quinta-feira, 16 de maio de 2019

A propósito de Jo 13,16-20

Jesus Cristo é o único Senhor; Jesus Cristo é o único Mestre. Na Igreja não há outros senhores ou mestres. Qualquer um que seja líder, pastor do rebanho ou mestre do Evangelho, deve, fielmente, transmitir o que recebeu do Senhor pela Tradição escrita ou oral, presente na vida da Igreja por ação do Santo Espírito de Cristo. Na Igreja, o verdadeiro mestre em Cristo, o verdadeiro pastor no Cristo Bom Pastor, deve sempre poder exclamar: “Lembro-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei, que recebestes, no qual permaneceis firmes e pelo qual sois salvos, se o guardais como vo-lo anunciei; doutro modo teríeis acreditado em vão. Transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi!” (1Cor 15,1-3a).

Nenhum cristão está acima de Cristo; nenhum cristão está no mesmo nível de Cristo! Interessante que o nosso Salvador, naquela última Ceia, tenha dito estas coisas e, no mesmo instante, tenha também feito referência ao discípulo que, mesmo sendo chamado e, sentando-se à Sua Mesa, comendo com Ele, O traíra, levantando contra o seu Mestre o calcanhar da ingratidão...

Sim, é bem possível dizer-se cristão e trair o Senhor; é possível ser pastor da Igreja e se esquecer que o discípulo não é maior que o Mestre nem o enviado, maior que Aquele que o enviara... E tudo isto fere, gera escândalos, traz sofrimentos, denigre a vida da Igreja...
Uma coisa é certa: aquele que se coloca fora do seguimento do Mestre, alienando-se do caminho que Ele traçou, não pode ser recebido como um Seu enviado! Somente é verdadeiramente enviado aquele discípulo que se comporta segundo o Mestre e fala o que Dele ouviu e aprendeu, bebendo na perene Tradição de fé e de vida da santa Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Santo Espírito, Tradição esta presente nas Escrituras e na existência mesma da Igreja, geração após geração...

Mas, não devemos nunca nos assustar: “Desde agora vos digo isto, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que Eu Sou”.


quarta-feira, 15 de maio de 2019

A propósito de Jo 12,44-50

Jesus nosso Senhor é o Enviado do Pai.
Ele não veio por Si mesmo nem de Si mesmo; veio do Pai: Ele procede do Pai na Eternidade do seio da Trindade e no tempo deste mundo.

Vindo do Pai, somente Ele conhece o Deus verdadeiro na Sua profundidade maior, no Seu mistério abissal; só Ele sabe que Deus é eternamente o Pai, o Eterno Amante, que no Espírito de Amor gera o Filho Amado (cf. Jo 1,18; 8,55).
Jesus, nosso Cristo, é este Filho Amado, imagem perfeita do Pai (cf. Cl 1,15), totalmente obediente a Ele em comunhão de amor (cf. Jo 14,31), a ponto de que, quem O vir, vê o Pai, quem O acolher, acolhe o Pai, quem O rejeitar, rejeita o Pai, fonte de toda a Vida!

Que ninguém se iluda; que o mundo relativista no qual vivemos nunca empane a certeza do nosso coração:
Jesus, o nosso Senhor, é a Luz que o Pai fez brilhar neste mundo;
só Ele é o Caminho do nosso peregrinar neste mundo,
só Ele é a Verdade que revela quem somos, qual o nosso destino e o sentido da nossa existência,
só Ele é a Vida que vivifica de Vida divina nossa humana existência,
só Ele é a Salvação que nos salva do absurdo de uma vida sem sentido, sem rumo, sem razão de ser!
Crer Nele é um ato de pura liberdade que deve ser totalmente respeitada! Mas, cada ser humano neste mundo será julgado e salvo ou condenado em relação à atitude para com Ele.

Não podemos julgar ninguém, não podemos impor a fé a quem quer que seja, não podemos nunca e sob hipótese alguma dizer que alguém está no inferno. Isto pertence ao mistério do juízo soberano de Deus: somente Ele é o Juiz absoluto! Mas, podemos dizer com certeza que o destino eterno de cada homem que vem a este mundo, sem exceção, tem a ver com o seu comportamento e sua atitude em relação ao Cristo de Deus, a Jesus nosso Senhor: “Quem Me rejeita e não acolhe Minhas palavras tem seu juiz: a palavra que proferi é que o julgará no Último Dia, porque o Pai, que Me enviou, Me prescreveu o que dizer e o que falar e sei que o Seu julgamento é vida eterna!”


terça-feira, 14 de maio de 2019

A propósito de Jo 15,9-17

O amor é o ambiente, o âmbito, a atmosfera de Deus: Deus mesmo é amor (cf. 1Jo 4,7)! E no seio do Deus uno e trino tudo é Pessoa. Assim, o Amor no seio da Trindade santíssima é uma Pessoa, é o próprio Espírito de Amor, dado eternamente pelo Pai, recebido pelo Filho e derramado sobre nós desde o Pentecostes.
Esta é a premissa para compreendermos a palavra do Senhor Jesus no Evangelho de hoje.

