quinta-feira, 4 de abril de 2019

O caminho para a Páscoa na Liturgia da Palavra (IV)

Jo 5,31-47

A liturgia desta reta final da Quaresma centra nossa atenção no Salvador nosso Jesus Cristo e na Sua peleja com os judeus: “Veio para o que era Seu e os Seus não o receberam” (Jo 1,11). Isto se mostra de modo dramático no Evangelho segundo João.

Na disputa do Enviado do Pai com os judeus que não O reconhecem, o Senhor apresenta hoje Suas testemunhas: 

Primeiro: João Batista: ele deveria ter sido acolhido por Israel como uma lâmpada que ilumina a estrada até Cristo. Por um momento, Israel o ouviu, mas, ao fim, o rejeitou! Não aceitou o seu testemunho!

Segundo: As obras, os sinais que o Senhor Jesus realizou. Todos os milagres de Cristo tinham um significado prefigurado, anunciado no Antigo Testamento: curou cegos porque era a Luz, limpou leprosos porque nos purifica dos pecados, fez coxos andarem porque nos liberta dos aleijões do coração, expulsou demônios porque trazendo o Reino de Deus destruiu o poderio do reino de Satanás e seus demônios, multiplicou os pães porque é maior que Moisés que deu o maná, transformou água em vinho porque superou a Antiga Aliança dando o bom vinho do Espírito da Nova e Eterna Aliança, ressuscitou mortos porque Ele mesmo é a Ressurreição prometida pela Antiga Aliança... Tantas obras; e Israel não quis ver, vendo não quis compreender, compreendendo, não quis acolher!

Terceiro: O próprio Pai, a Quem Israel chama Senhor-Adonai, o Santo de Israel: Ele deu testemunho de Jesus no Jordão, no Tabor, no Templo! Mas, Israel não quis saber de ouvir, de ponderar, de se perguntar ao menos pelo significado de Jesus de Nazaré. O fechamento foi duro, total, teimoso, persistente!

Quarto: As Santas Escrituras de Israel, de modo geral. Todos os profetas, todos os livros das Escrituras, todos os Salmos, direta ou indiretamente, apontavam para o Messias, e tinham marcas, intuições, lampejos, afirmações veladas ou claras sobre o Cristo e Seu mistério. Israel perscrutava as Escrituras, mas ficou e permanece na letra; é incapaz de lê-las e ouvi-las no Espírito! A queixa do Senhor nosso é clara: “Vós não quereis vir a Mim para terdes a Vida”. Israel prefere ficar na letra da Lei de Moisés, nos preceitos e práticas das tradições rabínicas... A vitalidade da Aliança degenerou em rabinismo fossilizado e pesado!

Quinto: O próprio Moisés, por quem foi dada a Lei a Israel! A afirmação do Senhor é tremenda: “Há outro que vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança!” A esperança de Israel deveria ser no Senhor Deus e no Seu Messias! Israel para em Moisés, apega-se à Lei, coloca sua esperança nos seus preceitos interpretados e multiplicados pelos rabinos!

É esta misteriosa rejeição, esta cegueira, esta dureza, esta tendência que Israel sempre teve de fazer do seu modo, de reduzir à sua medida o desígnio amplo do Senhor Deus de salvar toda a humanidade e chamar os gentios à Aliança; o tremendo engano de confundir Reino de Deus com reino do Povo de Deus... Foi este triste caldo que, ao fim das contas, fez Israel rejeitar o seu Messias e entregá-Lo aos gentios, aos romanos.

Estejamos atentos, porque também nós somos tentados a esta mesma dinâmica perversa de manipular o plano de Deus, de desfigurar a imagem do santo Messias do Pai! O resultado será sempre trágico: mataremos o Senhor em nós... Mas, quando O matamos, nós mesmos morremos! Quanto a Ele, é o Vivente, Imortal pelos séculos dos séculos! Amém.


Retiro Quaresmal - A liberdade para a qual Cristo nos libertou

Meditação XXV - quinta-feira da IV semana da Quaresma

Reze o Salmo 118/119,25-32
Leia Gl 4,12-20

1. Esta perícope tem um sabor bem afetivo, marcado por recordações pessoais: o Apóstolo tenta reconquistar os gálatas para o Evangelho genuíno. No v. 12, ele afirma que se tornou como os gálatas, que eram gentios e não tinham a Lei de Moisés: São Paulo, judeu, fariseu estudado e zeloso da Lei e das tradições judaicas, deixou tudo, tudo considerou perda por causa de Cristo. Agora ele vive sem a Lei de Moisés, livre das observâncias minuciosas que sempre praticara quando vivia como fariseu. É difícil, para nós imaginar isto, mas Cristo foi, realmente, uma revolução na vida do Apóstolo. Por causa do Senhor, ele mudou totalmente seu modo de viver, colocando-se, agora, totalmente a serviço do Evangelho. Não deixa de ser comovente o testemunho do Apóstolo!
Leia o comovente e apaixonado texto de Fl 3,2-16. Como Cristo transformou Paulo, como a adesão a Cristo o colocou em crise! Como o Apóstolo correspondeu de modo generoso e total à graça que recebeu! E você? O que mudou por Cristo? O que perdeu? O que está disposto a mudar? Não se pode ser cristão sem mudar de vida por cristo! Não se pode dizer que ama a Cristo sem perder nada por Ele? Você O ama? Mesmo?!
Veja também 1Cor 9,19-23. Procure refletir sobre este dom que São Paulo recebeu: a capacidade de sair de si, de fazer-se tudo para todos por causa de Cristo!

