sábado, 4 de agosto de 2018

O "evangelho" segundo a Record

Perguntam-me pela novela da TV do Edir Macedo...
Aquele Jesus é o jesus da Universal, não é o Jesus das Escrituras; é o evangelho segundo Edir Macedo e seus espúrios interesses.
Quanto à Toda Santa Mãe de Deus, odiada pelos inimigos de Cristo e por Satanás, aquela maria da Record, não tem nada a ver com ela!
Um católico que assiste àquilo peca gravemente, pois denigre o que é de Deus, o que é sagrado, é coisa fina!
Você veria um filme que denigrisse sua mãe e mentisse sobre sua família?
Fico impressionado com os ardis do Diabo: já usou as novelas para ensinar todo tipo de perversidade; agora, usa o Nome santíssimo do Senhor e as coisas e pessoas a Ele relacionadas para destruir, mentir, enganar e desviar! Tudo sob a capa de santidade... Satanás é mesmo o Mentiroso, o Pai da Mentira, o mestre do disfarce... Se mostrasse a cara claramente, correríamos dele...
”Sede sóbrios e vigilantes! Eis que o vosso Adversário, o Diabo, vos rodeia como leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé” (1Pd 5,8s).

O lado negro da força...

Homilia para o XVIII Domingo Comum - ano B

Ex 16,2-4.12-15
Sl 77
Ef 4,17.20-24
Jo 6,24-35

Caríssimos em Cristo, no Domingo passado, deixamos o Senhor Jesus orando a sós no monte, após ter multiplicado os pães e despedido a multidão. Está no capítulo VI de São João: do monte, Jesus atravessou o Mar da Galileia, caminhando sobre as águas. Ao chegar do outro lado, lá esta o povo à Sua espera...
Sigamos, as palavras do Senhor nesta perícope, pois elas nos falam de Vida, falam-nos do Cristo nosso Deus!

Primeiramente, Cristo censura duramente o povo: procuram-No – como tantos hoje em dia – não porque viram o sinal que Ele realizou! Mas, que sinal? Fez o povo sentar-se na relva, como o Pastor do Salmo 22/23 faz a ovelha descansar em verdes pastagens; prepara uma mesa para o fiel, multiplicando-lhe os pães, como Moisés no deserto... Ante tudo isto, amados em Cristo, o povo ainda pensou em Jesus como sendo o Profeta que Moisés prometera (cf. Dt 18,15.18); mas, infelizmente, não passou disso; logo, pensou simplesmente no pão, na saciedade, nas necessidades imediatas resolvidas... Daí a repreensão do Senhor: aqueles lá O procuravam simplesmente porque comeram pão, como hoje tantos o procuram para ganhar benefícios – e, assim, são enganados pelos charlatões de plantão, com Bíblia  debaixo do braço e tudo! A prova de que o povo não compreendeu o sinal, é que ainda foi perguntar no Evangelho de hoje: “Que sinal realizas? Que obra fazes?” Como estes, lá com Jesus, se parecem conosco, tantas vezes cegos para os sinais do Senhor na nossa vida!

Observai, irmão! Notai como os judeus não conseguem compreender que o que Jesus quer deles é a fé na Sua Pessoa e na Sua missão! Vede como eles pensam que podem agradar ao Senhor simplesmente com um fazer exterior, sem compromisso de amor que brota do coração: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” Fazer! De nós, Jesus quer muito mais do que um simples fazer! Eis a resposta do nosso Salvador: “A obra de Deus é que acrediteis Naquele que Ele enviou!” Resposta admirável! Mas, o que é crer no Senhor? Escutai: “Quem vem a Mim não terá mais fome e quem crê em Mim nunca mais terá sede”.  Crer em Jesus é ir a Ele com toda a sua existência! Eis: tua obra, cristão, já não é cumprir a Lei de Moisés; também não é fazer e fazer coisas, mas crer e amar a Jesus! Daí sim, tudo decorre, e também tuas boas obras, feitas por amor a Jesus e na fé em Jesus, serão aceitas pelo Senhor!

Diante da palavra do Cristo, os judeus duros de compreender, pedem a Jesus outro sinal! Não compreenderam aquele que Ele fizera! E ainda citam Moisés, como que dizendo: Tu nos deste pão agora; Moisés nos deu o maná por quarenta anos! Aí, o nosso Salvador faz três revelações surpreendentes e consoladoras! Ei-las:

Primeiro: Aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do Céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração; pão que alimenta esta vida, mas não dá a Vida divina, a Vida que dura para sempre! Aquele maná do deserto era apenas pálida imagem de um outro maná, de um outro pão que o Pai daria mais tarde.