Como o Filho vive no Amor do Pai, isto é, no Espírito, assim também derramou esse mesmo Espírito de Amor em nós para que vivamos a Vida divina do Amor.

Mas, aqui não se trata de um amor sentimental, de palavras somente. Trata-se do Espírito de Amor que move e comove nosso coração e nossa existência (cf. 2Cor 5,14), Amor que nos une ao Cristo Jesus, unindo nossa vontade à Dele, como Ele tem a Sua vontade unida àquela do Pai!

Amor forte, feito de obediência amorosa, num contínuo caminho de conversão,
Amor que nos faz sair de nós e da nossa vontade para abraçar incondicionalmente a vontade Daquele a Quem amamos,
Amor que nos torna capazes de dar a própria vida pelo Senhor a Quem amamos e que, por nós, ofereceu-Se ao Pai num Espírito de Amor eterno (cf. Hb 9,14),
Amor que nos faz amigos do Senhor nosso porque une nossa existência à Sua e faz o nosso coração bater no ritmo do Seu coração, dando-nos os mesmos sentimentos do Cristo Jesus (cf. Fl 2,5),
Amor que nos une todos num só ambiente de amor, de modo que já não há separação entre o amor ao Senhor Deus e o amor aos irmãos no Senhor,
Amor que nos faz produzir frutos de vida cristã, frutos de Cristo Jesus na nossa vida, porque faz com que nossa fé aja pela caridade (cf. Jo 15,1-10),
Amor que faz com que tudo quanto peçamos ao Senhor obtenhamos, porque, no Espírito de Amor que ora em nós, jamais quereremos ou pediremos nada que não seja a vontade Dele, nosso Amado Senhor e Deus (cf. (Jo 14,11-21)!

É muito interessante que a Liturgia nos faça ouvir este trecho do Evangelho hoje, Festa de São Matias Apóstolo.
Significa que ser Apóstolo do Senhor é uma questão de amor a Ele e aos Seus irmãos, é uma questão de viver imerso nesse Amor que foi derramado em nossos corações no Batismo, foi fortalecido e curtido na Crisma e é alimentado continuamente na Eucaristia!

Eis! Se compreendermos bem isto, poderemos resumir toda a vida cristã numa palavra só: Amor – assim, com maiúscula, sinônimo de Espírito Santo, Espírito de Deus, Espírito de Amor, Amor pessoal, Amor-Pessoa no seio da Trindade Indivisa, Santa e Consubstancial. Este Amor em nós, esta vida de amor, nós não a podemos produzir por nós mesmos, com reuniões, discursos, slogans repetitivos ou panfletos ideológicos e chatos; este amor somente o experimentamos quando somos inundados do Cristo Jesus, a Ele configurados e Nele vivemos!
Aí sim, no Seu Amor, no Seu Espírito de Amor viveremos e já não seremos nós que viveremos, do nosso jeito, mas Ele mesmo, que viverá em nós, do modo Dele!


segunda-feira, 13 de maio de 2019

A propósito de Jo 10,1-10

O verdadeiro pastor do rebanho de Deus entra pela porta: “O que entra pela porta é o pastor das ovelhas”. Se não o fizer, se entrar por outro lugar, não é pastor, mas ladrão e assaltante.

Que porta é esta, porta única, pela qual todo verdadeiro pastor da Igreja deve passar? “Em verdade, em verdade, vos digo: Eu sou a porta das ovelhas!” O verdadeiro pastor da Igreja, rebanho de Deus, apascenta segundo Cristo, apascenta em Cristo, entra a pastorear sempre e somente através de Cristo!

