sábado, 21 de março de 2015

Retiro quaresmal - sábado da IV semana

"Ele não clamará, não levantará a voz,
não fará ouvir a voz nas ruas;
não quebrará a cana rachada,
não apagará a mecha bruxuleante,
com fidelidade trará o direito (Is 42,2-3).


O Santo de Israel, o Deus vivo de Abraão, de Isaac e de Jacó, vai apresentando o Seu Servo, vai traçando Seu perfil.

Nestes versículos aparece clara a Sua mansidão: Ele não vem de modo vistoso, imponente, mas humilde, brando, manso: não grita, não aterroriza, não ameaça.
Mais ainda: é misericordioso, pois vem para sarar, para recompor: não quebra a cana que já está rachada ou a chama que ainda fumega.

Foi assim que o nosso Jesus se comportou: acolheu publicanos, prostitutas, pecadores de toda espécie...
Nunca justificou o pecado, mas sempre procurou acolher e perdoar os pecadores, já feridos, já rachados, titubeantes pelos pesos, erros e ferimentos da vida...
Com toda fidelidade, Jesus defendeu o direito de Deus: Sua santidade, Sua exigência de um amor verdadeiro, total e absoluto, Sua misericórdia e desejo de dar vida ao pecador...

Medite, contemple o Senhor Jesus!
Reze o Salmo 31/32, um dos salmos penitenciais da Igreja.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Retiro quaresmal - sexta-feira da IV semana

Aproximamo-nos da Grande Semana. A Liturgia da Igreja começa agora a colocar toda a sua atenção em Jesus, o nosso Salvador, que por nós e pela nossa salvação, sofreu tão grande contradição, até a morte e morte de cruz.

Assim, meu caro Amigo, como continuação do nosso Retiro Quaresmal apresentarei por estes dias vários textos para sua meditação. Sobretudo, colocarei os quatro cânticos do Servo Sofredor, procurando comentá-los. Hoje, o Primeiro Cântico (Is 42,1-9), lido como primeira leitura da Missa da Segunda-feira Santa. Que o nosso olhar se dirija a Jesus; que o nosso coração se fixe no Senhor!

"Eis o Meu Servo que Eu sustento,
o Meu Eleito, em quem tenho prazer.
pus sobre Ele o Meu Espírito,
Ele trará o direito às nações" (Is 42,1).

Assim começa o primeiro dos quatro cânticos do Servo sofredor.
Aqui o Deus de Israel apresenta o Seu Servo.

Observe, meu Leitor, que são as mesmas palavras ditas no batismo de Jesus: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo” (Mt 3,17).
E enquanto diz isto, o Pai derrama sobre Ele o Seu Espírito. É o cumprimento desta profecia. E mais: aqui o Pai revela ao Filho que tipo de Messias Ele deve ser: o Messias Servo, apresentado no Livro de Isaías profeta.
Por isso mesmo a Igreja, durante toda esta Semana Santa, na Missa cotidiana, apresenta a figura do Servo sofredor. Toda a missão do nosso Salvador foi vivida como Servo sofredor e é assim que O contemplamos nestes dias santíssimos.

Ele é o Ungido ( = Messias) pelo Espírito Santo para ser o Servo salvador de Israel e do mundo inteiro.
Observe como já aqui está anunciado o alcance universal da Sua missão: “Ele trará o direito às nações”. Qual direito? O direito de Deus, do Deus Santo de Israel. Este direito que nossa sociedade ocidental agora rejeita e joga no lixo de sua existência e muitas vezes também nós, que trazemos o nome santo de cristãos, quando queremos viver do nosso modo, à margem ou contra a vontade do Senhor...

