sábado, 28 de março de 2015

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Is 50,4-7
Sl 21
Fl 2,6-11
Mc 14,1 – 15,47

Caríssimo Irmão, baste-nos alguns pensamentos, para a Eucaristia solene deste Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, que abre a Grande Semana da nossa fé, a Semana santíssima, que culminará com a Solenidade da Páscoa, Domingo próximo.

Primeiro faz-se, hoje, com uma procissão dos ramos, memória da Entrada do Senhor Jesus em Jerusalém.

Ele é o Filho de Davi, o Messias esperado por Israel, que vem tomar posse de Sua Cidade Santa, Jerusalém, Cidade de Davi, cidade do Messias.

Mas, que surpresa! Trata-se de um Messias humilde, que entra não a cavalo, mas num humilde burrico, sinal de serviço e pequenez! Ei-Lo: Seu serviço será dar a vida pela multidão!

Ele é Rei, mas rei coroado de espinhos e não de humana vanglória.

Seguir o Senhor nessa solene procissão com ramos é reconhecê-Lo como nosso rei, rei pobre e humilde. Segui-Lo me procissão é nos dispor a segui-lo nas pobrezas e humildades da vida, dispondo-nos a participar de sua paixão e cruz para ter parte na glória de Sua ressurreição.

Após a Procissão de Ramos, que pensamentos poderíamos colher agora na Liturgia da Palavra da Missa da Paixão do Senhor? Eis alguns pensamentos:

Primeiro: O meio que Deus escolheu para nos salvar não foi o que é grande e vistoso, tão apreciado pelo mundo. Ao invés, o Pai nos salvou pela humilde obediência do Filho Jesus. Reconheçamos na voz do Servo sofredor da primeira leitura a voz do Filho de Deus:

“O Senhor Deus Me desperta cada manhã e Me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-Me os ouvidos; não Lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para Me baterem e as faces para arrancarem a barba. O Senhor é o Meu Auxiliador, por isso não Me deixei abater o ânimo, porque sei que não serei humilhado”.

Palavras impressionantes, caríssimo!

O Filho buscou humildemente, na obediência de um discípulo, a vontade do Pai – e aí encontrou força e consolo, encontrou a certeza de Sua vida. São Paulo, na segunda leitura de hoje, confirma isso com palavras não menos impressionantes: “Jesus Cristo, existindo na condição divina, esvaziou-Se de si mesmo, humilhou-Se, fazendo-Se obediente até a morte, e morte de cruz”. Caríssimo em Cristo, num mundo que nos tenta a ser os donos da verdade, desprezando os preceitos do Senhor Deus e Seus planos para nós, aprendamos a humilde obediência de Cristo Jesus, entremos em comunhão com o Cristo obediente ao Pai até a morte. Só então seremos livres realmente, somente então viveremos de verdade!

Um segundo pensamento: O breve e concreto relato da Paixão segundo São Marcos, apresenta-nos ao menos três modos de nos colocar diante do Cristo nosso Senhor. Dois modos inadequados, que deveremos evitar, apesar de tantas vezes neles cairmos; e um modo correto, a que somos continuamente chamados. Ei-los:

Primeiramente, o modo dos discípulos, tão vergonhoso: “Então todos o abandonaram e fugiram”. Oh! meu caro, que desde o início temos sido covardes, desde os princípios somos um mísero bando de infiéis! Fomos nós, os discípulos, que fugimos, que deixamos sozinho o Salvador, o nosso Mestre!

Quantas vezes, nos apertos da vida, fugimos e O abandonamos: no vício, no comodismo, na busca de crendices e seitas, no fascínio por ideologias, ideias e filosofias opostas à nossa fé! Como é fácil fugir, como é fácil, ainda agora, abandoná-Lo!

– Perdoa-nos, Senhor Jesus, porque ainda hoje somos assim, ainda somos como os primeiros discípulos: frágeis, inconstantes, covardes mesmo!

Perdoa-nos pelo pouco amor, pela falta de compromisso!

Perdoa-nos as juras de amor para sempre, que se desfazem na primeira dificuldade!



Depois, o modo de Pedro, que “seguiu Jesus de longe”. Atenção, caríssimos Pedros que neste espaço virtual me acompanham! Não se pode seguir Jesus de longe!

Quem O segue assim?