2. Paulo, de modo emotivo, quase que implorando, convida os gálatas a deixarem para trás o apego à letra da Lei de Moisés, como ele próprio deixara: “Que vos torneis como eu, pois eu também me tornei como vós!” (v. 12). O Apóstolo não mais procurou segurança na observância da Lei de Moisés, no fato de ser judeu ou fariseu, mas somente em Cristo! Caminhar com Cristo é apoiar-se somente Nele, somente Nele procurando a segurança e Dele somente fazendo o tesouro de sua própria vida. Leia Rm 10,1-13.

3. Uma outra realidade admirável aqui é o coração de pastor que São Paulo tem: como sabe sair de si pelo bem do rebanho, como sabe esquecer-se dos seus interesses e comodidades para ganhar o rebanho para o Cristo continuamente. Não é o rebanho que o serve, mas ele que serve o rebanho, como o Senhor! Leia Mt 20,24-28; Jo 13,1-17; 2Cor 12,14b-15.
Os gálatas foram ingratos e cruéis com Paulo e, no entanto, o santo Apóstolo não leva as coisas para o lado pessoal, para uma questão de honra: “Em nada vós me ofendestes!” (v. 12b). Ele não está sentido porque fora traído pelos gálatas, que esqueceram do que ele lhes ensinara, desconfiaram da verdade da sua pregação e rapidinho se bandearam para outros mestres que chegaram ensinando doutrinas contrárias a de Paulo e desfazendo do trabalho do Apóstolo... A questão, para o Apóstolo, não é pessoal; trata-se, antes de mais nada, da integridade do Evangelho de Cristo e do bem espiritual dos gálatas!

4. Nos vv. 13-15, Paulo recorda as vezes em que esteve na Galácia, como fora bem recebido na primeira vez que lá estivera, apesar da situação difícil e talvez repugnante em que se encontrava, causada por uma doença. Os gálatas receberam-no bem, como a um anjo de Deus; fizeram o possível e o impossível por ele. Entre o Apóstolo e os fieis gálatas nascera o belo afeto que devia haver entre o pastor e o rebanho. E agora, de repente, suas ovelhas, seus gálatas, dão-lhe as coisas e vão atrás de mestres estranhos, que não queriam outra coisa que o prestígio de ter a quem manipular, de ter plateia! Paulo sofre!
Pense um pouco: na Igreja, quantas vezes experimentamos crises de relacionamento, ingratidões, injustiças... Recorde as decepções que você já teve com a Igreja e na Igreja... E, no entanto, o amor de Cristo fez Paulo permanecer e deverá também fazer você permanecer! É por causa de Cristo, é em Cristo, é com Cristo!“Senhor, a quem iremos? Só Tu tens palavras de Vida eterna!” (Jo 6,68)

5. Agora, a exclamação que é uma belíssima explosão de afeto do coração de um verdadeiro pastor: “Meus filhos, por quem sofro de novo as dores do parto até que Cristo seja formado em vós” (v. 19) Eis aqui: ser verdadeiramente pastor, condutor fiel do rebanho de Cristo e “administrador dos mistérios de Cristo” (1Cor 4,1) tem um custo alto! O verdadeiro pastor não é frio, distante; não é um mercenário que não se incomoda pelas ovelhas! Ele tem entranhas de misericórdia, ele, conhece as ovelhas, sofre por elas, com elas se envolve porque são de Cristo, o Bom Pastor, e, como Ele, tudo quanto o pastor fiel deseja é poder dizer: “Não perdi nenhum dos que me deste!” (Jo 18,9)
Reze pelos pastores da Igreja! Reze! Que, nestes tempos tão difíceis, eles sejam fieis a Cristo, fieis ao rebanho, fieis no ensino da verdadeira e perene doutrina católica, capazes de apascentar guiados pelo Evangelho e não por ideologias mundanas nem pelos próprios interesses! Que o Senhor dê à Sua Igreja pastores que não escandalizem, não dividam, não se coloquem acima do rebanho ou, pior ainda, contra o rebanho! Que o Senhor nos dê pastores segundo o Seu Coração (cf. Jr 3,15).

