terça-feira, 14 de agosto de 2018

A propósito de Ez 1,2-28

Nesta última segunda-feira, XIX do Tempo Comum, começamos, na Missa, a escutar trechos do Profeta Ezequiel.

Ele encontrava-se em Babilônia, no Exílio, com os exilados. Era por volta do ano 592 aC. E, num êxtase, o Profeta teve uma tremenda experiência do Deus Santo de Israel. Se olharmos bem o texto (Ez 1,2-5.24-28), ele revela escondendo e diz sem dizer sobre o Deus Vivo, o Santo, o Deus de Israel.

Em todo o texto as expressões são: “algo como a forma de”, “a aparência fazia lembrar”, “semelhante a”, “se assemelhavam a”, “uma forma com a aparência de”, “algo semelhante a”... Em outras palavras: Deus é o Misterioso, o Santo! Não pode ser circunscrito, não pode ser descrito, não pode ser enquadrado! Ele é o que É, o Vivente, o “Sente”, isto é, “O que está sendo continuamente, sempre estável, sempre em movimento, sempre de novo, sempre o mesmo”!

Impressiona, no texto, as imagens ligadas ao fogo, à luz, ao brilho... Elas evocam a Glória do Senhor Deus, evocam o Seu Espírito, que é luz, vitalidade, vigor, movimento, dinamicidade, variedade, liberdade, criatividade, energia... O fogo ilumina, purifica, devora, transfigura, impregna, incandesce... O Fogo de Deus é o Seu Espírito: Ele é Presença de Deus, Potência de Deus, Energia de Deus, Glória de Deus, Dinamismo de Deus, Vitalidade de Deus, Misteriosidade de Deus!

Impressiona ainda, na perícope, que esse Deus tão misterioso e imenso tenha “uma forma com aparência humana” (v.26). Ele não é humano, Ele não tem forma, Ele não pode ser visto, descrito, circunscrito e, no entanto, no meio do Fogo, todo de Fogo, deixa-Se entrever numa forma de fogo como que numa aparência humana... Santo Irineu diria, no século II, que era já o Verbo “acostumando-Se” a caminhar com o homem e “acostumando” o homem a receber Deus!

Deus tão imenso, Deus tão próximo,
Deus tão compreensível, Deus tão incompreensível!

Mas, onde se deu tal visão?
Resposta surpreendente: no Exílio, em Babilônia, longe do Templo, longe de Jerusalém, distante da Terra Santa!

Que coisa!
O Deus de Israel não é o Deus da Terra Santa! Não é o Deus de Jerusalém! Não é o Deus do Templo!

A Terra Santa é de Deus; e só é “santa” porque é de Deus;
mas Deus não é o Deus da Terra Santa! Ela não pode retê-Lo!
Jerusalém é de Deus; e é Cidade Santa da Antiga Aliança, porque ali reside o Nome do Eterno!
Mas, o Eterno não é de Jerusalém, não é o Deus de Jerusalém, não pode ser aprisionado nos muros da Cidade!
O Templo é de Deus: ali Ele repousa os Seus pés, ali habita o Seu Nome...
Mas, Ele mesmo, não está preso ao Templo, não precisa do Templo, não Se limita a ele...

Assim, Deus aparece no Exílio!
Deus exilado com o Seu Povo!
Deus que padece com o Seu Povo padecente!
Deus solidário, Deus próximo, Deus providente!

E, no entanto, Israel não pode dominá-Lo, não consegue engaiolá-Lo, não poderá nunca manipulá-Lo, barganhar com Ele, usá-Lo para sua própria satisfação!

Eis o Deus de Israel, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!
Eis o nosso Deus:
Em Jesus nosso Senhor, Ele veio, Ele Se deu todo, Ele revelou Seu Nome de Abbá, Ele Se fez ternura, proximidade, misericórdia, ternura, compaixão, piedade,
mas permanece misterioso, inapreensível, indisponível para quaisquer manipulações!