Aquele que pensa poder ser discípulo pela metade; que se ilude, pensando seguir o Senhor sem combater seus vícios e pecados; que imagina poder servir a Deus e ao dinheiro, ao Senhor e aos costumes e modos e pensamentos do mundo!

Como terminarão esses? Como terminou Pedro: negando conhecer Jesus!

– Senhor, olha para nós, como olhaste para Pedro; dá-nos o arrependimento e o pranto pela covardia e frieza em Te seguir! Faze-nos verdadeiros discípulos Teus, que Te sigam de perto até a cruz, como o Discípulo Amado, ao lado de Tua Santíssima Mãe!

Finalmente, uma atitude bela e digna de um verdadeiro discípulo do Senhor: aquele gesto, da misteriosa mulher, que ungiu a cabeça do Senhor com nardo puro, caríssimo!

Notou, querido Irmão em Cristo, o detalhe de São Marcos? “Ela quebrou o vaso e derramou o perfume na cabeça de Jesus”. Quebrou o vaso... Isto é, derramou todo o perfume, sem reservas, sem pena, com amoroso estrago... Para o Senhor, tudo; para o Salvador o melhor! E São João diz que “a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo” (Jo 12,3).

Ó mulher feliz, discípula generosa! Dando tudo ao Senhor, perfumou toda a casa com o bom odor de um amor ser reservas! Quanta generosidade dessa mulher politicamente incorreta! Quanta hipocrisia, quanta mesquinhez dos apóstolos politicamente corretos, que não compreenderam seu gesto de amor gratuito!

– Senhor Jesus, faz-nos generosos para Contigo! Que Te amemos como essa mulher: sem reservas, sem fazer contas!

Ó Senhor, que nos amaste até o extremo, ensina-nos a Te amar assim também, colocando nossos perfumes, isto é, aquilo que temos de precioso, a Teus pés! Então, o mundo será melhor, porque o bom odor do amor haverá de se espalhar como testemunho da Tua presença!

Eis, caríssimo Amigo! Fiquemos com estes santos pensamentos, preparando-nos durante toda esta Semana para o Tríduo Pascal, que terá seu cume na Santa Vigília da Ressurreição! 

Nós Vos adoramos, Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos,
porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Retiro quaresmal - sábado da V semana

Agora, iniciamos a meditação do Terceiro Cântico do Servo Sofredor:

“O Senhor Deus Me deu língua de discípulo
Para que soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto.
De manhã em manhã Ele Me desperta, sim, desperta o Meu ouvido
para que Eu ouça como os discípulos” (Is 50,4).


Assim começa este terceiro poema. Note-se bem o logo a afirmação inicial: é surpreendente!
O Servo afirma que o Senhor Lhe deu uma língua de discípulo. Discípulo é o que aprende, o que escuta, todo aberto ao que o mestre fala. O surpreendente é que não diz que o Senhor deu um ouvido ou um coração de discípulo, mas uma língua! Em outras palavras: tudo quanto o Servo diz é porque assim ouviu do Senhor, do Santo de Israel! Como não pensar no nosso Salvador, que tantas vezes insistiu: “Minha doutrina não é Minha: Eu digo como o Pai me ordenou! Meu alimento é fazer a vontade do Pai!” Assim, o Servo; assim Jesus: totalmente aberto, totalmente disponível, totalmente pobre ante a vontade santíssima do Pai!

Jesus, nosso Senhor, nunca teve pose de astro, de pop star! Não: tudo Nele remetia ao Pai. Era o Pai que importava, era a vontade do Pai, a glória do Pai, o interesse do Pai, o Reino do Pai que realmente contavam! E esta atitude do nosso Salvador foi a atitude fundamental de toda a Sua existência na nossa carne: “De manhã em manhã Ele Me desperta, sim, desperta o Meu ouvido para que Eu ouça como os discípulos!”

Jesus foi grande, foi livre precisamente porque nunca procurou Sua própria glória, Sua própria vontade, Seu próprio interesse, mas somente a vontade do Pai: “Eu vim, ó Deus, para fazer a Tua vontade!” Por isso mesmo, Ele teve que aprender a obedecer, conforme diz a própria Escritura (cf. Hb 5,8). E isto custou; foi um duro aprendizado, com as dolorosas circunstâncias da vida: a cada manhã, a cada nova ocasião, o Pai Lhe foi abrindo os ouvidos! Que mistério, este da obediência amorosa do Filho, do ajustamento contínuo da Sua vontade humana à vontade do Pai!