Pense nisto!
Reze o Salmo 6, o primeiro dos salmos penitenciais

Preparando a Grande Semana

Meu caro Amigo, uma das características essenciais do cristão é o constante processo de identificação com Jesus nosso Senhor. Não se trate de algo sentimental, psicológico, digamos assim. Desde o Batismo e passando por todos os sacramentos, tendo como cume a Eucaristia, por obra do Espírito Santo do Senhor imolado e ressuscitado, o cristão vai se tornando uma só coisa com o seu Senhor, a ponto de exclamar com toda verdade “Já não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim!”.

Mas este processo que se dá no nível do ser, deve invadir todos os âmbitos da nossa existência: também o nosso psiquismo, nossa imaginação, nossa memória, nossos afetos e sentimentos. “Tende em vós os mesmos sentimentos do Cristo Jesus!”


Pois bem, nestes dias que antecedem a Grande Semana ou Semana Santa, convido-o insistentemente a deixar-se inundar pelos sentimentos do nosso Salvador no Seu caminho para o Calvário e a Ressurreição. Convido-o a viver a Páscoa por dentro, tanto nos ritos sagrados da Liturgia, que nos fazem contemporâneos dos gestos salvíficos de Cristo, como também tornando seus o sentimentos e atitudes interiores do Salvador. Para isto, eis o que deve ser feito:

1. Procure ler e meditar os textos evangélicos da Missa de cada dia, começando pelos da segunda-feira passada: segunda-feira da IV semana da Quaresma. Eles são todos do Evangelho segundo João e vão mostrando a forte disputa entre Jesus e os judeus; disputa que terminará no teibunal de Pilatos.

2. Leia, meditando e tendo sempre o Cristo diante dos olhos e no coração, os quatro cânticos do Servo Sofredor: eles falam do Senhor nosso Jesus Cristo: Is 42,1-9; 49,1-7; 50,4-11; 52,13 – 53,12.

3. Reze os Salmos de súplica individual do Saltério. Reze-os emprestando a sua voz a Cristo; deixe que Cristo fale por você; reviva em você os sentimentos Dele. Eis os Salmos: 5; 6; 7; 13; 17; 22; 25; 26; 28; 31; 35; 36; 38; 39; 42; 43; 51; 54; 55; 56; 57; 59; 61; 63; 64; 69; 70; 71; 86; 88; 102; 109; 120; 130; 140; 141; 142; 143. A numeração dada aqui é a hebraica; isto quer dizer que, por exemplo, o Salmo 51 é o Salmo 50 da “Ave Maria”. Importante: quando o salmista reconhecer seus pecados, tal afirmação deve ser compreendida como Cristo que toma sobre Si as consequências dos pecados do mundo inteiro, pois o nosso Salvado nunca teve pecado: é santíssimo e Deus perfeito.

Bom exercício de oração! Boa preparação para a Semana Santa. Depois darei outras sugestões!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Retiro quaresmal - quarta-feira da IV semana

Comecemos com a Palavra de Deus:

"Naqueles dias, 4um grupo de pessoas que estava no meio deles foi atacado de um desejo desordenado, e os filhos de Israel começaram a lamentar-se, dizendo: “Quem nos dará carne para comer? 5Vêm-nos à memória os peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos e os melões, as verduras, as cebolas e os alhos. 6Aqui nada tem gosto ao nosso paladar, não vemos outra coisa a não ser o maná" (Nm 11,4-6).


Israel foi atacado de desejo desordenado. Já tinha o maná, o Senhor o sustentava, tinha a água do rochedo...

Mas, Israel é guloso: nunca está satisfeito; corre atrás de suas mil vontades, de seus mil interesses contraditórios e mortais. Na sua gula por satisfazer seus desejos, por seguir sua lógica, por ir atrás de seus apetites, o povo recorda a antiga escravidão e, seduzido pelo diabo e por suas próprias paixões, tem a ilusão de que o tempo do Egito fora um paraíso! Eis: a obra do Diabo é seduzir, mentir, enganar o homem!
O pecado nos faz isto: o mal parece bem, o feio parece belo, o errado parece louvável, o que leva à morte parece nos realizar a vida!