A Ele somente se pode acolher, não reter;
A Ele somente se pode admirar, não compreender;
Por Ele somente se pode deixar-se envolver, não abraça-Lo;
Dele somente se pode intuir, não esquadrinhar!

Ele É!
O Santo!

Bendito seja o Reino do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
assim como era no princípio, agora e sempre
e por todos os séculos dos séculos.

E a Igreja, admirada e exultante, diga: Amém!


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sábado, 11 de agosto de 2018

Homilia para o XIX Domingo Comum - ano b

1Rs 19,4-8
Sl 33
Ef 4,30 – 5,2
Jo 6,41-51

A Liturgia da Palavra deste Domingo ainda está ligada ao Evangelho da multiplicação dos pães. Jesus reclama porque os judeus não quiseram compreender o sinal da multiplicação. Claramente, Ele afirma: “Eu sou o pão que desceu do Céu! Quem dele comer, nunca morrerá!”Eis aqui a grande revelação do Senhor! Os judeus só conseguem ver a superfície, somente compreendem que Ele é o filho de José; não percebem, não creem que Ele vem do Pai, como alimento de nossa existência: Ele é o sustento, o alimento da nossa vida.
Afinal, que é viver? Será simplesmente existir, respirar, sobreviver, de qualquer modo, sem rumo, sem sentido, sem uma finalidade para a existência? Que vida seria essa? Não uma existência assim, miserável, que vemos tantos e tantos hoje vivendo!
Pois bem, Jesus afirma que Ele dá o sustento verdadeiro à nossa vida;
com Ele, a vida tem sentido, tem rumo, tem razão de ser;
com Ele, descobriremos porque vivemos, descobrimos de onde vimos e para onde vamos, descobrimos que somos amados e somos fruto de um sonho de amor;
com Ele, finalmente, temos a paz!
“Eu sou o pão da vossa vida! Precisais mais de Mim que vosso corpo do pão de cada dia. Quem come desse pão que sou Eu, isto é, quem se alimenta de Meu amor, de Minhas palavras, de Meu caminho, nunca viverá uma vida de mentira, de ilusão, de morte; antes, viverá de verdade!

Para ilustrar isso, basta pensarmos na situação de Elias, na primeira leitura de hoje.
Ele havia matado os profetas de Baal no monte Carmelo. Jezabel, a rainha idólatra, tinha prometido vingança e queria matá-lo. O profeta sentiu medo e fugiu, procurando esconder-se no deserto do Sinai para encontrar inspiração e consolo no monte Horeb (outro nome para o monte Sinai), o Monte de Deus. E lá vai Elias... Mas, o caminho longo, os dias quentes do deserto, a solidão, a tensão da fuga, tudo isso trouxe desânimo e depressão ao profeta. A vida lhe pareceu dura, amarga, sem sentido. Cansado, ele se rendeu e pediu a morte: “Agora basta, Senhor! Tira a minha vida, pois não sou melhor que meus pais...Sou igual a todo mundo, não sou a palmatória do mundo... Cansei! Quero morrer!”
Quantas vezes somos como Elias, quantas vezes a existência nos pesa, o sentido da vida parece se nos esconder, quantas vezes parece que apenas sobrevivemos, mas não temos ideia de para onde vai o caminho... O desengano do profeta é tão profundo que ele, deprimido, caiu no sono. E o Senhor enviou-lhe um anjo: “’Levanta-te e come!’ E ele viu junto à sua cabeça um pão assado... ‘Ainda tens um longo caminho a percorrer’. Elias levantou-se, comeu e bebeu e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus”.
Caríssimos, também nós estamos a caminho, também nós precisamos de um pão como o de Elias. Esse pão o Senhor nos dá, esse pão é o próprio Cristo, que hoje nos diz: “Eu sou o pão da vossa vida!” Infelizmente para nós, caríssimos, nos iludimos, procurando saciar nossa fome de vida com coisas que não alimentam o coração. É aquela antiga queixa de Deus, pela boca do profeta Isaías: “Ah! Todos que tendes sede, vinde à água. Vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; comprai sem dinheiro e sem pagar, vinho e leite. Por que gastais dinheiro com aquilo que não é pão, e o produto do vosso trabalho com aquilo que não pode satisfazer? Ouvi-Me com toda atenção e comei o que é bom. Escutai e vinde a Mim, ouvi-Me e havereis de viver!” (Is 55,1-3).