Por isso mesmo, pela Sua santíssima obediência, Seu ministério foi fecundo e tornou-se consolo, salvação e libertação para nós e para o mundo inteiro: “soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto”. Eis: foi para a nossa salvação, para nosso conforto no coração do Santo de Israel que o Filho Se submeteu!

Adoremos, Irmão, este mistério! Imitemos o que adoramos! Recebamos a graça do que imitamos no concreto da nossa vida!

Reze o Salmo 93/94

Algumas anotações litúrgicas para o Domingo de Ramos

(1) A cor dos paramentos é vermelho, cor da paixão, do sangue, do Espírito de amor que faz dar a vida pelos irmãos.

(2) Em cada igreja somente pode haver uma procissão de ramos, feita antes da missa principal. No caso de uma outra missa importante, pode-se fazer nova bênção dos ramos e a entrada solene, como está na "Segunda forma" do Missal Romano: à porta da igreja os fiéis se reúnem, trazendo ramos nas mãos. O celebrante dirige-se para lá com os acólitos, abençoa os ramos, lê o Evangelho próprio e entra com o povo para a missa.

(3) A igreja deve estar discretamente ornamentada com ramos, não com flores.

(4) Para a procissão, é aconselhável que o padre use o pluvial. Somente chegando à igreja, depois de beijar e incensar o altar, tira o pluvial e coloca a casula.

(5) Na procissão, o padre vai à frente, com um ramo na mão, precedido pelos acólitos e seguido pelo povo.

(6) Os cânticos devem ser os próprios para esta celebração. Estão no missal. Existem CDs com composições próprias para esta momento.

(7) O padre, após revestir-se com a casula, já inicia a missa com a oração da Coleta.

(8) Importante: Ainda que não haja bênção dos ramos, o Evangelho da Missa é sempre a Paixão e nunca o da entrada de Jesus em Jerusalém. Nunca se deve esquecer: não há missa de ramos! A missa é da Paixão; de ramos é a procissão!

(9) A Paixão pode ser lida por várias pessoas, mas nunca dramatizada! A liturgia não é um teatro! Isso seria uma completa e total deturpação do que é uma celebração litúrgica!

(10) Os ramos devem ser levados para casa, colocados num lugar digno e devolvidos à paróquia antes da Quarta-feira de Cinzas do ano seguinte, para ser transformado em cinzas.

O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Procissão dos Ramos e Missa da Paixão

Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, inicia-se a Semana Santa, que os antigos cristãos chamavam Grande Semana.
Neste dia, a Igreja celebra dois mistérios bem distintos e complementares: (1) a entrada solene de Jesus em Jerusalém para celebrar sua última e definitiva Páscoa e
(2) a Sua Paixão e morte.
A entrada é celebrada com a bênção dos ramos e a procissão; a paixão e morte é celebrada na missa. Então, não existe uma Missa de Ramos; de ramos é a Procissão; a Missa é da Paixão do Senhor.

Isso tem um motivo histórico. Em Roma, não havia uma Semana Santa. Celebrava-se no sexto domingo da Quaresma a Paixão e Morte de Cristo e, no domingo seguinte, a Páscoa do Senhor. Somente no século XI é que a Procissão de Ramos, costume nascido em Jerusalém, passado para a Espanha e, depois, para a Gália (atual França), chegou a Roma, entrando na liturgia romana.

Participar da Bênção e Procissão dos Ramos:
(1) Significa reconhecer e proclamar que Jesus é o Messias prometido a Israel, o Descendente de Davi; o Salvador;
(2) Também significa reconhecer que Ele não é um Messias glorioso, mas humilde – vem num burrico e não num potente cavalo! -, um Messias que vem para servir e dar a vida: Seu trono será a cruz; Sua coroa, de espinhos, Seu cetro, uma cana colocada em Suas mãos em tom de zombaria!
(3) Participar da Procissão significa que queremos nos colocar debaixo do senhorio desse Messias pobre e humilde e desejamos participar da Sua sorte: ir com Ele até a cruz para participar da Sua vitória: “Fiel é esta palavra: se sofrermos com Ele, com Ele reinaremos; se morrermos com Ele, com Ele viveremos!” (2Tm 1,11s).

