como a satisfação do dever cumprido, de ver os frutos da vida que se viveu, do tempo para rezar, para conviver, para estar com os mais jovens; tristezas como as limitações, os achaques, as enfermidades, a debilidade. Tudo isto deve ser vivido diante de Deus, na ação de graças e como preparação feliz e serena para o momento do encontro com o Senhor. Portanto, é necessário que os cristãos perguntem como tratam os seus idosos! Cuidado para não deixá-los deslocados, sem ter o que conversar, cuidado para não deixá-los solitários, cuidado para não deixá-los sem atividades, cuidado para não deixá-los sem assistência religiosa! Lembre: “Honra a teu pai e tua a mãe – é o primeiro mandamento com promessa – para seres feliz e teres longa vida sobre a terra” (Ef 6,2s). Reze o Sl 71/70.

6. Ainda um último tema relevante: o juízo de Deus! Nos vv. 4-7, aparece claramente a diferença de destinos para os que são fieis ao Senhor e para os que não o são. Em nenhum lugar das Escrituras Santas aparece que todos serão salvos! A salvação é para todos (cf. 1Tm 2,4), o amor de Deus envolve a todos (cf. Mt 5,45), o convite à salvação é para todos (Cf. Mc 13,37), mas o Senhor manso e humilde de Coração (cf. Mt 11,28-30) sentar-Se-á no trono para julgar e separar bons e maus, dizendo “vinde!” aos bons e “apartai-vos de Mim” aos perversos (cf. Mt 25,34.41) Nunca esqueçamos disto! Levemos muito a sério a nossa vida: ela é semente de Eternidade!
Terminando este Livrinho precioso, faça um exame de consciência sobre este ponto específico e tão abrangente: como você está construindo sua vida? Como um “sim” ou como um “não” ao Senhor Deus? Reze o Sl 1. Agora, agradecendo ao Senhor por tudo quanto meditamos aqui e pedindo-Lhe a graça de colocar em prática o que Ele inspirou ao seu coração, reze o Sl 138/137. E termine louvando e agradecendo a Deus com o Sl 150! Que, como Tobit, Tobias e todos os personagens deste Livro, você possa, nesta vida, e depois, bendizer o Senhor Deus pelos séculos dos séculos. Amém (cf. Tb 14,15).