domingo, 16 de março de 2014

Considerai Jesus!

"Meus santos Irmãos e companheiros da vocação celeste, considerai atentamente Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa profissão de fé!" (Hb 3,1)

Eis, que belo conselho particularmente para estes dias quaresmais, que desembocarão na Santa Semana da Paixão, Morte e Ressurreição do Salvador!

Considerar atentamente Jesus! - Este deveria ser nosso estudo, esta, nossa meditação constante, esta nossa ciência, nossa sabedoria! Considerar Jesus, aprender Dele, ter os sentimentos Dele, reproduzir em nós a Sua vida bendita!

Ele, o Apóstolo, isto é, o Enviado do Pai; Imagem, Ícone, Rosto do Deus invisível! Ele Palavra do Pai, Palavra feita carne, feita sorriso, feita abraço, feita entrega dolorosa, concreta, na Cruz! Ele, o Obediente até a morte e morte de Cruz!

Jesus, o Sumo Sacerdote da nossa fé! Como Deus, dá-nos a Vida divina; como homem, apresenta-Se diante do Pai, imolado e ressuscitado, com o Seu eterno, perene sacrifício, intercedendo continuamente por nós!

Considerai, Irmãos, Jesus Apóstolo da nossa fé! Considerai, Irmãos, Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, razão da nossa certeza, certeza da nossa esperança!

Seja esta Quaresma ocasião para crescer no conhecimento amoroso de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Quem não o conhece, não permanecerá na fé, quem não é seu amigo, não subsistirá, quem não une seu coração ao Dele vai esmorecer...

"Irmãos, considerai atentamente Jesus!"




sábado, 15 de março de 2014

II Domingo da Quaresma: De Quaresma em Quaresma, à Páscoa da Glória

Gn 12,1-4a
Sl 32
2Tm 1,8b-10
Mt 17,1-9

No Domingo passado, primeiro da Quaresma, meditamos sobre as tentações de Jesus. O Senhor no deserto, lutando contra o diabo, convidava-nos ao combate espiritual, próprio do deserto quaresmal. Sim, porque é isso que o tempo santo que estamos vivendo deseja ser: tempo de retiro no deserto do coração para combater nossos demônios interiores e, pela oração, a penitência, a caridade fraterna, a escuta da Palavra de Deus e a reconciliação sacramental, caminharmos para a santa Páscoa. Na Quaresma, a Igreja toda deve recordar o tempo de Israel no deserto e, como Novo Povo de Deus, deve combater, vencendo as duras provas interiores e exteriores do caminho deste mundo...

Na liturgia deste hoje, ladeado por Moisés e Elias, que também enfrentaram durante quarenta dias e quarenta noites o combate no deserto para experimentarem o fulgor da Glória de Deus, Jesus nos mostra qual a finalidade do nosso caminho quaresmal, Jesus nos revela aonde nos leva nosso combate espiritual. Qual o objetivo? Qual a finalidade? Ei-los: celebrar com Ele a Sua Páscoa, sendo com Ele transfigurado em glória! Nosso objetivo, nosso escopo, o feliz e gozoso fim do nosso caminho é o Cristo envolto na Sua glória pascal que nos transfigura também a nós! Mais que Moisés e Elias, nós seremos envolvidos da glória de Cristo, aquela glória que é o Espírito Santo que o Pai derramou sobre Ele na Sua santa Ressurreição! Passaremos, portanto, do roxo quaresmal, tão sóbrio, para o esfuziante branco pascal, sinal da glória e da imortalidade, transfigurados em Jesus e por Jesus, o homem perfeito, modelo de todo ser humano que vem a este mundo. Um dia, meus caros em Cristo, passaremos do roxo das lágrimas desta vida, para o branco da Glória eterna dos que, revestidos da glória do Cordeiro, haverão de segui-Lo para sempre! De Quaresma em Quaresma e de Páscoa em Páscoa, passaremos da Quaresma deste mundo para a Páscoa da Glória eterna!