6. Por fim, todo o sofrimento e perplexidade de Paulo com os gálatas aparecem em duas frases dele: “Então, dizendo-vos a verdade, tornei-me vosso inimigo?” (v.16) O verdadeiro pastor não é um “cão mudo”,não cala a verdade de Cristo, mesmo que doa, mesmo que isto lhe traga dificuldades e incompreensões. O verdadeiro pastor não procura os seus interesses, mas os de Jesus Cristo! Leia Is 56,10 – 57,2.
Finalmente, o desabafo sofrido, quase no limite das possibilidades: “Não sei que atitude tomar a vosso respeito” (v. 20).Quantas vezes no ministério de pastor e na vida de todos nós encontramo-nos em situações assim: não saber que caminho seguir. Qual a solução? Rezar, colocar nossa causa diante do Senhor! Muitas vezes o Apóstolo rezou pelos fieis que lhe foram confiados (cf. Fl 1,3; Ef 1,16; Fm 4-5). E você, nos momentos difíceis e incertos, o que faz? Sabe derramar o coração diante de Deus? Reza? Confia? Espera no Senhor? Pense nisto!

7. Reze o Sl 22/23. Coloque no Senhor a sua confiança!


quarta-feira, 3 de abril de 2019

O caminho para a Páscoa na Liturgia da Palavra (III)

Jo 5,17-30

A perícope do Evangelho da Missa de hoje continua o tenso diálogo do Senhor Jesus com os judeus. Nosso Senhor diz coisas impressionantes:

a) “O Meu Pai trabalha sempre e Eu também trabalho”.  Quem, jamais, ousaria fazer-se assim um com o Deus um e único de Israel? O Senhor Jesus apresenta-Se em perfeita e total unidade de ação com o Pai, com tal comunhão de igualdade com Deus – a Quem Ele, ousadamente, chama de “Meu Pai”, - que espanta, desconcerta e escandaliza os judeus! O grande problema é que os judeus querem enquadrar o Senhor nos limites estreitos do judaísmo! Ora, o Cristo Senhor nem de longe cabe aí, nesses limites!

b) Veja o v. 18: os judeus percebem bem, têm razão: Jesus nosso Senhor faz-Se sim igual a Deus! Totalmente no nível de autoridade e ação do próprio Deus! Leia o v. 20! Quem conhece os evangelhos e o Novo Testamento jamais poderá negar que aí está claramente afirmado que o Senhor Jesus é Deus bendito, igual ao Pai! Ele é a manifestação do Pai, o acesso ao Pai neste mundo! É isto que os judeus não aceitaram e não querem aceitar ainda hoje: foi esta pretensão que levou Jesus à morte: “Por isso, os judeus mais ainda procuravam matá-Lo!” (v. 18)

c) Que coisas maiores o Pai mostrará ao Filho: o poder de ressuscitar os mortos e o poder de julgar todo homem que vem a este mundo!

d) Primeiro o poder de ressuscitar os mortos. Ele ressuscita espiritualmente, já agora, nesta vida, todo aquele que Nele crê. Mais, ainda: aquele que crê no Filho já agora, será por Ele ressuscitado para a Vida eterna quando da ressurreição final, no Último Dia! O Filho é o critério do nosso destino, do destino de todo homem que vem a este mundo: quem crê Nele ressuscitará para a Vida; quem não crê ressuscitará para a Morte eterna! E aqui não há apelo!

e) O critério do julgamento é Jesus nosso Senhor: Ele recebeu do Pai o poder de julgar porque é Filho do Homem, isto é, porque, feito homem frágil, feito um de nós, sofreu o que sofremos, como nós foi tentado e na Cruz morreu! Ele é nosso juiz porque veio viver a nossa aventura!

f) O Filho é o critério do julgamento porque é todo para o Pai, não age segundo a Sua vontade de modo autônomo, mas faz somente o que escuta do Pai!

Como não adorar o Senhor? Cristo Santo de Deus, Jesus, Senhor, tem piedade de mim, pecador! Dá-me a Vida que está em Ti, que és Tu, que vem do Pai! Tem piedade de mim no Dia da Ressurreição! Jesus, lembra de mim quando vieres com Teu Reino!


