domingo, 30 de novembro de 2014

Pensamentos sobre a antífona de Missa que abre o Advento

“A Vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em Vós espera” (Sl 24,1-3). 

Ah, a Liturgia!
Que lições, que intuições, que sentimentos inexprimíveis de tão ricos, ela nos faz experimentar!

As palavras acima, do Salmo 24, são a antífona de entrada (o Intróito) da Missa do primeiro Domingo do Advento.

Pare e pense um pouco, antes de continuar a leitura... Tente descobrir sozinho: o que estas palavras têm a ver com o Advento e com o Natal? Por que a Igreja as colocou aí? Pense um pouco...
A Liturgia só pode ser saboreada se a gente aprender a pensar com o coração...

Observe bem: o Advento é tempo de preparar a celebração da Vinda do Senhor em Belém e de preparar-se para a Vinda Dele na Parusia, na Glória final. Por isso, mesmo a primeira palavra da antífona é fortíssima: “A vós, Senhor, elevo a minha alma!”
É o fiel, é a humanidade, que tira o olhar do próprio umbigo, da própria auto-suficiência, e, reconhecendo-se pobre, eleva a alma, a vida ao Senhor, esperando Dele a salvação! Já aqui, se coloca a atitude fundamental com a qual devemos viver o Advento: a espera vigilante, como a amada que espera o amado, como a terra que espera o sol, como o vigia que espera a aurora...

Depois a antífona nos joga em cheio no drama da vida: quantos inimigos exteriores e interiores temos, quantas contradições, quantos perigos de cair, de perder o rumo, de fracassar na existência! Somo tão pobres, tão quebrados, tão frágeis... Tão incerto é nosso caminho sobre esta terra de exílio... “Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos!”

Esta consciência da nossa miséria, esta percepção de que temos um coração de água, olhos de águia, mas umas asinhas curtas apenas como as de pardal é a condição essencial para nos descobrirmos pobres diante de Deus e, então, gritar: Senhor, vem salvar-nos! Senhor, precisamos de um Salvador! Vem! Sem Tua presença, a humanidade se perde, o homem se destrói, seremos sempre frustrados, seres fracassados no mais profundo de sua existência!
É isto que esta antífona comovente nos quer fazer compreender e experimentar.

Mas, observe como ela termina com a proclamação de uma certeza certa: “Não será desiludido quem em Vós espera”. Não será desiludido quem coloca sua esperança no Senhor, quem vigia esperando o Cristo que vem! Deus é fiel: mandou-nos o Seu Cristo e Ele estará para sempre em nosso meio!

Aquele que sabe reconhecer Sua presença e vive na Sua verdade, de esperança em esperança, não ficará envergonhado no Dia da Sua Manifestação gloriosa.

Lições assim, tão profundas, tão saborosas, tão verdadeiras, somente a Liturgia pode nos dar... Mas só para quem a respeita, deixa-se tomar por ela nos seus gestos, símbolos, palavras, expressões...
Quem dera que soubéssemos percebê-las e saboreá-las... Feliz Advento a todos!

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