E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro Maná, o verdadeiro Pão do Céu, que dá a Vida divina ao mundo: Moisés não deu (no passado); Meu Pai vos dá (agora, no presente)! Os judeus ficam perplexos, admirados; e pedem: Dá-nos desse pão! Pão que alimenta a fome de Vida, de paz, de sentido, de eternidade! Pão que enche o coração! Dá-nos desse Pão!

Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da Vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é Ele mesmo! Os pães que Ele multiplicara eram imagem Dele mesmo, que Se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de Vida divina: “Eu sou o Pão da Vida! O Pão que desce do Céu e dá a Vida divina ao mundo! Quem vem a Mim nunca mais terá fomede Vida e de sentido de existência; quem crê em Mim nunca mais terá sedeno seu coração!”

Eis, meus caros! Corramos para Jesus! Seja Ele nosso alimento! E Dele nos alimentando, sejamos Nele novas criaturas, despojando-nos do homem velho, deixando o velho modo de pensar, que conduz não à Vida, mas ao nada, como diz o Apóstolo na segunda leitura! Se nos alimentamos de Cristo, se bebemos de Sua santa Palavra, como poderemos pensar como o mundo, agir como o mundo, viver como o mundo? Como ainda poderíamos consentir nas velhas paixões que nos escravizam?

Que alimentando-nos de Jesus, Pão bendito de nossa vida, atravessemos o deserto desta vida não como o Povo de Israel, que murmurou e descreu, mas como verdadeiros cristãos, renovados pelo Senhor, despojados da velhice do pecado e saciados de Vida eterna, Vida que é o Cristo nosso Deus, bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Uma observação sobre o Judiciário, os excessos e o aborto...

Cedo ou tarde, o Congresso Nacional terá que enfrentar esta grave questão do ativismo judiciário!

O Supremo Tribunal Federal tem assumido ares de Legislativo! Ora, juiz não é legislador! Juiz julga de acordo com a lei feita no Congresso Nacional!

A questão do abortamento, que é um assassinato puro e simples, tem a ver com a consciência moral de um povo, com valores profundos, não somente ligados à religião, mas à vida mesma e, portanto, à questões muito profundas na identidade e nas escolhas de um povo!

A questão de decidir a vida e a morte de um embrião humano, que é um ser humano, não pode ser decidida por alguns togados que não representam a sociedade, que não foram eleitos por ninguém, que não têm mandato de ninguém!

A questão da vida humana nem mesmo pode ficar ao arbítrio puro e simples de mulher alguma, de grávida alguma, de homem algum! Há questões muitos sérias implicadas aqui!

Se há algum espaço onde tais questões devem ser discutidas no âmbito do Estado brasileiro, esse é o Congresso Nacional. Ali estão os representantes do povo (na Câmara) e dos estados da Federação (no Senado). Ali estão os eleitos pelo povo para decidirem as grandes questões em nome do povo e depois prestarão contas ao povo! Numa democracia, todo poder emana do povo e em seu nome é exercido! Não demos esse poder ao Judiciário, mas ao Legislativo!

O STF não pode se arrogar este direito, não pode julgar-se acima do povo, acima da consciência dos cidadãos, acima do bem e do mal! O Estado não é Deus! O judiciário não é Deus! O STF não é absoluto! É triste afirmar isto, mas o STF, às vezes, tem sido uma ameaça ao povo! Isto é uma inversão de valores, é uma arrogância inaceitável! Poder Judiciário independente não é Poder Judiciário ilimitado, arrogante, prepotente, absoluto não! Um Judiciário assim é injusto e arbitrário!

Os brasileiros devem cobrar do Legislativo uma posição clara sobre isto! Não queremos juízes legislando em nosso nome!
Cobremos uma palavra, uma atitude, uma reação dos nossos senadores e deputados federais!

Ah, os juízes! Como não recordar a tremenda advertência do Salmo 82/81 aos juízes, que deveriam ser reflexo do único Juiz verdadeiro e pleno?

"Deus Se levanta no conselho divino,
em meio aos deuses Ele julga.

'Até quando julgareis injustamente,
sustentando a causa dos ímpios?
Protegei o fraco e o órfão,
fazei justiça ao pobre e ao necessitado,
libertai o fraco e o indigente,
livrai-os da mão dos ímpios!

Eles não sabem, não entendem, vagueiam em trevas:
todos os fundamentos da terra se abalam.
eu declarei: Vós sois deuses,
todos vós sois filhos do Altíssimo;
contudo, morrereis como um homem qualquer,
caireis como qualquer dos príncipes'.

Levanta-Te, ó Deus, julga a terra,
pois as nações todas pertencem a Ti!" 