Repito: o pecado é, primeiramente, um mistério de sedução, é uma maldita miragem que nos afasta de ver e avaliar a realidade como ela é.

O resultado é sempre trágico: a morte, afastamento de Deus! Israel comeu carne, como desejava... A carne lhe trouxe náuseas e morte!

Aqui, a nossa meditação deste hoje quaresmal:

1. Você tem vigiado seus impulsos e desejos? Não se trata de sufocá-los simplesmente, mas procurar compreender donde vêm e orientá-los, disciplinando-os e rejeitando tudo quanto possa ferir sua opção por Cristo nosso Senhor.

2. Você tem procurado educar sua imaginação, sua memória, seus pensamentos, evitando "castelar", isto é, entregar-se a pensamentos e sentimentos inúteis?

3. Você tem um diretor espiritual, alguém que o ajude no caminho do Senhor?

4. Você tem procurado educar sua vontade e tem se esforçado para ser aquele que dirige a própria vida sob a luz do Senhor? Lembre: somente somos verdadeiramente livres quando todos os aspectos da nossa vida são ordenados de acordo com a nossa opção fundamental e somente somos plenos diante de Deus quando nossa opção fundamental é radicada no Cristo que o Pai nos enviou. Nisto, somos unificados, fora disto, somos quebrados em mil vontades contraditórias!

5. Deixo-lhe dois pensamentos:
Um é da Regra de São Bento: "Afasta-te de tuas vontades!" - assim, no plural, pois nossas vontades são muitas, desagregadoras e contraditórias. Quem vive na única vontade de Deus unifica o coração e a vida.

Outro, dos Provérbios, também citado pela Santa Regra: "Há caminhos que parecem bons aos homens e vão terminar no fundo dos infernos". Qual o modo de evitar essa tragédia? Viver na obediência aos preceitos do Senhor!

Reze o Salmo 69/70 - é um salmo para quem se sente e se sabe envelhecido pelo pecado...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Retiro quaresmal - terça-feira da IV semana


Hoje, é um Padre do Deserto, daqueles primeiros ascetas cristãos, quem orientará o nosso caminho quaresmal. Trata-se de São Doroteu de Gaza, na Palestina do séc. IV, sempre muito atento em observar e descrever os movimentos interiores do coração humano. Eis suas palavras:


"Pensai num círculo traçado no chão, isto é, numa linha feita com um compasso, a partir de um centro; ao meio do círculo chama-se justamente centro. Aplicai o vosso espírito ao que vos digo.

Imaginai que este círculo é o mundo, que o centro é Deus, e os raios são as diferentes vias ou maneiras de viver dos homens.

Quando os santos, desejando aproximar-se de Deus, se dirigem para o meio do círculo, na medida em que penetram no seu interior, aproximam-se uns dos outros ao mesmo tempo que se aproximam de Deus. Quanto mais se aproximam de Deus, mais se aproximam uns dos outros; e, quanto mais se aproximam uns dos outros, mais se aproximam de Deus.

E compreendeis que o mesmo acontece em sentido inverso, quando as pessoas se afastam de Deus para se retirar para o exterior; é então evidente que, quanto mais se afastam de Deus, mais se afastam uns dos outros, e, quanto mais se afastam uns dos outros, mais se afastam também de Deus.

Tal é a natureza da caridade. Na medida em que estamos no exterior e não amamos a Deus, nessa medida, distanciamo-nos do próximo. Mas, se amamos a Deus, quanto mais nos aproximamos Dele pela caridade, tanto mais comunicamos a caridade ao próximo; e, quanto mais unidos estamos ao próximo, mais unidos estamos a Deus".

Palavras simples, diretas e práticas. Aliás, todos os santos doutores cristãos ensinam isto: a união com o Senhor Deus e a comunhão com os irmãos caminham sempre juntas; são diretamente proporcionais.