terça-feira, 2 de abril de 2019

Retiro Quaresmal - A liberdade para a qual Cristo nos libertou

Meditação XXIV - quarta-feira da IV semana da Quaresma

Reze o Salmo 118/119,17-24
Leia Gl 4,8-11

1. Neste ponto, o Apóstolo volta a interpelar diretamente os gálatas: quando eles eram ainda pagãos, não conheciam o Deus verdadeiro, o Deus de Israel, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; serviam aos ídolos, a falsos deuses, frutos da saudade que o homem tem do Infinito, mas também das paixões enganos humanos (cf. Rm 1,18-25). Isto vale plenamente ainda hoje para os pagãos dos nossos dias: não conhecem a Deus, vivem na ilusão de ideologias e paixões e, mesmo os que têm boa vontade, caem nas armadilhas de uma racionalidade presa nas suas próprias medidas. Os pagãos todos são homens carnais ou, na melhor das hipóteses, homens psíquicos. Somente em Cristo, sendo batizados e se deixando guiar pelo Espírito de Cristo, tornam-se homens espirituados ou espirituais (cf. 1Cor 2,12-15; Gl 5,16-21)! É triste, mas aqueles que não servem ao Deus verdadeiro, servem à mentira e à ilusão! Que fique bem claro: o respeito profundo que devemos a todas as pessoas e às suas convicções religiosas, filosóficas e de consciência não devem obscurecer em nós a clareza da verdade e da unicidade do Deus vivo e verdadeiro, revelado por Jesus nosso Senhor na força do Seu Espírito (cf. 1Cor 8,5s)!

2. No v. 9, São Paulo coloca um “mas agora”...Os gálatas conheceram o Cristo pelo Evangelho de Paulo; converteram-se ao Senhor; tudo mudou: “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura!” (2Cor 5,17) Em Cristo, os gálatas conheceram o Deus verdadeiro (cf. Jo 4,22; 1Ts 1,9); mais ainda: foram conhecidos por Ele! Em outras palavras: antes mesmo que eles acolhessem a pregação, Deus os procurou. Leia Jo 6,44-47; 12,31s... Aparece aqui, de modo belo a gratuidade do Senhor que vem a nós por pura iniciativa de graça e nos atrai a Si (cf. Ef 2,1-10).
Pense um pouco: se cremos, é por graça de Deus; Ele nos atraiu a Si, Ele nos concedeu o maravilhoso dom da fé! Reze, agradeça, peça ao Senhor que sustente e aumente a sua fé. Reze o Sl 118/119,169-176... Reze também o Sl 138/139.

3. “Como é possível voltardes novamente a esses fracos e miseráveis elementos aos quais vos quereis escravizar outra vez? Observais cuidadosamente dias, meses, estações, anos!” (vv. 9b-10). São Paulo se escandaliza com os gálatas! Eles nem judeus eram – nunca o foram! Como, então, depois de terem conhecido a Cristo, depois de terem recebido o Espírito de Cristo no Batismo, depois de terem experimentado a força e os dons do Espírito, como podem agarrar-se à Lei de Moisés (cf. Gl 3,3-5)? Como podem, depois de experimentarem o Espírito do Cristo colocarem-se debaixo de uma Lei dada por anjos, como já vimos anteriormente na meditação XV, tópico 3 (cf. Gl 3,19-21)? Como podem dar valor às observâncias judaicas: guardar o sábado, o Dia da Expiação, as luas novas mensais, as festas judaicas, a distinção entre alimentos puros e impuros, as proibições da Lei de Moisés? Tudo isto passou! Leia atentamente Cl 2,16-23.
Atenção: no cristianismo, existem sim práticas de piedade, mas nada é absoluto em si: tudo somente tem valor se remeter a Cristo e a salvação por Ele trazida! O cristão está totalmente livre das práticas de Lei de Moisés. É um lamentável engano e um sinal de supina ignorância a volta ao Antigo Testamento e a certas práticas que vemos em tantas seitas pentecostais. E se vangloriam disto gritando: “É bíblico! É bíblico!” Não! É somente volta a práticas totalmente superadas em Cristo Jesus! Como já afirmei tantas vezes, o Antigo Testamento somente pode ser compreendido no seu valor e no seu limite se for lido e interpretado à luz do Cristo!

4. Por fim, o Apóstolo desabafa: “Receio ter-me afadigado em vão por vós!” (v. 11) É o grito amoroso de um pai na fé que sofre por ver seus filhos em Cristo se desviarem por doutrinas erradas e enganosas, por novidades que não condizem com a pregação apostólica (cf. 2Tm 4,1-4). Quanto disto nós vemos hoje em dia: séculos depois de pregação apostólica ininterrupta, as interpretações arbitrárias, rasas e fundamentalistas das Escrituras levando tantos insensatos a erros grosseiros... Deixam de lado a fé apostólica, o ensinamento dos Santos Padres da Igreja dos primeiros séculos, a segura e firme doutrina espiritual dos grandes místicos cristãos de todos os séculos, o magistério constante da Igreja, tudo isto selado pelo sangue de tantos mártires, para irem atrás de qualquer pregador de qualquer doutrina exótica, agarrados à letra da Escritura e perdendo de vista o Espírito de Cristo que a inspirou a guia a Igreja na sua interpretação! Como vale aqui aquela palavra da própria Escritura: “Foi Ele quem nos tornou aptos para sermos ministros de uma Aliança nova, não da letra, mas sim do Espírito, pois a letra mata, mas o Espírito comunica a Vida” (1Cor 3,6).