Aqui os juízes são chamados deuses porque Deus é o Juiz! O verdadeiro juiz é aquele que procura a justiça com retidão. Só em Deus a justiça é Justiça plena!
Os juízes verdadeiros, nos seus juízos, devem ser reflexos da Justiça de Deus! E Deus envolve com Sua Justiça o fraco, o hipossuficiente, o órfão, o indigente...

Ninguém é mais fraco, mais órfão, mais indigente, mais indefeso, mais necessitado de defesa que um embrião!

Juízes, sois deuses, mas morrereis como simples mortais e sereis julgados, pó e cinza, pelo Juiz, Senhor da vida, doador e defensor de toda vida!

Senhores Senadores e Deputados Federais, honrem o voto que lhes demos, honrem a Constituição que elaboraram, honrem a missão que têm! O Judiciário deveria saber autoconter-se com parcimônia, sobriedade e maturidade! Infelizmente, há togados com um complexo de onipotência impressionante! Senhores Parlamentares, coloquem claros, transparentes, sensatos, democráticos e salutares limites à ação do Judiciário!


domingo, 29 de julho de 2018

Um Deus que cria a partir de pobres pães de cevada

A Palavra de Deus é sempre consolo para quem dela se aproxima com fé, com um coração crente, humilde e pobre. Ela é como a sarça ardente: crepita o fogo do Santo Espírito, sem se consumir jamais. E de dentro dela, o Senhor sempre nos chama, e chama-nos pelo nome, como chamou Moisés.

Pode-se estudar exegese, pode-se fazer curso sobre as Escrituras, pode-se fazer doutorado em ciências bíblicas, mas somente compreenderá a Palavra de Deus quem dela se aproxima com humildade, com fé, com um coração que escuta! Quem não se aproxima assim do texto santo, somente encontrará literatura antiga... Mas, nunca, nunca, nunca beberá da fonte viva e vivificante que é a Palavra do Deus vivo!

Escrevo isto para comentar o texto que serve de primeira leitura para este XVII Domingo Comum, Ano B: 2Rs 4,42-44.

Estamos no século IX antes de Cristo, no Reino do Norte, Reino de Israel, no tempo do Profeta Eliseu... Nesta época, existiam em Israel várias confrarias de profetas: viviam em comum e profetizavam de modo meio primitivo, meio exótico: dançavam, cantavam e entravam em transe... Falavam, então, em nome do Senhor...  Eram pobres e muito religiosos... O povo os venerava, os respeitava e também, por vezes os discriminava, porque eram esquisitões, exóticos: uns “videntes” meio malucos... Mais tarde, no século  VIII aC, Amós dirá a Amasias: “Não sou profeta nem filho de profetas” (cf. Am 7,14), isto é, não pertenço a confraria, a irmandade de profetas...

Pois bem: chega um homem onde estava Eliseu. Esse alguém é de Baal-Salisa, localidade próxima de Gilgal, onde se encontrava o profeta (cf. 4,38). Não se assuste com o nome baal... Ele significa simplesmente “senhor” e, por aqueles tempos, poderia até ser aplicado ao Deus de Israel...

Era um tempo de fome, este no qual esses fatos se deram... Eliseu estava com os irmãos profetas... Eram muitos os que ali se encontravam: os membros da irmandade, amigos dos profetas, devotos, talvez parentes... Mais de cem pessoas... Eram gente pobre, do povo...

O homem de Baal-Salisa trouxe pães feitos de cevada, das primícias da colheita daquele ano... Vinte pães... O pão de cevada é a comida dos pobres, dos camponeses... Pão bom mesmo era o pão de trigo... Esse pão de cevada é feito a nossa vida, é feito as nossas obras: pesem os nossos esforços, nossa vida é parca, é pobre e o que fazemos muitas vezes é tão misturado com intenções que não são tão puras como deveriam... Mas, como esses pães, são fruto do nosso esforço e da nossa boa vontade...

Eliseu manda o homem alimentar cerca de cem pessoas com apenas vinte pães... “Como hei de servir isto para cem pessoas?” O homem tem juízo; o profeta não sabe calcular... Pelo menos, não calcula com a lógica humana, com a medida humana, segundo as humanas possibilidades... Profeta não tem juízo mesmo! “Oferece a esta gente para que coma, pois assim falou o Senhor: ‘Comerão e ainda sobrará!’” Isto será sempre uma guerra, uma tensão: a nossa medida e a medida de Deus, a lógica do Senhor e a lógica humana, as possibilidades na perspectiva nossa e aquelas outras, segundo a perspectiva de Deus! O profeta é meio maluco porque vê sempre da perspectiva de Deus, tão difícil de ser compreendida por nós!