Mas, detenhamo-nos um pouco no Tabor do Evangelho hodierno. Ele é prenúncio, uma misteriosa antecipação da Ressurreição. Com Sua bendita Transfiguração, Jesus deseja preparar o Seus para as dores da paixão – do mesmo modo que a Igreja nos deseja alentar e motivar para as renúncias e observâncias quaresmais. Por isso mesmo, Pedro, Tiago e João, o três que estão no Tabor são os mesmos que estarão no Jardim das Oliveiras. Por isso também o Evangelho de hoje termina com uma alusão à Ressurreição de Jesus dentre os mortos e, o relato da Transfiguração em Lucas afirma que “Jesus falava de Sua partida que iria consumar-se em Jerusalém” (9,30). Eis: Moisés e Elias, a Lei e os Profetas dão testemunho da Paixão do Senhor: tudo estava no misterioso desígnio de Deus! Após a ressurreição, isso ficará claro: “’Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em Sua Glória?’ E começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a Ele dizia respeito” (Lc 34,26-27). Eis que mistério: a Lei (Moisés) e os Profetas (Elias) dão testemunho de Jesus e aparecem iluminados por Ele. Somente Nele, na luz da Sua Cruz e Ressurreição, o Antigo Testamento encontra sua plenitude e sua luz!

Sendo assim, levantemo-nos! Tomemos, generosos, nosso caminho quaresmal! Também nós somos chamados, como nosso pai Abraão o foi, a sair: sair de nós mesmos, sair de nós velhos para nós renovados, transfigurados à imagem do Cristo Jesus! Tenhamos a coragem de atravessar o deserto interior, enfrentar o deserto do nosso coração, como Moisés e Elias, como o povo de Israel, como o próprio Senhor Jesus, que por nós quis ser tentado no Seu período de deserto! Somente assim chegaremos renovados e purificados ao nosso destino. Este destino não é um lugar, mas uma situação, uma realidade: é o homem novo, transfigurado à imagem do Cristo que, após o tormento imenso da cruz, foi glorificado pelo Espírito do Pai. Eis o caminho quaresmal: do homem velho ao homem novo, do pecado à graça, do vício à virtude, da preguiça espiritual à generosidade, da morte à vida, da tristeza à alegria, trazendo em nós, na nossa vida, o reflexo da glória do próprio Cristo Jesus! Não é este o significado das palavras de São Paulo, na segunda leitura de hoje? “Sofre comigo pelo Evangelho. Deus nos salvou e nos chamou a uma vocação santa... em virtude da graça que nos foi dada em Jesus Cristo. Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade” Eis! Os sofrimentos e lutas desta vida não são pesados se compararmos com o objetivo tão alto que nos preparam!

Caríssimos, que as práticas quaresmais, vividas com generosa fidelidade, arrancando o pecado que nos torna opacos, possam revelar em nós o resplendor da Glória de Cristo a que somos chamados e que já está presente em nós desde o nosso batismo!

Mais ainda: que a novidade de nossa vida transborde para o mundo, que tanto tem necessidade do testemunho dos cristãos. Nunca esqueçamos: este mundo mergulhado na violência (violência da injustiça, violência do desrespeito à dignidade humana, violência da destruição da família, violência da reta compreensão da sexualidade, violência da fome, violência dos atentados à paz, violência das drogas e das mentiras, violência dos meios de comunicação, violência da negação de Deus)... este mundo precisa de nosso testemunho e de nossa palavra, mesmo quando nos rejeita, quando despreza o nome de Cristo, quando deseja esquecer o seu Senhor e pisar os valores do Evangelho!

Deixemo-nos, portanto, transfigurar pelo Senhor e sejamos luz para o mundo! Como pede a oração inicial da Missa hodierna: Senhor, “que purificado o olhar da nossa fé, nos alegremos com a visão da Vossa Glória!” Por Cristo, nosso único Senhor. Amém.




Retiro quaresmal – Pedir como pobre

IX Dia da Quaresma – VIII de penitência

A Palavra do Senhor Deus para a I Quinta-feira desta Quaresma fala-nos tanto da oração, uma das práticas quaresmais...
Trata-se, no caso, da oração da Rainha Ester (cf. Est 4,17ss – texto grego)...

