domingo, 23 de novembro de 2014

XXXIV Domingo Comum: o Cristo Rei

Ez 34,1-12.15-17
Sl 22
1Cor 15,20-16.28
Mt 25,31-46

Neste último Domingo do Ano Litúrgico, a Igreja nos apresenta Jesus Cristo como Rei do universo. O Evangelho no-Lo mostra cercado de anjos, sentado num trono de glória para o julgamento final da história e da humanidade toda. Ele é Rei-Juiz, é o critério da verdade e da mentira, do bem e do mal, da vida e da morte.
Por mais que a humanidade queira fazer a verdade do seu modo, distorça o bem em mal e o mal em bem e procure a vida onde não há vida verdadeira, vida plena, somente em Jesus Cristo tudo aparecerá, um Dia - no Seu Dia - na sua justa realidade. Nós cremos com toda firmeza que a criação toda, a história toda e a vida de cada um de nós caminham para o Cristo e por Ele serão passadas a limpo, nele serão julgada! Ele é Rei-Juiz: ao final “todas as coisas estarão submetidas a Ele”. Fora Dele não haverá salvação, nem esperança nem vida.

Mas, se Cristo Jesus é nosso Rei-juiz, isto se deve ao fato de primeiramente ser nosso rei-Pastor, Aquele que dá a vida pelas ovelhas.
Ele é “o que foi imolado”, o mesmo que, com ânsia e cuidado procura Suas ovelhas dispersas, toma conta do rebanho, cuida da ovelha doente e vigia e vela em favor da ovelha gorda e forte.

Eis o nosso Juiz, eis o juiz da humanidade: Aquele ferido de amor por nós, Aquele que por nós deu a vida, Aquele que se fez um de nós, colocando-Se no nosso meio!

Atualmente, a nossa civilização ocidental perdeu quase que de modo total a consciência da realeza de Cristo. Dizem hoje, cheios de orgulho: o homem é rei. Gritam: “Não queremos que este Jesus reine sobre nós! Não queremos que nos diga o que fazer, como viver; não aceitamos limites do certo e do errado, do bem e do mal, do moral e do moral... A não ser os nossos próprios limites. E, para nós, não há limites!”

Eis o pecado original, a arrogância fundamental da humanidade atual. Nunca fomos tão prepotentes quanto agora; nunca tão iludidos e enganados como atualmente! E, mais impressionante ainda: muitos cristãos, sutilmente, vão trocando a realeza de Cristo, a medida de Cristo, pela realeza do mundo, a medida do mundo! Como é tão grande, como é tão atual, como é tão séria a tentação de fazer das demandas do mundo e não das exigências de Cristo-Rei o critério da nossa fé e da nossa vida!

E, no entanto, Cristo é Rei, o único Rei verdadeiro, cujo Reino jamais passará.
Mas esse Rei nos escandaliza também a nós, cristãos. É que Ele não é um rei mundano, estribado na vã demonstração de poder, de glória, de imposição. Não! Ele é o Rei-Pastor que se fez Rei-Cordeiro manso e humilde imolado por nós. Por isso “é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele o poder pelos séculos”.

A grandeza e o poder do Senhor neste mundo não se manifestarão na grandeza, mas nas coisas pequenas, na fragilidade do amor, daquele amor que na cruz apareceu como capaz de entregar a vida pelos irmãos.

Gostaríamos de um Cristo-Rei na medida das nossas vãs grandezas...
Gostaríamos de uma Igreja forte, aplaudida, elogiada, reverenciada, de bem com o mundo, nas boas graças da mídia, por ela compreendida, aprovada, aplaudida...

Mas, não! A Igreja, continuadora na história do mistério salvífico de Cristo, se for realmente fiel, tem de participar do escândalo do Seu Senhor. As ovelhas ouvem a voz do Rei-Pastor; os cabritos não a escutarão jamais: são rebeldes, inquietos, desobedientes, autossuficientes! Entre as ovelhas e os cabritos, entre os discípulos e os incrédulos, há o juízo de Cristo! A incompreensão que o mundo tem em relação ao Cristo Senhor e Seu Reino, transforma-se em incompreensão para com o que a Igreja anuncia e defende e procura viver! Isto faz parte das dores do Reino do Senhor – Ele mesmo nos avisou tantas vezes!

Faz parte do mistério do Reino a pobreza de Cristo, a mansidão de Cristo, a derrota de Cristo na cruz, o silêncio de Cristo, a morte de Cristo.
E tudo isso tem que está presente também a vida da Igreja e na nossa vida! Como nos exorta São Paulo: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos. Fiel é esta palavra: Se com Ele morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos” (2Tm 2,8.11).

Eis, pois, caríssimos no Senhor! Celebremos hoje a realeza de Cristo, dispondo-nos a participar da Sua cruz.
Na Igreja, no Reino de Deus, reinar é servir. Sirvamos, com Cristo, como Cristo e por amor de Cristo! No Evangelho desta Solenidade, o critério para participar do Reinado do Senhor Jesus é tê-Lo servido nos irmãos: no pobre, no despido, no doente, no prisioneiro, no fraco. Que Reino, o de Cristo! Manifesta-se nas coisas pequenas, nas pequenas sementes, nos pequenos gestos, no amor dado e recebido com pureza cada dia.

Na verdade, segundo os Santos Padres da Igreja, o Reino de Cristo, o Reino que Ele entregará ao Pai, somos nós; nós, que fizemos como Ele fez, lavando os pés do mundo e servindo ao mundo a única coisa que realmente compensa: a amor de Cristo, a verdade de Cristo, o Evangelho de Cristo, o exemplo de Cristo, a salvação de Cristo, a vida de Cristo, para que o mundo participe eternamente do Reino de Cristo!

Caríssimos no Senhor, despojemo-nos de todo pensamento mundano sobre reis, reinos e coroas. Fixemos nosso olhar no trono da cruz, Naquele que ali se encontra despido e coroado de espinhos. Aprendamos com admiração, estupor e gratidão que nossa mais gloriosa herança neste mundo é participar do Seu reinado, levando a humanidade a descobrir quão diferentes dos seus são os critérios de Deus. Quando aprendermos isso, quando a humanidade aprender isso, o Reino entrará no mundo e o mundo entrará no Reino, Reino de Cristo, Reino de verdade e de vida, Reino de santidade e de graça, Reino da justiça, do amor e da paz.

Domine, adveniat Regnum tuum! – Senhor, venha o Teu Reino! Amém. 

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