“Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).
Está próxima a festa da Páscoa; não a dos judeus, mas a de Cristo, motivo e garantia da nossa. Toda a Igreja está se preparando para a Celebração, para a grande Festa, a maior dos cristãos: Cristo, nosso Cordeiro pascal, imolado por nós, para nossa salvação. Ele fez Sua Páscoa quando, na força do Espírito Santo, passou deste mundo para o Pai, desta vida mortal, para a plenitude da Glória imperecível: está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso!
Ressuscitado, Ele nos deu o Seu Espírito: derramou-O sobre Seus discípulos, sobre toda a humanidade, sobre toda a criação. Pela força desse Espírito, o mesmo que ressuscitou Jesus dentre os mortos, tudo será, um dia transfigurado, plenificado, ressuscitado: nós, o mundo, toda a criação – será a nossa Páscoa, pois na força do Espírito do Ressuscitado, passaremos deste mundo, desta vida, para a Glória. Por isso a grandeza desta festa – a Páscoa, a Passagem!
Pensemos bem: celebrá-la significa proclamar que a criação tem um rumo, um caminho, um destino: a glória do Pai, pois ela toda será plenificada pelo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos. O cosmo caminha, portanto, para o Cristo glorificado: Ele que é o Alfa, o Princípio de tudo, é também o Ômega, o Fim, a Finalidade de toda a criação. O universo, então, não caminha para o acaso, para o indeterminado, o imprevisível. E o Ressuscitado, Senhor do cosmo, que é nosso porto, destino e descanso. É Ele Quem entregará, um dia, aquele Dia final, tudo ao Pai, para que o Pai seja tudo em todos!
Também a história humana – esta história tão marcada por realizações e lágrimas, momentos belos e ocasiões tão negras! É Cristo, o injustiçado, o macerado, o derrotado pela maldade do mundo, é Ele o Triunfador, o Vivente, o Príncipe morto que agora reina vivo. É Ele Quem tem nas mãos o livro selado, o livro da história humana. É Nele que um dia, no Último Dia, toda a história será passada a limpo. Por isso o cristão vive na esperança: ele sabe que vale a pena lutar para construir um mundo melhor, pois é para o Cristo que esse mundo caminha. A história não é uma realidade cega, sem lógica... Em Cristo tudo será iluminado: todo pranto será enxugado, toda injustiça será reparada, toda morte e as mortes todas serão vencidas!
Finalmente, celebrar a Páscoa significa crer que nossa vida pessoal e eclesial também caminha para o desabrochar na glória! A glória do Espírito de ressurreição, que o Pai derramou sobre o Filho, o Filho no-la dá: “Eu lhes dei a glória que Tu Me deste!” Nós ressuscitaremos, como Jesus e por causa de Jesus – é Ele nosso Destino, Modelo e Caminho! Então, nossa vida tem sentido, nossos sonhos e desafios são cheios de esperança, são promessa de futuro! Nós e toda a Igreja seremos transfigurados, plenificados: a Igreja será plenamente Esposa sem mancha do Cordeiro imolado e nós, completando o caminho iniciado no Batismo, traremos em nós a imagem perfeita e madura de Jesus Ressuscitado, o Homem Perfeito!
Eis a Páscoa nossa Festa, Festa da Igreja, Festa da humanidade, Festa da criação!
Tristes de nós, triste da Igreja, se celebrar a Páscoa ficando sempre a mesma, sem se contagiar pela esperança, sem a teimosia de construir, sem a força de recomeçar sempre, sem a graça de crer na vida, no bem e no amor. Ela, a Igreja, deve ser a primeira testemunha do Ressuscitado, e não somente na evocação do rito sagrado, na sonoridade da proclamação, mas também e sobretudo no compromisso e testemunho de seu modo de viver e no esforço de uma conversão contínua! Aí a Páscoa não será uma festa anual, mas será presença constante na nossa vida, numa vida pascal, que desembocará na Páscoa da glória!
Eis! Que nossa Páscoa permaneça para sempre!