No contexto da Bênção dos Ramos, lê-se o Evangelho da entrada do Senhor em Jerusalém e faz-se uma pequena homilia explicando os três aspectos acima elencados.

Os ramos da Procissão devem ser guardado em casa, num lugar visível, para recordar que participamos dessa Profissão, proclamando que estávamos dispostos a ir até a cruz com o Senhor. E nas dores e sofrimentos da vida, olhando os ramos, vamos nos lembrar que as dores e feridas da existência são um modo de participar da Paixão do Senhor. Entremos com Ele em Jerusalém!

Terminada a Procissão, termina também toda referência que a liturgia faz aos Ramos. Então, tudo se volta para a Paixão do Senhor. A primeira leitura, é o Terceiro Canto do Servo Sofredor de Isaías (Is 50,4-7), recordando que o Senhor Jesus Se fez obediente ao Pai, um verdadeiro discípulo, aprendendo com o sofrimento, e encontrou forças na confiança no Seu Senhor e Deus.
O salmo responsorial é o Sl 22, aquele que Jesus rezou na cruz. Rezar esse salmo é ler os pensamentos de Jesus no momento da cruz!
A segunda leitura é o profundo hino de Filipenses 2,6-11: O Filho, sendo Deus, humilhou-Se até a morte de cruz e foi exaltado pelo Pai acima de tudo.
Finalmente, a Paixão segundo o Evangelista de cada ano – este ano de 2005 é o Evangelho segundo Marcos. Esta Missa tem um Prefácio próprio, que resume de modo admirável o mistério pascal: “Inocente, Jesus quis morrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e Sua ressurreição nos trouxe Vida nova”. A homilia dessa missa não deve deter-se sobre o tema dos ramos e sim no mistério do amor do Senhor que Se entregou ao Pai por nós até a morte e morte de cruz.

Sugestões de leituras bíblicas para bem celebrar a Semana Santa

Caro Irmão, nas mensagens seguintes, ofereço-lhe aqui um esquema de leituras da Sagrada Escritura para os dias do Santo Tríduo Pascal, para que você possa estar unido ao Cristo na celebração solene dos mistérios de sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Os números dos salmos entre parênteses são da Vulgata (e da Ave Maria). Os números fora dos parênteses são da Bíblia hebraica (e da Bíblia de Jerusalém, da Bíblia do Peregrino , da CNBB e da TEB).

Quinta-feira Santa

Neste dia, toda a atenção da Igreja se volta para o Cristo que, na Ceia, celebrou ritualmente a Páscoa com Seus discípulos: “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer...” (Lc 22,15).
Aquilo que o Senhor fizera nos gestos rituais (lavar os pés aos Seus, entregar-Se no pão e no vinho) na Quinta, Ele realizou realmente na Sexta-feira.
Recordemos que o Senhor fez Sua despedida no contexto da ceia pascal judaica, na qual os judeus faziam memorial da saída do Egito, libertação do povo de Israel. Jesus, agora, sairia do mundo, passando ( = fazendo a Páscoa) para o Pai, após atravessar o profundo e tenebroso mar da morte. Por tudo isso, para a Quinta-feira são recomendáveis os seguintes textos:

Para serem lidos antes da Missa na Ceia do Senhor:

1. Jo 13,1 – 14,31
É a emocionante narração da Ceia segundo João. Procure unir-se aos sentimentos de Cristo; procure entrar no clima de despedida e comoção daquela Ceia derradeira.

2. Sl 113(112) – Sl 118(117)
Estes seis salmos formam o Hallel Emoticon smile Louvor: Hallelu-Iah: louvai o Senhor) que os judeus cantavam na Ceia pascal judaica. Jesus cantou-os neste dia, recordando tudo quanto Deus fizera pelo Seu povo, ao tirá-lo do Egito: “Depois de terem cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras” (Mc 14,26). Se não for possível rezar estes salmos antes da Missa na Ceia do Senhor, que eles sejam rezados logo após.