5. Reze o texto de Is 49,1-4. Este texto refere-se primeiramente ao Servo Sofredor, que é o Cristo; mas, pode ser aplicado a todos os que, unidos ao Cristo, servem ao Reino de Deus. Os vv. 1-4 exprimem bem o trabalho e desilusões do Apóstolo São Paulo.
Pensando nos pagãos, que seguem sua própria medida de racionalidade, medite e reze Sb 9,13-18.


O caminho para a Páscoa na Liturgia da Palavra (II)

 Jo 5,1-16

Esta perícope de hoje mostra o Senhor Jesus como aquele que dá vida. Ele nos cura, cura a humanidade que, como aquele paralítico, não tinha ninguém por ela. “Queres ficar curado?” – ainda hoje o Senhor nos faz esta pergunta. Ele pode nos curar!

Ainda hoje, o Senhor nos diz: “Levanta-te, toma o teu leito e anda!” Ele sim, pode nos arrancar do aleijão dos nossos pecados, das peias que nos prendem e escravizam, imobilizando-nos no caminho para a Vida!

Todo aquele que crê no Senhor e desce às águas do Batismo e alimenta-se do maná da Eucaristia, é curado da sua situação de pecado para viver uma Vida nova em Cristo. Mas, há sempre o perigo de sermos infiéis, de voltarmos atrás. A vida em Cristo, neste mundo, nunca será uma posse, um direito adquirido, mas uma luta de todo dia, sustentados pela graça de Deus! Por isso mesmo, a severa advertência do Senhor: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior!” Sim! Pior que o aleijão físico é perder o Senhor, é virar-Lhe as costas e renegá-Lo na nossa vida! E isto é sempre um perigo para todos nós! Por isso, é necessário rezar, vigiar, procurar sempre de novo o caminho da conversão!

Este Evangelho de hoje marca o início das hostilidades dos judeus para com Jesus. Várias vezes, eles procurarão O desafiarão matá-Lo (cf. Jo 5,10.15; 6,41.52; 7,15.35; 8,22.31.48.57; 10,19.24.33; 11,54) porque o Senhor não Se encaixa nos limites apertados das normas judaicas e sua visão estreita da Lei! Ele é maior que o judaísmo e suas instituições, como o sábado... Não há acordo entre a visão limitada do judaísmo e a novidade que Jesus veio trazer! A estreiteza dos judeus torna-os incapazes de se perguntarem como o Senhor Jesus pode realizar milagres mesmo no sábado, torna-os incapazes de se alegrarem porque o Senhor Deus permitiu que um filho de Abraão fosse curado... Só a Lei interessa, só as normas, só os preceitos, somente a interpretação rabínica estrita da Lei... Mas, assim, a Lei que veio anunciar a Vida, torna-se instrumento de morte, torna-se fardo insuportável!

Uma coisa que chama atenção é que o homem curado vai aos judeus e como que denuncia Jesus! Como os cristãos que ainda querem voltar à Lei de Moisés. Sobre isto, estamos meditando na Epístola aos Gálatas, no Retiro Quaresmal...

Cuidado! Fomos curados pelo Senhor Jesus! Cuidado para que não voltemos à velhice do pecado! Cuidado para não receber em vão a graça de Deus e, assim, terminemos pior que antes! A falta de fé e a dureza de coração levarão Jesus nosso Senhor à morte... É o que acompanharemos nestes dias, seguindo o Evangelho de João...



segunda-feira, 1 de abril de 2019

Retiro Quaresmal - A liberdade para a qual Cristo nos libertou

Meditação XXIII - terça-feira da IV semana da Quaresma

Reze o Salmo 118/119,9-16
Retornemos ao texto que estávamos meditando. Leia Gl 4,1-7

1. “Enviou Deus o Seu Filho!” A bendita Vinda do Filho de Deus entre nós, pelo mistério da Encarnação, é a chegada da plenitude dos tempos! Deus sempre procurara os homens, pois nos criou para Ele, Dele sedentos (cf. Sl 62/63). O Senhor Deus veio ao nosso encontro já quando nos criou, dando-nos sede Dele, depois, falando ao Povo de Israel, preparando tudo para a plenitude dos tempos, quando Ele mesmo viria, pessoalmente, no Filho Jesus Cristo.
Leia Hb 1,1s e Mt 21, 33-44: nos dois textos aparece como a vinda do Cristo é de uma qualidade e de uma importância totalmente diferente do que Deus fizera antes: agora é o próprio Filho, um com o Pai (cf. Jo 10,30)!
O desenvolvimento do plano da salvação no tempo é o que chamamos de economia da salvação e ela chega à sua plenitude com a Vinda de Nosso Senhor, como chegará à sua consumação no Dia de Cristo, no Dia Final, da Glória eterna.