Pois bem, o homem “serviu-lhes, eles comeram e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor!” A Palavra do Senhor é potente, é criadora, faz acontecer: onde não há nada, ela suscita, ela faz a vida brotar!

Assim, naquela reunião esquisita, de gente mais esquisita ainda, a partir de alguns pães de pobres, a Palavra criadora de Deus mostrou sua fecundidade, que sacia a fome e sustenta a vida!

Quem dera que com nossos pobres pães de cevada confiássemos em Deus... O Senhor faria por nós maravilhas; Ele nos revelaria a Sua presença e o esplendor da Sua Face bendita!


sábado, 28 de julho de 2018

Homilia para o XVII Domingo Comum - Ano B

2Rs 4,42-44
Sl 144
Ef 4,1-6
Jo 6,1-15

Salta à vista o tema do pão na liturgia de hoje: ele aparece claramente na primeira leitura e no Evangelho e, de modo implícito, está presente também no salmo.
Na tradição bíblia, o pão recorda duas coisas importantíssimas. Lembra-nos, primeiramente, que não somos autossuficientes, não possuímos a vida de modo absoluto: devemos sempre renová-la, lutar por ela. O homem não se basta a si próprio; precisa do pão de cada dia. E aqui, um segundo importante aspecto: o homem não pode, sozinho, prover-se de pão: é Deus quem faz a chuva cair, quem torna o solo fecundo, quem dá vigor à semente. Assim, a vida humana está continuamente na dependência do Senhor. Portanto, meus caros, todos necessitamos do pão nosso de cada dia – e este é dom de Deus. “O que tens tu, ó homem, que não tenhas recebido? E, se recebeste, do que, então, te glorias?”

Desse modo, caríssimos irmãos em Cristo, Jesus, ao multiplicar os pães, apresenta-Se como aquele que dá Vida, que nos sacia com o sentido da existência – sim, porque não há vida de verdade para quem vive sem saber o sentido do viver! – Dá-nos, Jesus a vida física, a vida saudável, mas dá-nos, mais que tudo, a razão verdadeira de viver uma vida que valha a pena! Dá-nos, enfim a Vida que é Tua, a Vida divina, a Vida eterna, Vida imperecível!

Mas, acompanhemos com mais detalhes a narrativa do Quarto Evangelho. Jesus, num lugar deserto, estando próxima a Páscoa, Festa dos judeus, manda o povo sentar-se sobre a relva verde, toma uns pães e uns peixes, dá graças, parte, e os distribui, multiplicando os pães e os peixes. Todos comeram e ficaram saciados. Não aparece no Evangelho deste Domingo, mas sabemos, pela continuação do texto de São João, que o povo, após o milagre, foi à procura do Senhor e Ele recriminou duramente a multidão: “Vós Me procurais não porque vistes os sinais, mas porque comestes pão e ficastes saciados!”
Que sinal o povo deveria ter visto?
Recordemos que no final do trecho que escutamos no texto que foi proclamado hoje o povo exclama: “Este é verdadeiramente o Profeta que devia vir ao mundo”. Eis: o povo até que começou a discernir o sentido do milagre de Jesus; mas, logo depois, fascinado simplesmente pelo pão material, pelas necessidades de cada dia, esquece o sinal. Insistimos na pergunta: que sinal?
Primeiro, que Jesus é o Novo Moisés, aquele profeta que o próprio Moisés havia anunciado em Dt 11,18: “O Senhor Deus suscitará no vosso meio um profeta como eu”. Pois bem: como Moisés, Jesus reúne o povo num lugar deserto, como Moisés, sacia o povo com o pão... Mas, Jesus é mais que Moisés: Ele é o Deus-Pastor que faz o rebanho repousar em verdes pastagens (“Havia muita relva naquele lugar... Jesus mandou que o povo se sentasse...”) e lhe prepara uma mesa. Era isso que o povo deveria ter compreendido; foi isso que não compreendeu...

E nós, compreendemos os sinais de Cristo em nossa vida? Somos capazes de descortinar o sentido dos Seus gestos, seja na alegria seja na tristeza, seja na luz seja na treva? Os gestos de Jesus na multiplicação dos pães é também prenúncio da Eucaristia. Os quatro gestos por Ele realizados – tomou o pão, deu graças, partiu e deu – são os gestos da Última Ceia e de todas as ceias que celebram o Sacrifício eucarístico do Senhor:

na apresentação das ofertas tomamos o pão,
na grande oração eucarística (do prefácio à doxologia – “Por Cristo, com Cristo...”) damos graças,
no “Cordeiro de Deus” partimos
e na comunhão distribuímos.