“A Rainha Ester, temendo o perigo de morte que se aproximava, buscou refúgio no Senhor!”
Vê, Irmão? Aqui não há pose, não há palavras melosas ou belas, pensadas para serem bonitas!
Ester, apesar de rainha, encontra-se na miséria, numa dessas situações críticas que a existência os coloca vez por outra!

Ah, Irmão! A sua, a minha vida é tão precária! Vivemos sempre à beira da morte, à borda do desastre...
Quem pode garantir a vida? Quem pode nos conservar as pessoas às quais amamos? Quem pode nos garantir a saúde, os amigos, os bens?
Pobres, pendurados numa existência incerta, todos nós - eis a nossa situação, queiramos ou não, dela tenhamos consciência ou dela fujamos covardemente, infantilmente! Não adianta o orgulho, de nada serve a pose de rico, a falsa segurança de onipotente que, iludido, alguém tenha e todos nós, de certo modo, possamos alimentar em nós...
Senhor meu, Deus meu Salvador, Senhor da verdade, “ensina-nos a contar nossos dias, e assim teremos um coração sábio!” (Sl 90/89,12); "acaso não é uma luta, a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os de um assalariado? Meus dias correm mais rápido que a lançadeira e se consomem, tendo acabado o fio. Lembra-Te de que minha vida é apenas vento..." (Jó 7,1.6)

Ester, no seu aperto, na sua miséria, “buscou refúgio no Senhor!”
A oração não é um faz-de-conta, não é uma brincadeira! Ester reza num momento de crise, à beira da morte, buscando refúgio no Senhor, sabendo que nada nem ninguém neste mundo a pode socorrer! Essa mulher reza suplicando, reza porque precisa, reza porque está no aperto... Ester reza porque o ser humano, por grande que se ache e senhor dos planos que se julgue, é pobre, insuficiente, finito... É, na verdade, "Adão", vindo da terra, do pó (adamah), terroso, bicho frágil, perecível... "Lembra-te, ó homem: és pó e ao pó tornarás!" Os filhos dos homens precisam abrir-se ao Eterno, ao Senhor; precisam pedir, suplicar, buscar Nele socorro e aconchego, misericórdia, piedade e proteção! E isto não nos diminui, mas aumenta: mostra-nos que somos amados, guardados, revela-nos que há um trono no Céu e, nele, Alguém sentado (cf. Ap 4,2), um Deus que tudo dirige misteriosa e amorosamente e tem a nossa pobre vida em Suas mãos benditas! Ah, Senhor, "em Ti espero! Repito: és Tu o meu Deus. Na Tua mão está o meu destino! Mostra ao Teu servo a tua Face, salva-me na tua bondade! Senhor, que eu não seja confundido ao Te invocar!" (Sl  31/30,15ss)

Irmão, você reza suplicando? Reza intercedendo? Reza com insistente perseverança? Já rezou alguma vez chorando? A oração com lágrimas é tão agradável ao Senhor Deus...

Suplicar ao Senhor, Nele procurar refúgio é reconhecer nossa pobreza, nossa insuficiência, nossa incapacidade... É proclamar a Sua grandeza, Sua presença, Seu amor providente...

Observe que Ester reza prostrando-se...
Nossa atitude diante do Santo deve ser de reverência, de respeito. Os ritos são essenciais na nossa prática religiosa. Jesus, nosso Senhor, teve carinho, respeito, virtude de religião em relação ao Altíssimo. Certamente, os gestos e ritos exteriores devem ser acompanhados por uma sincera piedade interior! No entanto, estejamos atentos, porque a atitude interior e a prática exterior se completam e se condicionam mutuamente!

