domingo, 3 de maio de 2015

V Domingo da Páscoa: ramos de uma Videira

At 9,26-31
Sl 21
1Jo 3,18-24
Jo 15,1-8

No passado Domingo escutamos o Senhor Jesus, Vencedor da morte, Autor da Vida, que nos revelava com doçura e profundidade: “Eu sou o Bom Pastor” (Jo 10,11).

Hoje, novamente, voltamos nosso olhar para o Senhor, imolado por nós e, por nós, ressuscitado; escutemo-Lo mais uma vez; de novo Ele nos diz, como o Deus Santo no Antigo Testamento, “Eu Sou”!

Eis a Sua palavra hoje: “Eu sou a videira verdadeira e Meu Pai é o agricultor!”

Caríssimos, para compreender esta palavra de Jesus é necessário recordar o povo de Israel, a vinha eleita de Deus, vinha que o Senhor arrancou do Egito e plantou na terra santa; vinha que o Senhor cercou de cuidados e de carinho; vinha que, no entanto, não deu os frutos esperados! 

Escutemos as queixas do Senhor pela boca do Profeta Isaías: “Que Me restava fazer à Minha vinha que Eu não tenha feito? Por que, quando Eu esperava que ela desse uvas boas, deu apenas uvas azedas? Agora vos farei saber o que vou fazer da Minha vinha! Arrancarei a sua cerca para que sirva de pasto, derrubarei seu muro para que seja pisada... A vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel; e os homens de Judá são a sua plantação preciosa. Deles esperava o direito, mas o que produziram foi transgressão; esperava a justiça, mas o que apareceu foram gritos de desespero” (Is 5,4-5.7).

Israel foi a vinha infiel. Pois bem, agora surge Aquele que é o Israel verdadeiro, a verdadeira videira que dá o bom fruto, o fruto doce da obediência ao Pai até a morte e morte de cruz! Eis, meus caros: Jesus é o Israel fidelíssimo, a verdadeira vinha plantada pelo Pai. Na obediência e na fidelidade, Ele deu fruto de Vida eterna. O salmo de meditação da Missa de hoje, um trecho do Salmo 21, aquele mesmo que Jesus rezou na cruz e que começa com a súplica “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” – este Salmo recorda bem o preço da obediência do nosso Senhor...

- Jesus amado, Tu és a Vinha verdadeira! Na obediência ao Teu Pai, divino Agricultor, deste para nós fruto de Vida eterna. Morreste, mas estás vivo para sempre! Bendito sejas Tu! A Ti a glória!

Caríssimos, essa Videira viva e verdadeira, plena do Santo Espírito, que é a Vida do Pai, nos vivifica. Foi por nós que Jesus, a Videira, morreu; foi por nossa causa que Ele ressuscitou! Escutemo-Lo ainda: Todo ramo que em Mim não dá fruto o Pai o corta; e todo ramo que dá fruto, Ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Permaneci em Mim e Eu permanecerei em vós. Como não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira e vós sois os ramos”.

Eis, amados irmãos, fomos enxertados na videira verdadeira: em Jesus, somos a Igreja, o novo Israel, a vinha eleita do Senhor. Somo-lo, porque, pelo Batismo, fomos enxertados em Cristo e, agora, vivemos da Sua seiva bendita, que é o Santo Espírito.

São João nos disse na segunda leitura, que sabemos que Deus permanece conosco e nós Nele porque temos o Seu Espírito... Que realidade bela e misteriosa: estamos unidos a Cristo de verdade, de verdade vivemos a Sua Vida nova, Vida que Ele adquiriu na ressurreição. O que o Senhor espera de nós? Que não sejamos como o povo da Antiga Aliança, que produziu uvas azedas! O Senhor espera de nós frutos doces; doces da doçura do Cristo que, por nosso amor, fez-Se obediente até a morte e morte de cruz!

Que devemos fazer para produzir frutos no Senhor?

São João nos diz na segunda leitura que o fruto que podemos produzir é crer no Filho amado e nos amar uns aos outros, como Ele nos mandou.

Caríssimos, compreendamos que ser cristão é viver enxertados em Cristo e nos tornarmos ramos da mesma Videira.

Podemos dizer a mesma coisa de outro modo, usando as palavras de São Paulo: Cristo é a Cabeça, nós somos os membros do Corpo que é a Igreja. Os membros vivem da vida da Cabeça como os ramos vivem da seiva que brota do tronco.

Compreendeis, irmãos? A Igreja não é simplesmente a soma dos crentes... Não somos nós que fazemos a Igreja... Ela nasce de Cristo, ela nos é anterior; e nós, pela graça de Deus, somos nela enxertados pelo Batismo e a Eucaristia.

Ser cristão é ser Igreja; e ser Igreja é estar profundamente unido a Cristo e, em Cristo, unidos uns aos outros.

Nunca esqueçamos: vivemos a mesma Vida, nutrimo-nos da mesma seiva: esta Vida, esta Seiva é o Santo Espírito do Ressuscitado!

Fora de Cristo, que fruto daríamos?

Separados do tronco, fora da videira, como permaneceríamos vivos da vida divina? Como poderíamos produzir frutos de Vida eterna?

É permanecendo em Cristo, cabeça e tronco da Igreja, que viveremos da Sua Energia, da Sua Seiva, isto é, do Seu Espírito Santo.

Mas, isso não nos livra das dificuldades. Desde os inícios, a vida dos cristãos é marcada por provações interiores e exteriores; desde as origens há dificuldades mesmo entre os irmãos na fé. Recordai, caríssimos, a situação da primeira leitura de hoje: a desconfiança da comunidade em relação a São Paulo... Então: tribulações exteriores, tribulações interiores; momentos de dor, momentos de escuridão...

Onde está Cristo? Não é ele a videira? Nele não estamos seguros?

Sim! Mas, não seguros de seguranças humanas! Jesus nos previne no Evangelho de hoje para as podas da vida, podas que o Pai consente, para que demos fruto de Vida eterna, fruto de uma Vida totalmente enxertada em Cristo e, com Cristo, em Deus: “Todo ramo que em Mim não dá fruto o Pai o corta; e todo ramo que dá fruto, Ele o limpa, para que dê mais fruto ainda”. Eis, caros: batizados em Cristo, Nele permaneçamos enxertados; alimentemo-nos da Sua seiva na Eucaristia; suportemos com absoluta confiança Nele as podas e purificações da vida... Se o fizermos, produziremos verdadeiro fruto, fruto de Vida eterna. Amém.

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