Eis a Missa: o tornar-se presente dos gestos salvíficos do Senhor, dado em sacrifício e recebido em comunhão.

Vivendo intensamente esse Mistério, nos tornamos realmente membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Cumprem-se em nós, de modo real, as palavras do Apóstolo: “Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”.
Eis, caríssimos! Que o bendito Pão do Céu, neste sinal tão pobre e humilde do pão e do vinho eucarísticos, nos faça compreender e acolher a constante presença do Senhor entre nós e nos dê a graça de vivermos de verdade a vida de Igreja, sendo um sinal Seu no meio do mundo. Amém. 



sexta-feira, 27 de julho de 2018

A vida: imenso dom de um Amor sem fim

Recentemente li que muitas mulheres estão congelando seus óvulos até que encontrem seu parceiro ideal ou até que se realizem profissionalmente. Então, sim, engravidarão.
É o ser humano que, tornando-se seu próprio deus, dono de si mesmo sem de si mesmo ser dono, termina por vilipendiar o próprio ser humano. Para quem crê, todos os seres merecem nosso respeito e, de modo particular, o ser humano, imagem de Deus!

A vida é dom de Deus, que tudo criou livremente por amor. Explicar os mecanismos do seu aparecimento, desde as formas mais simples até aquelas mais complexas, é tarefa das ciências.
O que a fé nos diz é que toda vida tem sua origem em Deus, é dom de Deus e somente Ele é o Senhor da vida. Por isso, mesmo diante das criaturas mais simples, o homem deve ter uma atitude de respeito, de veneração. Não podemos fazer o que bem entendemos com o mundo, que não é simples natureza, mas é criação, resultado de um Amor eterno que, do nada, tudo chamou à existência. Somos os mordomos, os guardiões, não os donos. É verdade que o homem é a principal das criaturas deste mundo visível, mas não é seu senhor absoluto... Aqui se radica a intuição fundamental para uma sadia ecologia cristã. O homem tem o direito de usar a criação, pode alimentar-se de vegetais e animais... Mas, não pode abusar, não pode desperdiçar nem tiranizar... "Tudo o que se move e possui vida vos servirá de alimento; tudo isso Eu vos dou, como vos dei a verdura das plantas. Mas, pedirei contas do sangue de cada um de vós: Eu pedirei conta da alma da vida do homem!" (Gn 9,3ss)

O homem é imagem de Deus, tem uma dignidade imensa, inalienável. Ele não é simplesmente um ser em meio aos outros! Só ele é imagem do Criador: seu coração é aberto para o infinito, tem sede do transcendente; o núcleo do seu coração abriga sua consciência, que tem uma dignidade inalienável! Por isso o homem não pode ser manipulado, vilipendiado, coisificado: “Eu pedirei contas da vida do homem. Porque à imagem de Deus o homem foi criado” (Gn 9,5.6).

É pecado gravíssimo tudo quanto atentar contra a imagem de Deus: o aborto, a manipulação genética, a fecundação in vitro, as experiências com embriões para obter células-tronco, a eutanásia, a situação de pobreza que denigre a dignidade humana, o consumo de drogas, o desrespeito ao corpo humano pela prostituição, a imoralidade, o adultério, a fornicação... O homem é sagrado, absolutamente sagrado! E isto somente fica claro de modo absoluto e sem apelo quando reconhecemos um Deus criador! Caso contrário, todo discurso sobre dignidade humana e direitos do homem fica gravemente relativizado e manipulável pelo próprio homem...

Infelizmente, na nossa sociedade que se quer tão humana, vemos, na verdade, o ser humano ser vilipendiado na sua dignidade de imagem de Deus, na singularidade da sua existência, no desrespeito e dessacralização do seu corpo, do seu amor, da sua família, da sua sexualidade, da sua dor, da sua concepção, da sua morte... Sem Deus, o homem não passa de um ser qualquer, diferente dos outros apenas por um acidente, uma peça da natureza maluca chamada racionalidade, consciência, que já não é um dom, mas um peso, um absurdo, uma peça de mal gosto! Assim,  em pleno século XXI, é preciso dizer novamente, com serenidade e força: somente à luz de um Criador, somente afirmando Deus, o homem pode perceber sua real dignidade, seu valor único e inegociável, E não só a humanidade, mas cada homem, cada pessoa, independente de qualquer outras considerações! É humano, é imagem de Deus, é sagrado, do momento misterioso, sublime e solene da concepção no ventre materno até o último suspiro, quando se deixa este mundo! Simples assim; verdadeiro assim; sublime assim; humano assim, divino assim!