2. São Paulo deseja mostrar aos gálatas que a vinda do Senhor a este mundo inaugura um tempo novo, um novo e definitivo estágio na economia da salvação: Deus enviou o próprio Filho! Ele, o Prometido, Ele mesmo, “que é, acima de tudo, Deus bendito pelos séculos” (Rm 9,5), veio debaixo da Lei, como vimos na meditação passada, para “resgatar os que estavam sob a Lei” (v. 5), isto é, tanto sob o fardo da Lei de Moisés (os judeus) quanto sob o fardo da lei do pecado (os gentios). Assim, Cristo é o salvador, o libertador de todos os homens, de todos os fardos! Leia Lc 4,16-22 e releia o importantíssimo texto de Rm 3,21-27.

3. Como o Senhor nos resgata do fardo da Lei? Cumprindo tudo quanto as Escrituras de Israel predisseram da parte do Senhor Deus (cf. Lc 24,25-27; 2Cor 1,18-20; Ap 3,14): o Filho eterno do Pai, verdadeiro Deus com o Pai e como o Pai, verdadeiramente feito homem, como homem tomou nossos pecados e, num ato de total obediência ao Pai, como Isaac (cf. Gn 22,1-2.9-10; Rm 8,32), entregou-Se em sacrifício de amor ao Pai pelos nossos pecados (cf. Jo 14,31; Gl 2,20), em nosso nome, rasgando “o documento” que nos acusava (cf. Cl 2,14). Crendo em Cristo e Nele sendo batizados, morremos com Ele e estamos livres dos preceitos da Lei de Moisés e da tirania da lei do pecado e da morte, já que, aqueles que morrem ficam livres de quaisquer dívidas ou acusações! Ainda no Batismo, ressuscitando com Cristo, passamos a viver uma Vida nova, não mais debaixo do fardo da Lei de Moisés ou da lei do pecado, mas sob o leve e suave fardo do Espírito do Cristo Jesus, Espírito de amor, que nos faz viver uma Vida nova que produz frutos novos (cf. Jo 15,1-8; Gl 5,16-24).
Leia atentamente Cl 2,11-14 e Rm 8,1-12. São textos que já foram lidos aqui, mas aos quais é necessário retornar sempre, descobrindo neles sempre novas perspectivas e riquezas!

4. Vamos adiante! O Filho foi enviado por Deus, o Pai, nascido de mulher (verdadeiramente humano), nascido sob a Lei de Moisés (verdadeiramente judeu) – cf. Lc 3,23.34.38 –, para resgatar a todos “a fim de que recebêssemos a adoção filial” (v. 5)! Eis o motivo da Vinda do Filho: dá a todos a graça de serem tornados verdadeiramente filhos do Deus e Pai de Jesus Cristo, o verdadeiro Isaac! Atenção, que esta afirmação é central no cristianismo! Aprofundemo-la um pouco...

a) Por natureza, somos criaturas de Deus, por Ele amados. Como já expus numa anterior meditação, já que tudo foi criado pelo Pai através do Filho e para o Filho no Espírito (cf. Jo 1,3; Cl 1,15s; 1Cor 8,6) certamente toda a criação é continuamente sustentada pelo Espírito do Pai e toda ela tem algo de filial, tem o que poderíamos chamar de filialidade. Assim sendo, toda a criação é, de certo modo, naturalmente, filha de Deus, pois Ele é criador, sustentador, provedor, cuidador, protetor... Neste sentido, todo homem e toda criatura é “filha de Deus” e Deus é pai (com minúscula) de toda a criação e de toda a humanidade. Mas, não é disto nem é neste sentido que o Novo Testamento fala em filiação divina; não no sentido de filialidade! Convém notar ainda que as Escrituras não apreciam muito esta ideia de Deus ser pai da criação para não dar a entender que Deus Se mistura com o mundo ou que o mundo seja divino, seja da natureza de Deus.

b) Também é importante ressaltar que a humanidade, criada em filialidade, por causa do pecado, está debaixo da ruptura com Deus, a ponto de São Paulo afirmar sem meias palavras: “Vós estáveis mortos em vossos delitos e pecados. Nele vivíeis outrora, conforme a índole deste mundo, conforme o Príncipe do poder do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Com eles, nós também andávamos outrora nos desejos de nossa carne, satisfazendo as vontades da carne e os seus impulsos, e éramos por natureza como os demais, filhos da ira” (Ef 2,1-3). Aqui, é necessário ser sério e fiel à Palavra de Deus: o ser humano, por si só, por natureza, tornou-se “filho da ira” e não tem a filiação por adoção em Cristo! Esta é e será sempre a nossa fé! A filiação somente nos é dada pela adesão a Jesus Cristo e o Batismo no Seu Espírito! Não há outro meio: “Todos pecaram e todos estão privados da Glória de Deus e são justificados gratuitamente, por Sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus” (Rm 3,23s). Por isso mesmo a urgência missionária de proclamar o Nome de Jesus Cristo, fazendo discípulos Seus em todas as nações (cf. Mt 28,18-20; Mc 16,15; 1Cor 9,16; 1Jo 1,1-4). Esta ordem a Igreja recebeu do Senhor e jamais poderá transcurá-la sob pena gravíssima de pecado, de infidelidade, de perder sua razão de ser! A Igreja a ninguém poderá negar ou omitir jamais e sob hipótese alguma o anúncio do Nome de Jesus como Cristo de Deus e único Salvador da humanidade (cf. At 4,12)!