Mas, o Senhor é bondoso e Sua misericórdia é sem limites! Quem pode pôr medida à Sua bondade? Ele não somente é pão e sustento de nossa vida de modo figurado. Para surpresa nossa, para escândalo do mundo – e até de tantos cristãos que estão separados da comunhão visível com a Igreja de Cristo – o Senhor revela: “O pão que Eu darei é a Minha Carne para a vida do mundo!”
É demais, caríssimos! É surpreendente, é inesperado! Aqui, o Senhor está falando claramente da Eucaristia: “Eu sou o pão da vossa vida, eu vos alimento de Vida e de sentido de viver; e Eu fico entre vós, fico convosco, alimento-vos de um modo que não esperáveis: Minha união convosco é total, absoluta: Eu vos dou verdadeiramente Minha carne, Meu corpo morto e ressuscitado, como Vida da vossa vida!”

Meus irmãos, não pode haver maior dom, maior intimidade, mais revigorante alimento! Os judeus murmuravam, cristãos de várias denominações murmuram, mas Cristo nosso Deus, que tem palavras de Vida eterna e para quem nada é impossível, nos garante: “O pão que Eu darei é a Minha Carne para a Vida do mundo!”
Caríssimos, estejamos atentos para nos aproximar frequentemente desse alimento de Vida eterna; com frequência e com dignidade. Privar-se da comunhão eucarística quando se poderia comungar é fazer pouco caso do dom do Senhor, é ser autossuficiente, é não reconhecer que somente Jesus nos alimenta e nos sustém com a Sua graça. Não cuidar de comungar é um orgulho que nos coloca debaixo da terrível sentença do nosso Salvador: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes do Seu sangue, não tereis a Vida em vós!” (Jo 6,53). Por outro lado, aproximar-se do Corpo do Senhor sem se examinar; comungar sem estar em comunhão com o Senhor e com os irmãos é mentir contra a Eucaristia, é comer e beber a própria condenação!
Comunguemos sempre, caríssimos; mas, comunguemos estando preparados, conforme a santa Palavra de Deus nos exorta! Recordemos a grave palavra do Apóstolo: “Que cada um se examine a si mesmo antes de comer desse Pão e beber desse Cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o corpo come e bebe a própria condenação” (1Cor 11,28s).

Meus caros, a Eucaristia, comunhão no santíssimo Corpo do Senhor, não somente é alimento para o nosso caminho, não somente á sustento da nossa vida, não somente é penhor de Vida eterna, como também nos dá a graça do Santo Espírito, que nos faz ser um só corpo em Cristo. Eis, que mistério tão profundo: comungando do Corpo do Senhor na Eucaristia, nós nos tornamos cada vez mais unidos no corpo do Senhor, que é a Igreja! Comunguemos, pois, e teremos força para viver o belo caminho que a segunda leitura deste hoje nos aponta: “Vivei no amor,como Cristo nos amou e Se entregou a Si mesmoa Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor”.Eis aqui: a nossa participação no Sacrifício eucarístico de Cristo, a nossa comunhão no Seu Corpo sacrificado e entregue amorosamente, devem nos levar a um novo modo de viver, um modo que consiste na docilidade ao Espírito do Senhor morto e ressuscitado, que significa comunhão com Deus e com os irmãos: “Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo”.

Portanto, seja Cristo, que Se oferece por nós em sacrifício e Se dá a nós em comunhão, o pão, o sustento, o sentido da nossa vida, para podermos caminhar, entre as lutas, desafios e cansaços desta vida, até o Monte de Deus, que é a Pátria celeste. Amém.


terça-feira, 7 de agosto de 2018

Cristo, o Senhor da vida!