quarta-feira, 25 de julho de 2018

As Santas Escrituras segundo a fé da Igreja de Cristo

Amigo, vai aqui um pouco de catequese para que nossas ideias sejam realmente católicas, fieis à constante Tradição Apostólica presente na Igreja de Cristo: 

A Bíblia não é um livro único; é uma coleção de 73 escritos, produzidos num arco de cerca de 1.300 anos.
Neles, nesses livros, está contida a Palavra de Deus, porque foi o próprio Espírito do Senhor quem, misteriosamente, como só Ele sabe fazer, inspirou tudo quanto os autores sagrados escreveram.
É um incrível e admirável mistério: por trás das palavras humanas dos autores daqueles textos está a Palavra única do próprio Deus!
As palavras da Sagrada Escritura são tão humanas: há erros gramaticais, erros de história, erros de ciência; há o modo de escrever próprio de cada autor humano e até mesmo o seu modo de pensar, limitado pelo tempo e a cultura a que pertenceram, pode ser descoberto naqueles dizeres tão humanos... Na grande maioria dos casos, nem mesmo os autores sagrados imaginavam que o que estavam escrevendo eram textos inspirados pelo Senhor...

Foi o Povo de Israel, no tempo da Antiga Aliança e, depois, nestes tempos da Nova e eterna Aliança, foi a Igreja católica, inspirada pelo Espírito do Cristo Senhor, que permanece nela e a conduz sempre mais à verdade plena (cf. Jo 16,12-15; 1Tm 3,15), quem foi discernindo quais escritos eram inspirados por Deus e quais não eram...
Este trabalho de discernimento de quais eram os livros inspirados por Deus, dentre os tantos que os cristãos escreveram no período apostólico, foi feito pela santa Igreja a partir do século II, século após século, e foi autoritativamente determinado no Concílio de Trento. E a Igreja, Esposa do Cristo,  fez tal discernimento serenamente, pois sabe muito bem que o seu Senhor não a abandona (cf. Mt 16,19; 18,18; 28,19-20; Jo 14,18).

Só a Igreja tem a autoridade de fazer esse discernimento; e ela o fez, com a autoridade que o Senhor mesmo lhe concedeu e a assistência divina do Espírito Santo que Cristo Jesus lhe garantiu.
De modo geral, seguiram-se os seguintes critérios: eram inspirados pelo Espírito de Deus (1) os escritos tidos como ligados diretamente à Tradição Apostólica, mais especificamente,  os escritos considerados de origem direta ou indireta de um Apóstolo e (2) os escritos proclamados na Liturgia sobretudo das grandes Igrejas da Antiguidade, de modo especial Roma, Alexandria e Antioquia e as demais Igrejas apostólicas, isto é, as comunidades fundadas diretamente pelos Apóstolos ou seus auxiliares, os varões apostólicos.
Foi assim que a santa Mãe católica, com o instinto de fé que o Cristo Senhor lhe concede na força do Santo Espírito, fez este discernimento tanto dos livros do Antigo quanto do Novo Testamento. Por isso mesmo, alguns livros do Antigo Testamento que os judeus não consideram inspirados por Deus - e isto por motivo nacionalista e por polêmica com os cristãos -, a Igreja desde cedo os utilizou e os considerou como sendo Palavra de Deus, sendo vários deles citados no Novo Testamento direta ou indiretamente.

Mas, que se esteja bem atento: Deus não Se revelou primeiramente na Bíblia! Revelou-Se na história do povo de Israel e, na plenitude dos tempos, revelou-Se de modo pleno na Pessoa de Jesus Cristo, o próprio Filho eterno feito carne, feito homem.
A Palavra de Deus por excelência não é a Bíblia; é Jesus Cristo, o Verbo, a Palavra que Se fez carne e habitou entre nós!
A Bíblia nos traz o testemunho dessa revelação: ela pode ser chamada Palavra de Deus somente porque nos traz a Palavra que é Jesus; de modo que nas palavras da Bíblia, encontramos a Palavra de Deus e esta Palavra é o nosso bendito Salvador, Jesus Cristo, o Verbo eterno feito carne!
Do Gênesis ao Apocalipse, a mensagem última das Escrituras Sagradas é sempre Jesus: Jesus prometido, preparado e anunciado no Antigo Testamento; Jesus aparecido, entregue, contemplado, aprofundado, adorado e proclamado no Novo Testamento. Toda a Escritura santa é uma pedagogia para o Cristo, todas as palavras das Escrituras condensam-se em Cristo, toda e cada passagem da Escritura em Cristo encontra sua clareza, seu sentido último.  Como diziam os medievais, Cristo é a Palavra abreviada, concisa, desdobrada nas palavras das santas Escrituras. Como dizia Santo Elredo de Rieval: “Jesus é a Palavra breve, mas que diz tudo e tudo leva à perfeição sobre a terra, ponde fim à Lei e aos profetas com o duplo mandamento do amor”.  São João da Cruz, num de seus escritos, assim imagina o Pai nos falando: “Já te disse todas as coisas em Minha Palavra; põe os olhos unicamente Nele; porque Nele tenho dito e revelado tudo, e Nele encontrarás ainda mais do que desejas saber. Este é o Meu Filho amado: escutai-O”.