Para serem lidos após a Missa na Ceia do Senhor:
3. Jo 15,1 – 17,26
Estes discursos de Jesus devem ser lidos após a Missa na Ceia do Senhor e dos Salmos do Hallel. Procure lê-los com o coração, devagar, curtindo, como em câmara lenta, cada palavra do Senhor que se entregou. É um discurso de despedida, que termina com a Oração Sacerdotal de Jesus. Antes de ser entregue, ele se oferece por nós e por nós reza ao Pai.

4. Salmos 6, 32(31), 38(37), 51(50), 102(101), 130(129) e 143(142)
Após a Ceia, Jesus entrou numa profunda agonia, no Horto das Oliveiras. Seria ótimo terminar o dia com estes sete salmos. São os salmos penitenciais da Igreja. Reze-os por você, pela Igreja e pelo mundo inteiro, pelos quais o Cristo sofreu e Se entregou à morte. Reze-os como se fosse o próprio Cristo rezando pela sua voz. É verdade que Ele não teve nenhum pecado, mas nunca esqueça: Ele assumiu os nossos...

Sexta-feira da Paixão do Senhor

Neste santíssimo dia de jejum e abstinência de carne, devemos manter um respeitoso recolhimento, unindo-nos piedosamente Àquele que por nós Se entregou até a morte. Nada de atividades inúteis, nada de músicas profanas, nada de televisão dispersiva, nada de conversas inúteis!

Antes da Celebração da Paixão
Pela manhã, preparando-se para participar à tarde da Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, reze o seguinte:
1. Is 42,1-9; 49,1-7; 50,4-10; 52,13 – 53,12
São os quatro cânticos do Servo Sofredor. Eles prenunciam a paixão do Senhor e revelam os sentimentos do Seu coração bendito. Esses cânticos devem ser rezados com o “coração na mão”, com toda unção e devoção!

2. Salmos 21(22), 31(30) e 69(68)
Destes três salmos, dois (o 21 e o 31) foram citados por Jesus na cruz. Os três revelam os seus sentimentos, Ele, que tomou sobre Si todos os nossos pecados! Estes salmos devem ser rezados como que emprestando nossa voz ao próprio Cristo, reproduzindo em nós os Seus sentimentos benditos!

Após a Celebração da Paixão do Senhor:
3. Salmos 3, 5, 7, 10, 13(12), 17(16), 25(24), 27(26), 28(27), 35(34), 38(37), 42(41), 43(42), 54(53), 55(54), 56(55), 57(56), 59(58), 61(60), 63(64), 70(69), 71(70), 86(85), 88(87), 120(119), 140(139), 141(140), 142(141), 143(142)
Após a celebração da Paixão, ainda na Sexta-feira, procure rezar todos estes salmos. São muitos, mas recorde que este é um dia de penitência e oração.
Estes salmos devem ser rezados em união com o Cristo, que assumindo nossos pecados, tomou toda nossa dor, todo nosso medo, toda nossa infidelidade, toda nossa fraqueza. Se você rezar todos estes salmos, terá a graça imensa de compreender por dentro os sentimentos do Cristo na Sua paixão e morte e irá dormir em paz, como Ele: “Em paz Me deito e logo adormeço, porque só Tu, Senhor, Me fazes viver em segurança” (Sl 4,9).

Sábado Santo

Neste dia tremendo, a Igreja permanece em profundo silêncio, unida a Maria, Virgem da Soledade, no dia mais difícil de sua vida: dia de solidão imensa, de vazio sem fim, mas também dia de teimosa esperança na fidelidade do Senhor Deus.
Os mais generosos devem jejuar - este é um dia de jejum total: até de comunhão eucarística!
Deve-se manter um respeitoso recolhimento; nada de atividades mundanas e dispersivas! Hoje, é proibida a comunhão eucarística até mesmo aos doentes. Somente os doentes moribundos, às portas da morte, podem comungar.
A Igreja une-se a Cristo na Sua descida aos infernos, ao sheol, habitação dos tragados pela morte: Ele entrou de verdade na situação de cadáver, de defunto, de nada... Durante todo o dia, vá distribuindo os seguintes textos:

1. Todo o Livro das Lamentações
Neste livro, o Profeta canta a miséria e a esperança de Jerusalém e a sua própria. É Cristo, Quem canta a miséria e a esperança da Igreja, da humanidade toda e de cada um de nós: tudo assumido por Ele, todo o peso do mundo sobre Ele desabou! Reze as lamentações durante todo o dia, repartindo-a em cinco partes, de acordo com os capítulos.