c) O Deus Uno e Trino criou o homem para muito mais que uma relação de filialidade. O destino de todo o ser humano é receber no seu íntimo o Espírito do Filho Jesus Cristo feito homem, imolado e ressuscitado, tornando-se realmente filho de Deus, por graça absoluta da salvação obtida pelo Filho, e não só pela própria graça da criação. É disto que se trata no Novo Testamento quando se fala em adoção filial. Esta adoção é real, eficaz, fazendo-nos realmente participantes da natureza divina! E isto somente se obtém pela fé em Jesus Cristo e o Batismo no Seu Espírito de Filho. Leia At 2,37-41; 4,10-12; 15,13-18; 17,22-31; 26,17-18.

d) É importante compreender a palavra adoção como São Paulo a imagina: não como uma filiação postiça, mas uma filiação real (cf. 1Jo 3,1), que dá ao que foi adotado o nome daquele que o adotou e todos os direitos legais de herança e demais aspectos de um filho natural! Somente assim, o homem atinge o fim para o qual fora criado: chegar à plena comunhão com o Deus Uno e Trino, tornando-se filho do Pai através do Filho Unigênito, feito Primogênito de muitos irmãos, no Espírito Santo que Ele, imolado e ressuscitado derramou e derramará sempre sobre os que Nele crerem quando do Sacramento do Batismo (cf. Ef 1,3-5.13-14; Tt 3,4-7). Por isso mesmo a afirmação exultante do Apóstolo: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez realidade nova. Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou Consigo por Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação. Pois era Deus que em Cristo reconciliava o mundo consigo, não imputando aos homens e pondo em nós a palavra da reconciliação” (2Cor 5,17-19).

5. Como eu já expliquei várias vezes, é no Espírito Santo do Filho que somos tornados filhos no Filho. Este Espírito é derramado no Batismo (cf. Jo 3,5s; Tt 3,4-7). É o que diz o santo Apóstolo aos gálatas: “Porque sois filhos– isto é, para que sejais filhos –, enviou Deus aos nossos corações o Espírito do Seu Filho, que clama: Abbá, Pai!” (v. 6). É o mesmo pensamento expresso em Rm 8,15-16. Por favor, leia atentamente este texto antes de seguir adiante!
É impressionante que tanto na Carta aos Gálatas como na Epístola aos Romanos, o Apóstolo, ao falar da filiação, utilize a palavra aramaica Abbá para referir-se ao Pai de Jesus Cristo. Ora, Abbá era o mesmíssimo modo com que o Senhor Jesus, nos dias de Sua vida entre nós, referia-Se ao Seu Pai do Céu (cf. Mc 14,36). O significado é profundo: batizado no Santo Espírito de Cristo, o discípulo entra realmente na relação filial que Jesus Cristo nosso Senhor tem com o Seu Pai. A filiação divina que somente o Senhor Jesus Cristo tem por natureza, nós temos verdadeiramente por graça. Por isso, após a Ressurreição, o Senhor nos chama de irmãos (cf. Mt 28,10; Jo 20,17) e, de Unigênito do Pai (cf. Jo 1,14.18; 3,16.18; 1Jo 4,9), torna-Se “o Primogênito de muitos irmãos” (Rm 8,29s)!

6. Finalmente, a bela, emocionante, consoladora e intensa conclusão: “De modo que já não és escravo, mas filho. E se és filho, és também herdeiro, graças a Deus!” (v. 7) Aquele que crê em Jesus como o Cristo de Deus recebe o Batismo no Espírito do Filho e deixa de estar sob a Lei de Moisés e sob a lei do pecado (cf. Rm 8,2)! Agora, já não é escravo e, tendo recebido a adoção filial é tornado, realmente, filho no Filho (cf. Rm 8,14s)! Sendo Filho, está livre das observâncias da Lei de Moisés e de ser escravo das paixões pecaminosas dos pagãos, que não conhecem a Deus (cf. Cl 3,5-11)! Sendo Filho é herdeiro com Cristo, herdeiro da Vida divina, herdeiro da plenitude do Reino de Deus, herdeiro do Céu! É isto! O que poderia o homem esperar mais que isto: ter a Vida mesma de Deus em plenitude e por toda a eternidade? (cf. Rm 6,20-23; 8,11; Ef 2,5-10) E tudo isto por pura graça de Deus e não em virtude das observâncias legais os preceitos da Lei de Moisés!