Assim sendo, não cremos na Bíblia; cremos em Jesus e só a Ele adoramos! Temos as Escrituras por revelação do Senhor precisamente por causa de Jesus, porque Ele disse que elas dão testemunho Dele:“Vós perscrutais as Escrituras porque julgais ter nelas a Vida eterna; ora, são elas que dão testemunho de Mim!” (cf. Jo 5,39)
Não amamos Jesus por causa da Bíblia; amamos a Bíblia por causa de Jesus! Como também não cremos na Igreja por causa da Bíblia, mas cremos que a Bíblia é Palavra de Deus porque a Igreja nos ensinou assim! Cremos na Igreja por causa de Jesus e consideramos as Escrituras como Palavra de Deus por causa da Igreja!

Jesus Cristo! Ele o centro, é Ele a Palavra única do Pai!
Quando escutamos, quando lemos as Escrituras e nelas meditamos, em última análise é Jesus mesmo que procuramos, é a Ele que encontramos, com Sua salvação, Sua Vida, Sua plenitude, aquela da qual recebemos graça sobre graça! No século XII, o grande teólogo Hugo de São Vítor exclamava: “Toda a divina Escritura constitui um único livro e este único livro é Cristo, porque toda a Escritura fala de Cristo e encontra em Cristo o seu cumprimento”.
Por isso, no caminho de Emaús, em cada Missa e até mesmo a cada vez que entramos em contado com a Sagrada Escritura, Corpo verbal do Senhor imolado e ressuscitado, Jesus mesmo nos fala Dele e nos revela no texto sagrado tudo quanto diz respeito a Ele e ao plano de salvação do Pai que Ele, o Filho amado, veio realizar. Deste modo, quem frequenta a Escritura e em cada parte dela não encontra o Cristo, não a compreende, tendo o entendimento encoberto por um véu que impede de saborear o sentido último desses textos sagrados.

Assim é que a Igreja, impelida pelo Santo Espírito, escutando as Escrituras cheias do Santo Paráclito, escuta o próprio Deus que nos fala em Jesus, o Verbo único e eterno, e tudo quanto ali está escrito torna-se uma Palavra viva para nós, tudo quanto Deus revelou na história do Seu Povo e maximamente em Jesus Cristo, torna-se presente na vida da Igreja, sobretudo nos sacramentos, e na nossa, que somos membros do Seu Corpo.

Pensando bem, é impressionante pensar que Deus nos fala: fala à Sua Igreja, fala a cada um de nós, na Sua Palavra que é Jesus Cristo Senhor nosso (cf. Hb 1,1-2)!

Mas, a Escritura somente pode ser compreendida retamente quando acolhida, lida, ouvida na Tradição Apostólica, conservada íntegra na Igreja católica pela ação do Santo Espírito. O próprio Novo Testamento todo não é senão a Tradição Apostólica colocada por escrito e nela interpretada continuamente pela Igreja santa e apostólica e católica! Até mesmo o Antigo Testamento, somente à luz do Cristo anunciado segundo a Tradição dos Apóstolos, chega ao seu sentido pleno!
É uma reciprocidade bendita e impressionante, uma circularidade admirável: a Tradição Apostólica, presente na Igreja, interpreta retamente as Escrituras, que fora dela, seriam texto disponível a qualquer arbitrariedade de intérpretes aleatórios e, por outro lado, as Santas Escrituras ancoram e fundamentam a Tradição viva, sempre presente, de geração em geração, na vida da Igreja! Dito com outras palavras: a Tradição Apostólica é o ar, é o ambiente, é o meio vital no qual as Escrituras são vivas e retamente interpretadas (na Igreja santa católica e apostólica as Escrituras estão em casa!) e as Escrituras são o ancoradouro e o critério para que a Igreja bem interprete de modo vivo e dinâmico, sempre progressivo (cf. Jo 16,12-15), a Tradição  Apostólica, que nos testemunha continuamente a fé transmitida uma vez por todas aos santos (cf. Jd 3).