Não ao aborto!
Não ao assassinato de crianças embrionárias!

Não à confusão entre direitos humanos
e aberrantes pautas de minorias ideologicamente motivadas!
Não à ditadura de minorias raivosas e destrutivas!

Não à hipocrisia em curso na audiência abortista do STF.
Não a instituições nossas e poderes da República totalmente contaminados pela maldita pauta do politicamente correto e da ditadura laicista de uma minoria intolerante!

Não à ONU ideologicamente aparelhada!

Sim à vida em todas as suas etapas!
Sim a uma sociedade na qual os valores fundantes da nossa cultura sejam respeitados!
Sim ao diálogo aberto e respeitoso!
Sim a instituições fortes, transparentes e respeitadoras do Povo ao qual devem servir verdadeiramente!


Ó Cristo nosso Deus,
Senhor da vida,
Vencedor do pecado e da morte,
acolhe na Tua Glória
os inocentes
que foram sacrificados no altar
do maldito ídolo do
politicamente correto.
Ó Cristo Deus,
salva a nossa Pátria, socorre o Brasil!


Cuidado!

“Incurável é a tua ferida, e a tua chaga não tem remédio.
Não há ninguém para defender tua causa.
Para uma úlcera há remédios, mas para ti não existe cura” (Jr 30,12s).

Palavras tremendas do Senhor a Israel...
Como é possível que o Senhor, invencível no Seu amor, Se dê por vencido pelo pecado do Seu Povo?
Seria o pecado mais forte que a graça?
Seria o abismo da miséria humana mais profundo que o poder transformador do amor de Deus?
Seriam as trevas do nosso coração mais densas e consistentes que a luz do Senhor?

Não, certamente!
Ao fim deste oráculo, o Santo afirma:
“Eis que mudarei a sorte das tendas de Jacó,
terei compaixão de suas moradas...
Deles sairá a ação de graças e gritos de alegria.
Eu os glorificarei: não mais serão humilhados” (Jr 30,18s).

Então, por que o Senhor fala de uma ferida incurável, sem cura?
Porque o nosso pecado, de ato em ato, de infidelidade em infidelidade, de frieza em frieza, de descaso em descaso, pode nos levar a um total fechamento ao Senhor, a uma total insensibilidade à Sua presença, à Sua palavra, aos Seus apelos. E aí, então, sobrevém o fechamento total, aquele pecado que conduz à morte da alma (cf. 1 Jo 5,17).

É preciso cuidar do coração, do modo como escutamos realmente, como acolhemos os apelos do Senhor em nossa vida. O próprio Senhor nosso Jesus Cristo advertiu-nos gravemente: “Cuidado para que os vossos corações não fiquem pesados pela devassidão, pela embriaguez, pelas preocupações da vida, e não se abata repentinamente sobre vós aquele Dia, como um laço” (Lc 21,34s).
É tão fácil, imperceptivelmente, ir dizendo “não” ao Senhor, ir alimentando pensamentos, raciocínios, sentimentos, atitudes, atos, situações que não são segundo o Coração divino...

Cuidado! Cuidemos!

Não aconteça que, aos poucos, cheguemos àquela situação de ferida incurável, de distanciamento tão grande que a volta nos seja impossível, que o amor já não mais possa ser reanimando e o coração reaquecido!
E isto não pode impotência de Deus, mas pela dureza nossa, pelo nosso fechamento!

Não brinquemos não!
Há um misterioso e indecifrável encontro, uma impressionante, real e incompreensível  sinergia (convergência de energias) entre a graça triunfante do Senhor Deus e a tremenda realidade da nossa liberdade, que pode elevar-nos ao céu ou prostrar-nos no inferno!

Pense nisto, Irmão caríssimo!


Para ter pena, muita pena...

Acabei de assistir a um vídeo deplorável: uma "pastora" "evangélica" quebrando imagens de Cristo nosso Senhor e da Virgem Maria a pauladas...
Sinto pena imensa pela ignorância cultural, religiosa, bíblica dessa gente... Pela pobreza humana... Pela grosseria fundamentalista idiotizada e cretina...