2. Salmos 4, 16(15) e 139(138)
Estes três salmos devem ser rezados no sábado à tardinha ou no início da noite, mas antes da Santa Vigília Pascal. Os três já prenunciam a Ressurreição:
“Em paz Me deito e logo adormeço, porque só Tu, Senhor, Me fazes viver em segurança” (Sl 4,9),
“Bendigo ao Senhor que Me aconselha, e mesmo à noite, Meus rins Me instruem. Meu coração exulta e Minha carne repousa em segurança.. Ensinar-Me-ás o caminho da Vida” (Sl 16[15], 79) e
“Senhor, Tu conheces quando Me deito (na morte) e Me levanto (na ressurreição)... Sobre Mim Tu pões a Tua mão!” (Sl 139[138],2.5).

Domingo de Páscoa

Neste Dia santíssimo, "Dia que o Senhor fez para nós!" – o mais sagrado de todos, prenúncio do Dia sem fim, do Dia final – pode-se retomar os salmos da Santa Vigília pascal!

Durante o dia todo, vá curtindo os textos que narram as aparições do Ressuscitado. Não tente compará-los nem fazer uma sequência histórica dos fatos. É impossível! Aqui, cada texto tem sua mensagem, sua característica própria, sua vibração, seu encanto... 

São textos para serem curtidos com pura emoção e gratidão, com pura louvação ao Deus fiel, que ressuscitou o Seu Filho dentre os mortos, como primícias da ressurreição nossa e do mundo!

Leia-os na ordem que eu coloco aqui:

Mt 18,1-20; Lc 24,1-53; Mc 16,1-20; Jo 20,1 – 21,25

Durante toda a Oitava de Páscoa devemos nos desejar ardentemente “Feliz Páscoa!” Nossos irmãos orientais saúdam-se assim uns aos outros: “O Irmão Jesus ressuscitou!” e o outro responde: “Ressuscitou verdadeiramente!”

Eis agora a Páscoa, nossa Festa!

“Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

Está próxima a festa da Páscoa; não a dos judeus, mas a de Cristo, motivo e garantia da nossa. Toda a Igreja está se preparando para a Celebração, para a grande Festa, a maior dos cristãos: Cristo, nosso Cordeiro pascal, imolado por nós, para nossa salvação. Ele fez Sua Páscoa quando, na força do Espírito Santo, passou deste mundo para o Pai, desta vida mortal, para a plenitude da Glória imperecível: está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso!

Ressuscitado, Ele nos deu o Seu Espírito: derramou-O sobre Seus discípulos, sobre toda a humanidade, sobre toda a criação. Pela força desse Espírito, o mesmo que ressuscitou Jesus dentre os mortos, tudo será, um dia transfigurado, plenificado, ressuscitado: nós, o mundo, toda a criação – será a nossa Páscoa, pois na força do Espírito do Ressuscitado, passaremos deste mundo, desta vida, para a Glória. Por isso a grandeza desta festa – a Páscoa, a Passagem!

Pensemos bem: celebrá-la significa proclamar que a criação tem um rumo, um caminho, um destino: a glória do Pai, pois ela toda será plenificada pelo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos. O cosmo caminha, portanto, para o Cristo glorificado: Ele que é o Alfa, o Princípio de tudo, é também o Ômega, o Fim, a Finalidade de toda a criação. O universo, então, não caminha para o acaso, para o indeterminado, o imprevisível. E o Ressuscitado, Senhor do cosmo, que é nosso porto, destino e descanso. É Ele Quem entregará, um dia, aquele Dia final, tudo ao Pai, para que o Pai seja tudo em todos!

Também a história humana – esta história tão marcada por realizações e lágrimas, momentos belos e ocasiões tão negras! É Cristo, o injustiçado, o macerado, o derrotado pela maldade do mundo, é Ele o Triunfador, o Vivente, o Príncipe morto que agora reina vivo. É Ele Quem tem nas mãos o livro selado, o livro da história humana. É Nele que um dia, no Último Dia, toda a história será passada a limpo. Por isso o cristão vive na esperança: ele sabe que vale a pena lutar para construir um mundo melhor, pois é para o Cristo que esse mundo caminha. A história não é uma realidade cega, sem lógica... Em Cristo tudo será iluminado: todo pranto será enxugado, toda injustiça será reparada, toda morte e as mortes todas serão vencidas!