7. Basta, por agora! Procure reler e meditar e rezar... Se desejar, reze o Sl 137/138.



O caminho para a Páscoa na Liturgia da Palavra (I)

Entramos, hoje, na segunda parte do Tempo da Quaresma. As orações e leituras enfatizarão cada vez mais o próprio Cristo Jesus no Seu caminho até a Paixão e Morte de Cruz, da qual o Pai ressuscitá-Lo-á.

A partir de hoje, proponho que, ao lado do Retiro Quaresmal, sigamos o Senhor Jesus nas perícopes do Evangelho de cada dia. Veremos, sobretudo em São João, a tensão crescente entre o Senhor Jesus e os judeus, que não O aceitam como Messias, pois Ele não corresponde ao padrão, à expectativa de messias que eles tinham!

É um perigo tremendo: não acolher o Senhor Jesus como Ele é, mas desejar um Messias de encomenda, ao gosto nosso e do mundo... Tão tentador isto, hoje, na Igreja... Perigo tremendo, infidelidade extrema... Termina por matar o Senhor no nosso coração...

Jo 4,43-54

Jesus voltou à Galileia. Fora rejeitado em Jerusalém, na Casa do Seu Pai (cf. Jo 2,16). Ali, Ele já fizera alusão à Sua Morte, falando do templo do Seu corpo, que seria destruído devido à incredulidade dos judeus (cf. Jo 2,19-21).
Na verdade, o Senhor deixara Jerusalém desiludido com a incredulidade dos judeus: “Um profeta não é estimado em sua própria terra” (v. 44). Ele, aqui, Se refere a Jerusalém, onde está a Casa do Seu Pai, onde, espiritualmente, todo judeu nasce: “Todo homem ali nasceu; todos têm sua morada em ti” (Sl 86/87,5.7). É esta dureza, esta incredulidade que levará o Senhor à morte! Não deixa de ser impressionante e um grave alerta para nós o fato de os judeus, como totalidade, ainda hoje rejeitarem vigorosamente a Jesus como o Messias: “Um profeta não é estimado em sua própria terra!”

Será que nós, que eu e você, estimamos realmente o Senhor Jesus? Amamo-Lo? Não aconteça que terminemos por matá-Lo também! A descrença mata, mata primeiramente no coração, na vida concreta...

Chegado à Galileia, o Senhor vai a Caná e vem-Lhe ao encontro o Oficial de Herodes. Pede-Lhe a cura do filho que estava às portas da morte, como nós, como a humanidade sem Deus, metida no seu pecado!

O Senhor Jesus prova a fé do homem: “Se não virdes sinais e prodígios não crereis!” (v. 48). Não é assim ainda hoje? Nunca esqueçamos: uma fé baseada em sinais e prodígios é imatura, é frágil! Nem sempre o Senhor Deus fará sinais ou prodígios... Devemos crer simplesmente porque o Senhor é fiel: “Ele pode me matar: mas não tenho outra esperança senão defender diante Dele a minha conduta!” (Jo 13,15). Ainda que Ele me mate, eu esperarei Nele – eis a atitude do verdadeiro fiel!

O homem insiste com fé, do fundo da sua angústia: “Senhor, desce, antes que me filho morra!” O Senhor desce sim até nossa pobreza, até nossa miséria, até nosso pecado! Desce para que não morramos!
Nesta Quaresma, mais uma vez, Ele desce na misericórdia, no perdão, na compaixão, para nos salvar! – Senhor, desce para que não morramos no nosso pecado!

E o Senhor desceu na Sua compaixão, na Sua misericórdia, no Seu amor: “Vai! Teu filho vive!” Bastou uma palavra e a vida inundou o filho daquele homem! A palavra do Senhor é eficaz, é criadora e recriadora, é capaz de transformar o nosso coração e fecundar a nossa vida carcomida de morte pelo pecado, pela frieza, pelas infidelidades mil vezes repetidas! Procure o arrependimento, procure a confissão e você também ouvirá, irmão, a ordem do Senhor: “Vive!” E você viverá! Não vivemos por nós mesmos, mas pela Sua palavra!

“O homem creu na palavra de Jesus. Passou a crer, ele e toda a sua casa!” O que realmente contou aqui não foi que o menino fosse curado da doença, mas que aquele oficial e toda a sua casa fossem curados da descrença e, agora, crendo em Jesus Cristo, vivessem de verdade! O que deve ter dito o Coração do Pai dos Céus? “Estes meus filhos estavam mortos e voltaram a viver; estavam perdidos e foram encontrados!” (cf. Lc 15,24). Mas, isto terá um preço: o Senhor terminará por ser levado à Morte de Cruz... Por mim, por você, pelo mundo inteiro, para que vivamos...