É ladrão e assaltante quem não apascenta segundo Cristo,
é ladrão e assaltante quem leva o rebanho para longe de Cristo,
é ladrão e assaltante quem distrai o rebanho do único objetivo, que é Cristo,
é ladrão e assaltante quem se coloca no lugar de Cristo,
é ladrão e assaltante quem apascenta sem amar a Cristo,
é ladrão e assaltante quem faz esfriar no rebanho o amor a Cristo,
é ladrão e assaltante quem faz o rebanho duvidar de Cristo,
é ladrão e assaltante quem não apresenta sempre novamente o Cristo como único Salvador do rebanho,
é ladrão e assaltante quem não dá às ovelhas a Vida que é Cristo!

Senhor, livra sempre o Teu rebanho dos maus pastores, daqueles que matam de fome as ovelhas por afastarem-nas de Ti, ó doador da verdadeira Vida, do pasto abundante, ó Porta bendita para as pastagens do Céu!



sábado, 11 de maio de 2019

IV Domingo da Páscoa

"Ressuscitou o Bom Pastor,
que deu a vida por Suas ovelhas
e quis morrer pelo rebanho! Aleluia!" (Liturgia latina)





Homilia para o IV Domingo da Páscoa - ano c

At 13,14.43-52
Sl 99
Ap 7,9.14b-17
Jo 10,27-30

Uma imagem muito comum neste Tempo pascal é aquela do Cordeiro “de pé, como que imolado” (Ap 5,6). Este Cordeiro, eternamente diante do trono do Pai, é o Cristo no Seu estado de perpétua imolação e glória, de entrega sacrifical e ao mesmo tempo vitoriosa, por nós. Mas, misteriosamente, este Cordeiro é também Pastor: “O Cordeiro que está no meio do trono será o seu Pastor e os conduzirá às fontes da água da Vida”. Que imagem impressionante: um cordeiro que é pastor que dá Vida, Vida divina, Vida eterna às ovelhas!
Pois bem, Jesus afirmou: “Eu sou o bom Pastor. O bom Pastor dá a vida pelas Suas ovelhas” (Jo 10,11). Estejamos atentos: este dar a vida possui dois sentidos: primeiro: Cristo nos dá a vida porque morre por nós, por nós entrega Sua vida humana: “Eu dou Minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). É, portanto, um pastor que ama profundamente o seu rebanho: “As Minhas ovelhas escutam a Minha voz, Eu as conheço e elas Me seguem”.
Num segundo sentido, Cristo dá a vida porque transmite às ovelhas a Vida divina, a Vida eterna, a Vida glorificada que Ele mesmo recebeu do Pai na Sua santa Ressurreição: “Eu lhes dou a Vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de Minha mão!”
Que afirmações estupendas! Nosso Pastor, que por nós Se fez Cordeiro imolado, dá-nos a Vida eterna e imperecível, uma Vida que nos saciará eternamente! Cristão, compreende: como é grande, como é concreta, como é verdadeira a tua esperança, como é certa a tua herança!

Esta Vida, que o Cordeiro-Pastor nos prepara, é para todos, é em abundância. Isto já aparece na primeira leitura desta Liturgia sagrada: diante da recusa dos judeus como um todo em acolher o Evangelho da salvação em Jesus Cristo, o Apóstolo volta-se para os pagãos: “Era preciso anunciar a Palavra de Deus primeiro a vós, judeus. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da Vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos”. E estes, cheios do Espírito Santo, ficaram cheios de alegria. Eis! A salvação que Cristo nos trouxe, com Sua Morte e Ressurreição, com Seu mistério pascal, é plena, é total e é para todos!

É com estas idéias e sentimentos no coração que devemos, agora, contemplar a estupenda imagem que o Apocalipse nos apresenta na Liturgia de hoje. Toda a humanidade, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar... de pé, diante do trono e do Cordeiro”...
Pensemos bem! É toda esta humanidade tão sofrida, de vida tão frágil, de esperança tão incerta, que é chamada a este momento tão grandioso: de pé (posição de quem venceu, de quem está vivo) diante do trono de Deus e do Cordeiro, o Cristo nosso Senhor, Aquele que venceu! Observai que nossa esperança nada tem de espírito de seita. A salvação não é para um grupinho de eleitos que excluem os demais farisaicamente! Não! Nunca! Deus quer “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Os cristãos têm o dever de olhar o mundo com amor benevolente e a ele levar a Boa-Nova do Cristo nosso Deus. Nós, amados por Deus-Pai em Cristo, não podemos guardar só para nós esse amor e essa salvação: é preciso anunciá-la, comunicá-la, e com um coração bom, benévolo para com o mundo: nunca uma atitude de seita, de acusação, de fechamento! Dizer a verdade, sim, sem medo de ser incompreendido ou rejeitado; anunciar a verdade, sim, sem mudá-la ou omiti-la em uma vírgula que seja; denunciar o erro e o pecado, sim, com coragem e clareza; mas, com uma atitude de amor e respeito, de benignidade, como o coração do bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!