Nunca dê crédito aos minimalistas, que tomam Deus por compadre, dizendo sempre “precisa não”, “não é essencial”. Falsos profetas, desgostosos e descuidados de Deus! Esse pensam que o Senhor é uma ideia! Desconhecem a estrutura do homem, o seu coração, e as Escrituras! O homem é um ser de rito, de símbolo, de gesto! Tanto é verdade que o Senhor quis mostrar Sua proximidade encarnando-Se, mostrando-Se, fazendo-Se matéria, gente, de corpo e alma humanos, para ser visto, tocado, ouvido, abraçado! e a cruz? Não é um modo concreto, material, ritual de o Senhor dizer-nos que nos ama, que o pecado mata, que o amor se dá e transfigura! Deus faz-Se matéria; o diabo é que permanece imaterial, espírito puro! Cuidado com os que querem reduzir o cristianismo a intenções, a ideias, ao mínimo, ao "precisa não", ao "não é essencial"... Farão o cristianismo desaparecer, como algo insignificante e desnecessário, etéreo, distante, desencarnado, cerebral...

Esses vivem, na verdade, do que não é essencial, vivem de pregar ideias e fazer coisas... Achando que o cristianismo é um fazer, é uma moral, uma filantropia, simplesmente, ignoram o temor de Deus, não têm presente que o Senhor é Santo e deve ser amado, adorado, servido simplesmente porque é Deus, o Eterno... Como me dizia uma senhora idosa do sertão sergipano, ao referir-se a Deus e o que Lhe diz respeito: “É coisa fina, Senhor Bispo!” Ah, velhinha sábia! Deus é coisa fina! Para Ele o melhor, para Ele o cuidado, para Ele o precioso, para Ele o cuidado, para Ele a delicadeza, para Ele tuto, porque Ele é tudo! Quem se contenta com o mínimo, quem vive dizendo “não é essencial”, é porque, na verdade, contenta-se com o acessório do cristianismo, perdeu os carinhos para com o Senhor (Ele sim, o único Essencial!), a virtude de religião, o espírito de piedade! “Não sigais essa gente!”(Lc 21,8). Não conhecem o Senhor, não sabem nada das Suas ternuras; são esses, no máximo, Seus funcionários, não Seus amigos... Falam Dele, mas não O conhecem!

A oração deve ser piedosa, perseverante, respeitosa... Nossa prática religiosa deve cheia de atenção, respeito e veneração pelo Senhor: "Tira as sandálias dos pés! O lugar onde pisas é santo!" (Ex 3,5) Foi assim que Jesus fez, foi assim que Ele Se dirigiu ao Seu Deus e Pai, Ele o Filho, o Bendito, o Amado, o Eterno! Jesus nunca tomou Deus por compadre!

Ester reza, Ester confia, Ester insiste, Ester espera, Ester reconhece-se pequena, pobre, desvalida...
Ester confia no Senhor, Ester coloca diante Dele a sua causa...

Pergunte-se:
Como vai sua relação com o Senhor?
Você tem respeito para com o Altíssimo e Sua coisas? Tem virtude de religião?
Como é sua oração?
Você pede, como o Senhor manda pedir?
Você é soberbo, prepotente, autossuficiente a ponto de nunca pedir nada ao Senhor?
Você é tão ingênuo e presunçoso, a ponto de pensar: "A Deus só agradeço; não peço nada?" Recorde do preceito do Senhor: "Pedi e recebereis!"
Pense... Que tal, nesta Quaresma, pedir mais: pelo mundo, pelos que estão nas trevas, pela sua própria perseverança, pelo sustento da sua fé, pelos que você ama, pelos que você não ama?



sexta-feira, 14 de março de 2014

Retiro quaresmal – Uma misericórdia que desconhece fronteiras e limites

VIII Dia da Quaresma – VII de penitência

Vai atrasada, esta meditação. Consequência da vida um Bispo que se mete a evangelizar pelo mundo virtual quando seu tempo no mundo real é cheio de afazeres... Mas, teimarei, ainda assim. Continuarei teimando! Vai aqui a meditação para quarta-feira passada. Que fazer? Melhor tarde que nunca!

A Palavra de Deus deste hoje nos mostra o Profeta Jonas às voltas com os habitantes de Nínive (cf. Jn 3,1-10). O Senhor lhe ordena: “Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que Eu te vou confiar”. Impressionante que o Senhor tenha algo a dizer a Nínive, capital dos assírios! Esse povo, nas Escrituras, é símbolo de impiedade, violência, rapina e selvageria! Povo cruel, os assírios, povo que vivia do saque, da guerra, da conquista! Como o Eterno poderia enviar um israelita a um povo assim?