Finalmente, celebrar a Páscoa significa crer que nossa vida pessoal e eclesial também caminha para o desabrochar na glória! A glória do Espírito de ressurreição, que o Pai derramou sobre o Filho, o Filho no-la dá: “Eu lhes dei a glória que Tu Me deste!” Nós ressuscitaremos, como Jesus e por causa de Jesus – é Ele nosso Destino, Modelo e Caminho! Então, nossa vida tem sentido, nossos sonhos e desafios são cheios de esperança, são promessa de futuro! Nós e toda a Igreja seremos transfigurados, plenificados: a Igreja será plenamente Esposa sem mancha do Cordeiro imolado e nós, completando o caminho iniciado no Batismo, traremos em nós a imagem perfeita e madura de Jesus Ressuscitado, o Homem Perfeito!

Eis a Páscoa nossa Festa, Festa da Igreja, Festa da humanidade, Festa da criação!
Tristes de nós, triste da Igreja, se celebrar a Páscoa ficando sempre a mesma, sem se contagiar pela esperança, sem a teimosia de construir, sem a força de recomeçar sempre, sem a graça de crer na vida, no bem e no amor. Ela, a Igreja, deve ser a primeira testemunha do Ressuscitado, e não somente na evocação do rito sagrado, na sonoridade da proclamação, mas também e sobretudo no compromisso e testemunho de seu modo de viver e no esforço de uma conversão contínua! Aí a Páscoa não será uma festa anual, mas será presença constante na nossa vida, numa vida pascal, que desembocará na Páscoa da glória!

Eis! Que nossa Páscoa permaneça para sempre!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Retiro quaresmal - sexta-feira da V semana

Concluamos agora a nossa meditação sobre o Segundo Cântico do Servo Sofredor, viva profecia sobre o nosso Jesus:

“Assim diz o Senhor, o redentor, o Santo de Israel
Àquele cuja alma é desprezada, vilipendiada pela nação,
Ao Servo dos tiranos:
Reis o verão e se erguerão, príncipes o verão e se prostrarão,
Por causa do Senhor, que é fiel, do Santo de Israel, que Te escolheu!” (Is 49,7).


É assim que termina este segundo Cântico: de modo triunfante e dramático!
O Servo será humilhado, vilipendiado, rejeitado pelo Seu próprio povo. Os tiranos zombarão Dele – Herodes, Pilatos, os chefes do Sinedrio e tantos grandes de todos os tempos, grandes do poder político, econômico, grandes das ciências e universidades, grandes dos meios de comunicação...

No entanto, Ele triunfará: os grandes haverão de se prostrar diante Dele, conforme as palavras do Salmo 2:

“Os reis da terra se insurgem,/ e unidos os príncipes enfrentam/ o Senhor e o Seu Messias.../ O que habita nos céus ri,/ o Senhor Se diverte às custas deles.../ Publicarei o decreto do Senhor:/ Ele Me disse: ‘Tu és o Meu Filho, Eu hoje Te gerei!’”.

Sim, o Senhor Deus é fiel e não abandonará o Seu Servo, mas, atenção: não O livrará de passar pelo fogo e pelas águas profundas da privação e da morte!

- Senhor, Teus caminhos são misteriosos!
Teus desígnios, ó Deus bendito, nos são tão incompreensíveis;
deixam-nos confusos, inseguros, perplexos!
Até mesmo o Teu Servo, o Teu Bendito e Santo Filho,
Jesus nosso Senhor,
experimentou humanamente a vertigem de caminhar na Tua presença!
Por que és assim? Por que fazes assim?
Silêncio, mistério!
Quem pode caminhar Contigo,
a não ser o de coração de pobre, que se abandona nos Teus braços?
Quem pode confiar em Tu,
senão quem tem um coração de criança, que confia e espera contra toda a esperança?
Senhor, Deus Santo, Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
ensina-me os Teus caminhos para que eu ande na Tua vontade;
dá-me um coração pobre, simples, inteiro,
que tema o Teu Santo Nome e em Ti me abandone,
por Cristo,
com Cristo,
em Cristo,
mesmo até a cruz
e até a ressurreição!

Reze os Salmos 37/38 e 38/39...