Um amor ao próximo simplesmente pelo próximo tem pernas curtas e não vai à fonte do amor nem dela brota, permanecendo sempre um amor de meio de caminho.


Pergunte-se hoje pela qualidade de sua relação com os demais:

Brota da raiz do amor a Deus?

Dá-se no interior do amor a Deus?

É motivada pelo amor de Deus?


Seu amor a Deus impulsiona-o em direção aos irmãos?

O fato de ser amigo de Deus faz de você alguém aberto e benigno, generoso e solícito em relação aos demais?


Pense nestas coisas...


Leia e medite 1Cor 13. É a oração que eu proponho para hoje...

E recorde: esse amor-caridade é o próprio Espírito do Senhor imolado e ressuscitado em nós, pois "o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado" (Rm 5,5).

Retiro quaresmal - segunda-feira da IV semana

Meditemos hoje sobre a oração.
O Senhor no-lá indica: “rezar sempre, e nunca desistir”, rezar perseverantemente, sem jamais desfalecer, diz o Evangelho! E aqui se trata, de modo especial, do mais escandaloso de todos os tipos de oração para o mundo atual, tão autossuficiente: a oração de súplica; aquela que somente tem coragem de fazer quem é pobre e sabe que depende de Deus em tudo; somente tem coragem de fazê-la quem crê realmente que Deus Se preocupa é Se ocupa com Suas criaturas e, de verdade, age neste mundo, age, presente na nossa vida tão pequena...

Eis: a oração de súplica é coisa de gente simples, de gente que tem coração de criança, que tem fé humilde e atitude de pobre diante de Deus; é coisa de quem não tem vergonha de pedir, de teimar, de insistir! Bem que Jesus disse que somente os simples, somente os que têm um coração de criança podem compreende os segredos do Reino!

Eu lhe digo: a oração de súplica é tropeço para os sábios segundo a carne, para os inteligentes do mundo, para os não abrem sua razão ao infinito de Deus!

Talvez você já tenha ouvido aqueles que, cheios de si, dizem assim: “Na minha oração, eu nunca peço, só agradeço!"
Pois é! São soberbos, são autossuficientes, não se conhecem, não percebem a miséria, a limitação, a debilidade da humana natureza, que necessita continuamente do socorro do Senhor, Daquele que nos ordenou expressamente: “Pedi e vos será dado! Procurai e encontrareis! Batei e a porta vos será aberta! Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que Lhe pedirem!” (Mt 7,7.11)

Sim, caro! É necessário pedir ao Senhor, e pedir com a insistência da viúva pobre e necessitada do Evangelho, com a persistência de Moisés, que passou todo o dia com as mãos erguidas, como Cristo na cruz, suplicando a vitória para Israel!

Mas, talvez, você pergunte, curioso: “Por que pedir, se o Senhor já sabe do que temos necessidade? E por que ainda pedir com insistência se já suplicando uma vez, Ele decide o que fazer, Ele que tudo sabe eternamente, Ele que não muda? Pode o homem mudar a vontade de Deus, alterar o desígnio do Altíssimo?”

Obedeçamos, irmãos caríssimos! O Senhor, no Seu insondável mistério, sabe por que nos manda pedir e insistir no pedido!

No entanto, mesmo nós, na nossa pouca sabedoria, podemos perceber um pouco a necessidade absoluta de suplicar. Penei um momento:

Suplicando, reconhecemos que somos totalmente dependentes e tudo nos vem do Senhor, Daquele que dá a vitória e a derrota, que faz o rico e faz o pobre, que fere e cura a ferida, que faz morrer e faz viver!

Suplicando, vamos aprendendo a confiar Nele, a Nele esperar e, assim, vamos experimentando a Sua presença real na nossa vida e vamos crescendo no nosso amor para com Ele.

Suplicando com insistência, vamos desenvolvendo a certeza de que Ele nos escuta, de que nos envolve com Sua presença e nos socorrerá na nossa necessidade.