A um católico, tais atitudes devem entristecer pela falta de respeito, pela triste depauperação do cristianismo e da religião em geral... Estão plantando sementes de intolerância, estão tornando o ambiente pesado demais para uma convivência pacífica no futuro. Isto é muito, muito ruim... É um desserviço à própria religião de modo geral... É dá motivo a quem é antirreligioso a afirmar que religião é sinal de intolerância, atraso e degradação...

Mas, como não somos idólatras, nem nós, católicos romanos, nem todos os irmãos católicos do Oriente cristão, que veneram desde a antiguidade cristã as sagradas imagens, para nós todos quebrar, vilipendiar imagens, não significa nada, apesar de ser crime tipificado no Código Penal brasileiro! Imagens são imagens, nada mais...

Rasgar uma foto de alguém que amo, violar a bandeira do meu país, entristece pela grosseria e falta de respeito, e só. É o caso das sagradas imagens do Santíssimo Salvador nosso Jesus Cristo e dos Seus servos os santos, a começar pela Toda Santa Sempre Virgem Maria. Certamente, é uma falta de respeito para com o Senhor e os Seus santos... Só a ignorância explica atitudes assim...

Rezemos pelos "evangélicos" que são intolerantes e obtusos: que o Senhor lhes toque o coração e se convertam! E agradeçamos a Deus por aqueles outros tantos, que mesmo estando fora da Comunhão visível da única Igreja de Cristo, são cristãos como nós, respeitam a fé dos outros e procuram viver sua opção religiosa em paz e no amor de Cristo!

E que o Senhor tenha piedade de todos nós e conduza todos os cristãos à unidade plena Nele e no Seu Corpo, que é a Igreja!

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sábado, 4 de agosto de 2018

O "evangelho" segundo a Record

Perguntam-me pela novela da TV do Edir Macedo...
Aquele Jesus é o jesus da Universal, não é o Jesus das Escrituras; é o evangelho segundo Edir Macedo e seus espúrios interesses.
Quanto à Toda Santa Mãe de Deus, odiada pelos inimigos de Cristo e por Satanás, aquela maria da Record, não tem nada a ver com ela!
Um católico que assiste àquilo peca gravemente, pois denigre o que é de Deus, o que é sagrado, é coisa fina!
Você veria um filme que denigrisse sua mãe e mentisse sobre sua família?
Fico impressionado com os ardis do Diabo: já usou as novelas para ensinar todo tipo de perversidade; agora, usa o Nome santíssimo do Senhor e as coisas e pessoas a Ele relacionadas para destruir, mentir, enganar e desviar! Tudo sob a capa de santidade... Satanás é mesmo o Mentiroso, o Pai da Mentira, o mestre do disfarce... Se mostrasse a cara claramente, correríamos dele...
”Sede sóbrios e vigilantes! Eis que o vosso Adversário, o Diabo, vos rodeia como leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé” (1Pd 5,8s).

O lado negro da força...

Homilia para o XVIII Domingo Comum - ano B

Ex 16,2-4.12-15
Sl 77
Ef 4,17.20-24
Jo 6,24-35

Caríssimos em Cristo, no Domingo passado, deixamos o Senhor Jesus orando a sós no monte, após ter multiplicado os pães e despedido a multidão. Está no capítulo VI de São João: do monte, Jesus atravessou o Mar da Galileia, caminhando sobre as águas. Ao chegar do outro lado, lá esta o povo à Sua espera...
Sigamos, as palavras do Senhor nesta perícope, pois elas nos falam de Vida, falam-nos do Cristo nosso Deus!