Mas, tem algo ainda mais surpreendente: o Senhor deseja salvar os ninivitas: “Ainda quarenta dias e Nínive será destruída!” O Senhor Se preocupa com esses cruéis! No Seu coração há espaço para esses pagãos, há amor para esses perversos! O Senhor lhes dirige uma palavra de ameaça para despertar-lhes a consciência, para corrigi-los, para salvá-los!

Ah, Senhor! Tu és Bom! Tu és compaixão e misericórdia, ternura e piedade! “O mundo inteiro, diante de Ti,
É como um pequenino peso na balança,
Como uma gota do orvalho da manhã que cai sobre a terra.
Entretanto, de todos tens compaixão porque tudo podes,
E fechas os olhos aos pecados dos mortais,
Para que se arrependam.
Sim, amas tudo o que existe
E não desprezas nada do que fizeste;
Porque, se odiasses alguma coisa, não a terias criado.
Da mesma forma, como poderia alguma coisa subsistir,
Se não a tivesses querido?
Ou como poderia ser mantida na existência,
Se por Ti não tivesses sido chamada?
A todos, porém, tratas com bondade,
Porque tudo é Teu, Senhor, Amigo da vida!” (Sb 11,22-26).

O santo tempo da Quaresma nos convida a abrir o coração à medida do Coração de Deus! Ter compaixão, ter misericórdia, ir ao encontro daqueles de quem nos afastamos ou afastamos de nós!
Seu irmão pecou? Seu irmão escandalizou? Seu irmão foi-lhe ingrato?
Perdoe por amor ao Senhor que a todos perdoa,
Aproxime-se dele, por amor ao Senhor que de todos Se aproxima!

Seu irmão encontra-se no erro, na treva?
Com paciência, com humildade, com paciente compaixão,
Procure corrigi-lo, alertá-lo, trazê-lo de volta, como o Senhor que de todos cuida!

É importante notar também que a misericórdia do Senhor não é tola, não é boazinha!
Nínive deve se converter!
Não há salvação a preço baixo! Não se esconde a verdade! Não se mascara os preceitos do Senhor!
Conversão!
Conversão!
Conversão!

Sem conversão, eu e você morreremos, seremos destruídos, pois viveremos distantes Daquele para Quem fomos criados e em Quem temos a Vida!
Não adianta o mundo nos iludir, gritando: Não é pecado!
O Senhor nos diz: É pecado!
Não adianta os sabichões soberbos quererem nos justificar, raciocinando: Não é pecado!
O Senhor insiste: É pecado!
Não adianta a nossa consciência laxa, envolvida na moita das trevas, nos cochichar, tentando nos aliviar: Não é pecado!
O Senhor teima, severo: É pecado!

Só o Senhor justifica! Só o Santo perdoa! Só o Altíssimo absolve!
E o passo para isto é o reconhecimento do pecado! É pecado!
E a humildade de pedir perdão! Do pecado!
E o sincero desejo de mudar de vida! De romper com o pecado!

A você, a mim, caro Irmão, compete a misericórdia invencível, incansável para com os demais
E o severo exame da nossa própria consciência!
Nunca se cansar de tentar salvar o irmão!
Nunca descansar no próprio pecado! Nunca justificá-lo!
Só o Senhor o justifica, quando o reconhecemos e dele nos arrependemos!

E os ninivitas? Que surpresa!
Malditos perversos, sem conversão!
Malditos cruéis sem conserto!
E, no entanto, que surpresa:
Se convertem, fazem penitência, decidem mudar de vida!
Escutam a voz do profeta do Deus de Israel, Deus de um outro povo!

Que lição para nós!
A disponibilidade de escutar a Palavra de Deus desses ninivitas é maior que a nossa,
A atenção aos enviados de Deus desses pagãos é maior que a nossa,
A compunção desses cruéis infiéis é maior que a nossa!

Estamos levando a sério a exortação à penitência que o Senhor nos faz neste Quaresma?
Que atitudes, que obras concretas estamos realizando para exprimir nossa penitência e nossa conversão!

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir a ira que está para vir?” (Mt 3,7).