Ainda mais: de tanto suplicar e teimar na súplica, nos vamos abandonando aos Seus tempos misteriosos, à Sua vontade que nos ultrapassa, aos Seus modos que nos desconcertam e, então, vamos interiormente nos dispondo a acolher o que Ele quer, a aceitar a Sua santa vontade, ainda que não seja a nossa nem na medida das nossas expectativas humanas.

Sim! Bom amigo de Deus não é o que só aceita o que pediu, mas aquele que, pedindo com perseverança e amor confiante, acolhe o que o Senhor concede, tendo a firme convicção – nascida da oração teimosa – de que o Senhor nos dá o que é melhor para nós, ainda que muitas vezes não o compreendamos bem!
Por isso a misteriosa palavra do nosso Salvador no Evangelho: “Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que dia e noite gritam por Ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa!”

Palavra espantosa! Jesus não somente afirma que Deus nos escuta e vem em nosso socorro, mas também que vem bem depressa!
E nós pensamos: “Mas isto não acontece assim! Quanta oração fiz que não foi ouvida! Quanta oração demorada na resposta! Não é a própria Escritura Santa que nos diz: “Suporta as demoras de Deus, agarra-te a Ele e não O largues”? (Eclo 2,3)

O Senhor nos ouve sim, o Senhor vem logo em nosso socorro sim, o Senhor Se compadece do que a Ele suplica! Mas, os tempos de Deus não são os nossos, a pedagogia do Senhor nos ultrapassa, a ação do Senhor não pode ser totalmente alcançada por nós: Ele é Deus; nós, pó que o vento leva! Por isso mesmo, a misteriosíssima pergunta de Jesus: “Quando o Filho do Homem vier, encontrará fé sobre a terra?” Eis: O Senhor nos ouve, o Senhor Se compadece de nós – Ele nos deu tudo no Seu Filho por nós morto e ressuscitado! Como ainda nos seria possível duvidar Dele?

Ele vem em nosso socorro, mas no Seu tempo, do Seu modo, segundo o Seu sábio e misterioso desígnio! Mas, encontrará fé em nós? Saberemos reconhecê-Lo? Sei eu, sabeis vós, sabemos nós reconhecer o Senhor nas Suas vindas? Ele vem na alegria e vem também na tristeza; no sorriso, ei-Lo aqui, mas também é Ele ainda no pranto; é Ele na vitória e ainda é Ele na derrota; é Ele presente no nosso nascer e no nosso morrer! E isto nos escapa, como o Salmista exclama, admirado e perplexo: “Como são profundos para mim Teus pensamentos, como é grande seu número, ó Deus! Se os conto, são mais que a areia, se acho que terminei, ainda estou Contigo!” (Sl 138/139,17s).

Sejamos pobres diante do Senhor Deus! Sejamos humildes! Oremos sempre, oremos suplicando, oremos com um coração confiante, oremos sem desfalecer, oremos esperando contra toda esperança, oremos na certeza de que o Senhor nos ouve e no acode, do Seu modo, no Seu tempo, para o nosso bem, segundo o Seu misterioso desígnio!

Para o homem soberbo tudo isto é tolice; para o autossuficiente e o racionalista, tudo isto é loucura sem sentido!

Cuidado! Tomemos seriamente o conselho do santo Apóstolo a Timóteo: “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade! Conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus!”


Eis aqui! Esta é a diferença entre crer e não crer: o verdadeiro crente tem a coragem ousada de abrir-se à lógica de Deus, de por Ele deixar-se conduzir; o descrente, ao invés, deseja medir a ação de Deus e compreendê-la e abarcá-la na medida da sua lógica, na estreiteza de sua própria racionalidade!