Alguns têm a ilusão de interpretar as Escrituras de modo neutro, ao pé da letra, fora de uma tradição! É uma triste ilusão, uma estreita cegueira, uma ingenuidade tremenda! Os textos sagrados sempre são interpretados por nós a partir de ideias e valores que já trazemos, nossos e do grupo no qual estado inseridos! É totalmente impossível fugir disto!
A questão é que quem lê e escuta e guarda a Palavra Santa na comunhão da Igreja una, santa, católica e apostólica, guarda as Escrituras no seu autêntico sentido, garantido pelo Espírito de Cristo, que não permite que a Igreja erre na sua fé (cf. Mt 16,19; Jo 16,12-15; 1Tm 3,15). Quem foge dessa Tradição Apostólica, lê e interpreta a Palavra a partir de tradições humanas, de mestres que inventaram escolas de interpretação de sua própria cabeça e, portanto, fora do seu ambiente natural, que é a Igreja católica e apostólica. Assim, abendona-se a Tradição Apostólica e cai-se nas tradições deste ou daquele grupo, cada um interpretando do seu modo e achando que está fazendo "A Interpretação"! Por exemplo: a percepção torta de que só a fé salva, de que as obras não contam para a salvação, a insistência anacrônica na guarda do sábado, a proibição de transfusão de sangue, o litígio ultrapassado e estulto por causa de imagens, a grave negação do Batismo de crianças, a falta de consciência do significado sacramental e sacrifical da Eucaristia... Tudo isto deriva de interpretações que têm fundamento não no texto bíblico, mas em tradições humanas já determinadas de como o texto deve ser lido! Em outras palavras: consciente ou inconscientemente, esta gente lê o texto com um “pre-texto” inventado por mestres humanos, fundadores de tradições humanas; e, ingenuamente, acham que estão interpretando com toda a fidelidade! ! Tanto são tradições prévias à leitura do Texto Santo que, nesses grupos religiosos, se alguém interpretar o texto de modo diverso daquele que o grupo determina, é obrigado a deixar o grupo, porque não está interpretando a Escritura segundo a TRADIÇÃO daquele grupo!

Mais uma coisa: a Escritura Sagrada revela o Rosto do Senhor e desvela Seu amor divino a quem a escuta com um coração fiel e humilde.
O curioso, o soberbo, o descuidado, nada encontrará a não ser uma coleção de textos antigos, do passado... No entanto, quando escutamos e lemos essas Santas Palavras - que trazem a Palavra que é Jesus Cristo Senhor - em docilidade ao Santo Espírito e em comunhão com a santa Igreja, então, a Escritura torna-se doce como o mel, luminosa como o sol do meio-dia, profunda como o céu, vivificante no Santo Espírito e cortante como espada de dois gumes. 

Mas, atenção: a Escritura não foi dada a cada pessoa de modo privado, individual... Como nela mesma está escrito: ela não se presta a interpretações privadas (cf. 2Pd 1,19-21)! A Sagrada Escritura foi dada à Igreja e somente é Palavra viva na vida da Igreja Povo de Deus! Ouvir ou ler a Escritura fora da mente e do coração da Igreja é ser condenado a não colher seu sentido unitário e profundo.
Ela é como um álbum e família, o álbum da nossa família, pois os textos foram escritos por nossos Pais na fé tanto os do Antigo Povo quanto os primeiros membros da santa Igreja. Assim, alguém estranho à família pode pegar as mesmas fotos, olhá-las, saber os lugares e as situações documentados nas fotografias... Mas, somente quem é da família sentirá o coração vibrar, somente quem vivenciou aquelas histórias, com aquelas tonalidades e acentuações pode realmente compreender o sentido das fotos...
É assim com a Bíblia: nascida na Igreja, confiada à Igreja para guardá-la fielmente, ouvi-la atentamente, meditá-la piedosamente, amá-la fervorosamente, celebrá-la na Eucaristia (Palavra feita carne na Carne de Cristo) e levá-la ao mundo como anúncio e testemunho de Jesus Salvador, somente na Igreja pode ser colhida em todo o seu sentido e verdade. Fora da Igreja, a Escritura é palavra feita pedaços, às vezes, feita confusão, é texto submetido ao capricho de mil pretextos, que o desvirtua e faz esconder mais que revelar o verdadeiro rosto de Jesus.

Para terminar, o desafio: Experimente! Tome a Escritura (pode ser a leitura da Missa de cada dia), escute-a com o coração, medite-a com amor e procure ouvir o que o Senhor diz à Igreja e a você. Sua vida encher-se-á de nova luz – aquela luz que é o próprio Cristo, Palavra viva e vivificante do Pai!

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