Estes eleitos “trajavam vestes brancas” símbolos da Glória, de Vida divina, da pureza e da imortalidade; “traziam palmas na mão”, símbolo da vitória. Quem são eles? “São os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro”. Que imagem fantástica! É a multidão dos cristãos de todos os tempos, que perseveraram e venceram no combate das tribulações desta vida, às vezes, lutando até à morte! Pensemos: somos nós, se formos fiéis no combate do Cristo; somos nós, se perseverarmos e guardarmos a fé e a esperança no Senhor nas lutas e provações desta vida!
Estejamos atentos: “lavaram e alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro!” Sangue bendito e precioso, que lava, que purifica, que alveja! Nenhum de nós chegará diante do trono limpo por sua própria limpeza, mas sim pelo sangue do Cordeiro que é nosso Pastor! “Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente”.
Bendito Cordeiro, bendito Pastor, bendito Cristo-Senhor, que nos dá uma Vida tão plena! Ele mesmo nos tinha prometido: “Quem vem a Mim nunca mais terá fome e quem crê em Mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35).
Bendito Jesus, que é tão fiel! “E o Cordeiro, que está no meio do trono, será seu Pastor e os conduzirá às fontes da água da Vida”. Aonde nos conduzirá o Pastor? Que lugar é este, com tanta Vida e tanto frescor e consolação? Escutai a Palavra: “Aquele que está sentado no trono os abrigará na Sua tenda... E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos!” Eis, irmãos, aonde o Cristo imolado e ressuscitado nos conduz: à tenda do Coração do Pai, para nos aconchegar, para nos consolar, para nos enxugar as lágrimas, para nos dar a vida em abundância: “Meu Pai, que Me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa!”

É por isso, caríssimos, que a Páscoa de Cristo é também nossa: a Sua vitória é penhor da nossa, é certeza de nossa esperança agora e plenitude no Dia de Cristo nosso Senhor. Vivamos fielmente os combates do presente, deixemo-nos guiar pelo bom Pastor, lavemos nossas vestes no sangue do Cordeiro e sejamos herdeiros da Vida que Ele nos prepara. Ele, bendito pelos séculos dos séculos. Amém.


sábado, 4 de maio de 2019

Homilia para o III Domingo da Páscoa - ano c

At 5,27b-32.40b-41
Sl 29
Ap 5,11-14
Jo 21,1-19

A liturgia, neste santo Tempo Pascal, concentra nossa atenção Naquele que por nós morreu e ressuscitou; na Glória que Ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre!”
Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do Seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos Nele e para Ele; Ele é o referencial último e absoluto da nossa existência! Disto nos dá um eloquente exemplo o testemunho dos apóstolos diante do Sumo Sacerdote e do Sinédrio de Israel: “É preciso obedecer a Deus, antes que os homens! O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus; tornando-O Guia Supremo e Salvador”.

É este Jesus vitorioso, que vem ao encontro dos Seus às margens do Mar da Galileia; é este Senhor nosso que os apóstolos experimentam no Evangelho de hoje. Cada detalhe deste texto de João é cheio de significado. Vejamos: os apóstolos pescam e nada conseguem apanhar... A pescaria é imagem da ação missionária da Igreja, da sua missão inarredável de proclamar a todos os povos, a toda a humanidade, Jesus Cristo como único Senhor e Salvador. Sem o nosso Senhor e Salvador, estamos sozinhos, sem Jesus a pescaria é estéril, as tentativas são vãs... Sem Jesus, pescamos na noite escura… Mas, pela manhã, o Senhor vem ao encontro dos Seus. Notemos que os discípulos não conseguem reconhecer o Ressuscitado. Somente quando Cristo Se dá a conhecer é que os Seus conseguem compreender e experimentar Sua presença viva e atuante. E Jesus dá-Se a conhecer sempre na Palavra e no Pão partido, na refeição em comum, isto é, na Celebração Eucarística. É aqui, é agora, nesta Eucaristia sagrada, que o Senhor nos fala e parte o Pão conosco. Toda Celebração eucarística é celebração pascal, é encontro com o Ressuscitado! Como seria bom que, a cada Domingo, revivêssemos esta experiência, esta certeza da presença do Senhor vivo entre nós!

Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus. Este lhes ordenou: “Lançai a rede!” Eles a lançaram e já “não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes”. Notai, Irmãos: o Discípulo Amado, diante do sinal, reconhece o Ressuscitado: “É o Senhor!” Mas, é Simão Pedro, aquele que ama o Senhor mais que os outros, quem se faz ao mar, para encontrar Jesus. O Cristo ordena que arrastem a rede para a terra. Vede: o barco é um só, como uma só é a Igreja de Cristo; também a rede é uma só, como única é a obra da evangelização na Igreja: anunciar o Senhor Jesus Cristo, imolado e ressuscitado, único Salvador do mundo! E a rede não se rompe, apesar de cheia de 150 peixes grandes. O número é exagerado, significando a plenitude da obra evangelizadora. E, então, Jesus repete, diante dos discípulos, os gestos da Eucaristia: “tomou o pão e distribuiu entre eles”.

Depois, três vezes, o Ressuscitado pergunta a Pedro – e pergunta aos sucessores de Pedro, os Bispos de Roma, e a todos a quem chama a pastorear a Sua Igreja, sobretudo aos Bispos: “Simão, filho de João, tu Me amas mais do que estes?” Pedro responde que sim, e abandona-se no Senhor: “Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo!” Senhor, antes coloquei minha confiança em minhas próprias forças, em meu próprio amor e terminei Te traindo... Tu disseste que oravas por mim para que minha fé não desfalecesse, mas fui presunçoso, e contei mais com minhas forças que com Tua oração... Mas, agora, Te digo: “Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo”, apesar de minha fraqueza! É naquilo que Tu sabes, que Tu podes, que Tu em mim realizas que Te digo: amo-Te! - E três vezes, Jesus o incumbe, diante dos outros, de uma missão toda particular: “Apascenta as Minhas ovelhas!”
Que ninguém duvide – a menos que deseje fazer pouco da vontade do Senhor nosso – que Pedro não é o único, mas é o primeiro pastor do rebanho de Cristo. O rebanho é de Cristo, o Bom Pastor, e Cristo o confiou primeiramente a Pedro! Quem nega a necessidade da comunhão com o Sucessor de Pedro, certamente, age de modo contrário ao que Cristo desejou para a Sua Igreja e para Seus discípulos. De pouco adianta uma Bíblia debaixo do braço, se contrariando a Palavra de Deus, se nega a presença real do Cristo na Eucaristia (cf. Jo 6,53-57), o papel materno de Maria Virgem junto a cada discípulo amado do Senhor (cf. Jo 19,25-27), a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10,1-12), a sucessão apostólica e o papel de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo (cf. Mt 16,13-20)!
Estejamos atentos: não é a Pedro super-homem que o Senhor confia a Sua Igreja; mas a Pedro frágil, a Pedro que O negou, a Pedro humilhado, a Pedro que pode servir até de pedra de tropeço porque pensa como os homens e não como Deus (cf. Mt 16,23), a Pedro que precisou ser repreendido por Paulo com firmeza “porque estava se comportando de modo censurável” (Gl 2,11).
Pedro é a pedra da Igreja, mas a Rocha inabalável é somente Cristo: só Ele é o Mestre, só Ele é o Guia (cf. Mt 23,8-10)! A Igreja é de Cristo, não de Pedro, não dos apóstolos! É de Cristo, não nossa! E Cristo convida a Pedro, aos apóstolos todos e a cada um de nós a segui-Lo até o martírio, até levantar as mãos na cruz, dando a vida por Ele e como Ele...

Assim foi com Pedro, assim com os discípulos, assim, agora, conosco... Não tenhamos medo! É possível que muitas vezes nos sintamos sozinhos, desamparados, pescando numa pescaria estéril de noite escura... Coragem: o Senhor está conosco: é Ele quem nos manda à pesca, é Ele quem pode encher nossas redes e dá-lhes consistência para que não se rompam, é Ele quem nos revela Sua presença e nos enche de coragem!
Recordemos dos nossos primórdios, da fidelidade e da coragem dos santos apóstolos que se sentiam “contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do Nome de Jesus”. É que eles sabiam por experiência que o Senhor estava vivo, que o Senhor caminhava com eles. Também nós, hoje, podemos escutá-Lo nas Escrituras e reconhecê-Lo entre nós no Pão partido da Eucaristia. É este Jesus que nos envia à pesca, é este Jesus que caminhará sempre com Sua Igreja, nossa Mãe católica, até o fim dos tempos!

A ele a glória e o louvor, a adoração, a riqueza e a sabedoria, a força e a honra para sempre. Amém.