Creiamos, irmão; rezemos, irmão; com perseverança supliquemos, irmão, com inteira confiança esperemos, elevando as mãos como Moisés e os olhos como o Salmista, certos de que “do Senhor é que nos vem o socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra, pois não dorme nem cochila o Guarda de Israel!” Seja Ele sempre bendito na Igreja e no nosso coração!

Reze o Salmo 4

Brasil! 15 de março de 2015

Hoje tivemos um dia histórico para o Brasil. Os brasileiros foram às ruas simplesmente para demonstrar sua insatisfação com a onda de corrupção que envolve figuras ligadas ao atual grupo que governa o País.

Quem diz que isto é golpe, não sabe o que é uma democracia! Os cidadãos têm sim o pleno direito e o dever de manifestar sua opinião, de cobrar dos governantes honestidade, eficiência e compromisso ético.

Quanto ao impedimento da Presidente da República, qualquer cidadão tem o direito de exprimir sua opinião. É possível o impedimento de algum presidente? Claro que sim, desde que seja no marco constitucional. Falar em impedimento não é golpe, é discussão democrática. Não é terceiro turno, é manifestação de que algo de importante não está bem! Quem pode negar isto no Brasil atual? As dezenas de bilhões roubados ao povo brasileiro só na Petrobras gritam isto!

Também é preciso cuidado com aqueles que, de má fé, querem fazer contraposição entre ricos e pobres, negros e brancos! Não se trata disso e todos sabem - mesmo se alguns, por má fé ideológica, não admitem! Trata-se simplesmente de indignação contra o verdadeiro assalto aos cofres públicos, ao conjunto de medidas erradas que levou a economia brasileira à situação de crise em que nos encontramos.

Numa verdadeira democracia, o poder pertence ao povo. Contudo, não deve ser exercido diretamente, pois seria esta a arma para os populismos e demagogias totalitárias de tipo bolivariano, mas deve ser exercido através dos representantes legitimamente eleitos. Todos esses eleitos podem ser retirados do poder, se não honrarem seus mandatos, desde que pelas vias constitucionais. Em outras palavras: sim à democracia representativa; não à democracia direta!

O que mais? Ainda que alguns peçam a intervenção militar, esta solução é totalmente equivocada, porque fora do marco constitucional. Seria uma armadilha, que terminaria numa ditadura... Cabe aos civis governar, como cabe a eles, dentro do preceito constitucional, resolver os impasses que surjam na vida política do País! Penso ser mais que claro que a totalidade dos manifestantes não defende esta solução militar - nem mesmo os militares, se forem espertos! Aliás, em qualquer tempo em que um presidente seja afastado ou se afaste do seu cargo, cabe unicamente ao vice-presidente assumir. É só.

Uma última coisa: a presidência da CNBB não se colocou contra as manifestações. Avalia-as legítimas. Somente chamou atenção para que não se vá logo falando em impedimento da Presidente, pois isto poderia destruir a segurança legal e constitucional, bem como a estabilidade política do País. Cabe ao Congresso analisar esta situação das condições para um impedimento, de acordo com a força dos apelos da sociedade. Em todo caso, cada um, inclusive os católicos, tem direito de pensar como julgar melhor...

É só. O resto é apelo ideológico, alguns deles realmente deploráveis pela pouca seriedade e profundidade... Vê-se que a mentalidade realmente democrática ainda está longe das sociedades latino-americanas, incluindo o Brasil!

No mais, parabéns aos brasileiros pelo dia de hoje! A sociedade como um todo se manifestou! Cabe ao Governo ouvir, fazer um seríssimo exame de consciência e mudar o que ainda dá para ser mudado. Cabe também à Oposição ser verdadeiramente oposição. Numa eleição, elege-se o governo e a oposição. Que o governo governe e a oposição critique, fiscalize, proponha alternativas e denuncie! Quanto ao mais, é esperar que a Polícia Federal e o Poder Judiciário façam a parte que lhes cabe na investigação e punição dos culpados...

Deus proteja o Brasil! Deus abençoe os brasileiros todos!