Primeiramente, Cristo censura duramente o povo: procuram-No – como tantos hoje em dia – não porque viram o sinal que Ele realizou! Mas, que sinal? Fez o povo sentar-se na relva, como o Pastor do Salmo 22/23 faz a ovelha descansar em verdes pastagens; prepara uma mesa para o fiel, multiplicando-lhe os pães, como Moisés no deserto... Ante tudo isto, amados em Cristo, o povo ainda pensou em Jesus como sendo o Profeta que Moisés prometera (cf. Dt 18,15.18); mas, infelizmente, não passou disso; logo, pensou simplesmente no pão, na saciedade, nas necessidades imediatas resolvidas... Daí a repreensão do Senhor: aqueles lá O procuravam simplesmente porque comeram pão, como hoje tantos o procuram para ganhar benefícios – e, assim, são enganados pelos charlatões de plantão, com Bíblia  debaixo do braço e tudo! A prova de que o povo não compreendeu o sinal, é que ainda foi perguntar no Evangelho de hoje: “Que sinal realizas? Que obra fazes?” Como estes, lá com Jesus, se parecem conosco, tantas vezes cegos para os sinais do Senhor na nossa vida!

Observai, irmão! Notai como os judeus não conseguem compreender que o que Jesus quer deles é a fé na Sua Pessoa e na Sua missão! Vede como eles pensam que podem agradar ao Senhor simplesmente com um fazer exterior, sem compromisso de amor que brota do coração: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” Fazer! De nós, Jesus quer muito mais do que um simples fazer! Eis a resposta do nosso Salvador: “A obra de Deus é que acrediteis Naquele que Ele enviou!” Resposta admirável! Mas, o que é crer no Senhor? Escutai: “Quem vem a Mim não terá mais fome e quem crê em Mim nunca mais terá sede”.  Crer em Jesus é ir a Ele com toda a sua existência! Eis: tua obra, cristão, já não é cumprir a Lei de Moisés; também não é fazer e fazer coisas, mas crer e amar a Jesus! Daí sim, tudo decorre, e também tuas boas obras, feitas por amor a Jesus e na fé em Jesus, serão aceitas pelo Senhor!

Diante da palavra do Cristo, os judeus duros de compreender, pedem a Jesus outro sinal! Não compreenderam aquele que Ele fizera! E ainda citam Moisés, como que dizendo: Tu nos deste pão agora; Moisés nos deu o maná por quarenta anos! Aí, o nosso Salvador faz três revelações surpreendentes e consoladoras! Ei-las:

Primeiro: Aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do Céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração; pão que alimenta esta vida, mas não dá a Vida divina, a Vida que dura para sempre! Aquele maná do deserto era apenas pálida imagem de um outro maná, de um outro pão que o Pai daria mais tarde.

E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro Maná, o verdadeiro Pão do Céu, que dá a Vida divina ao mundo: Moisés não deu (no passado); Meu Pai vos dá (agora, no presente)! Os judeus ficam perplexos, admirados; e pedem: Dá-nos desse pão! Pão que alimenta a fome de Vida, de paz, de sentido, de eternidade! Pão que enche o coração! Dá-nos desse Pão!

Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da Vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é Ele mesmo! Os pães que Ele multiplicara eram imagem Dele mesmo, que Se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de Vida divina: “Eu sou o Pão da Vida! O Pão que desce do Céu e dá a Vida divina ao mundo! Quem vem a Mim nunca mais terá fomede Vida e de sentido de existência; quem crê em Mim nunca mais terá sedeno seu coração!”

Eis, meus caros! Corramos para Jesus! Seja Ele nosso alimento! E Dele nos alimentando, sejamos Nele novas criaturas, despojando-nos do homem velho, deixando o velho modo de pensar, que conduz não à Vida, mas ao nada, como diz o Apóstolo na segunda leitura! Se nos alimentamos de Cristo, se bebemos de Sua santa Palavra, como poderemos pensar como o mundo, agir como o mundo, viver como o mundo? Como ainda poderíamos consentir nas velhas paixões que nos escravizam?

Que alimentando-nos de Jesus, Pão bendito de nossa vida, atravessemos o deserto desta vida não como o Povo de Israel, que murmurou e descreu, mas como verdadeiros cristãos, renovados pelo Senhor, despojados da velhice do pecado e saciados de Vida eterna, Vida que é o Cristo nosso Deus, bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

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