quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Só para pensar um pouco...


Há cristãos, realmente bem intencionados, que se preocupam grandemente que a Igreja seja significativa para a sociedade. Uma Igreja que seja ouvida, respeitada, querida... Uma Igreja com a qual a sociedade como um todo se identifique...

Mas, tal visão é ilusória e perigosa. Esconde mesmo uma tremenda armadilha...

O compromisso radical da Igreja não é com a sociedade, mas com Cristo Senhor e a Sua missão de anunciar e plantar nos corações o Reino do Pai, que Ele inaugurou com Sua santa Encarnação e Páscoa e deu como penhor aos Seus discípulos no dom do Santo Espírito. A Igreja existe para ser portadora do Reino, fazendo com que o Cristo de Deus reine nos corações e, através dos corações, o quanto possível, nas estruturas do mundo. Mas, a Igreja sabe que esse Reino realmente presente nos sacramentos instituídos pelo Senhor e nos corações que os celebram e os recebem com verdadeira piedade, jamais será pleno neste mundo.

Assim, a Igreja deve insistir, teimar, persistir com doce esperança na potência salvífica do Espírito do Senhor, anunciando e realizando a salvação que se encontra no Reinado de Deus. Mas, o critério não é agradar à sociedade, não é procurar ser significativa, aplaudida, bem compreendida! Este não pode ser nunca o critério da Igreja, pois nunca foi o critério do Senhor!

Os olhos da Mãe católica e de cada filho seu devem estar fixos em Jesus, o Autor da nossa Salvação. Somente assim a Esposa de Cristo poderá realmente ser testemunha e instrumento Dele no mundo. Aí sim, a Igreja será realmente significativa, da significatividade que realmente importa: será tiquinho de sal que dá sabor de Cristo ao mundo insosso, será pequena luz que iluminará as trevas das mentes e dos corações...

Será ela aceita, deste modo? O mundo vai compreendê-la? Terá os aplausos da sociedade? Que importa isto? Se a Mãe católica mendigar tais coisas terminará por prostituir-se! Basta-lhe - deve bastar-lhe! - tão somente o amor e a graça do seu Salvador e Esposo! Tendo isto, nada mais lhe faltará e tudo o mais será acréscimo...



sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Messias: Primogênito apresentado ao Senhor Deus

Caros Irmãos, na disciplina litúrgica da Igreja, o Domingo, memória solene da Ressurreição do Senhor nosso Jesus Cristo, tem precedência sobreas festas dos santos. Mas, quando uma festa do Senhor ocorre no Domingo, ela é celebrada. É o caso deste hoje: 2 de fevereiro é Festa da Apresentação do Senhor no Templo. Exatos quarenta dias após o santo Natal, a Igreja, nova Jerusalém, faz memória solene da vinda do Salvador ao seu encontro. A liturgia de hoje prevê uma procissão com velas, recordando a Igreja que, como virgem prudente, recebe o seu Esposo, Luz para iluminar as nações. Como diz a própria Liturgia, “hoje chegou o dia em que Jesus foi apresentado ao Templo por Maria e José. Conformava-Se à Lei do Antigo Testamento, mas na realidade, vinha ao encontro do Seu povo fiel”. É este povo, a Igreja santa, que hoje, com lâmpadas, acolhe o seu Senhor, que é Luz, e chega nos braços da Senhora da Luz, Senhora das Candeias, Senhora da Candelária, Senhora da Purificação... São os títulos que a devoção popular dá, com razão, à Virgem Santíssima pelo mistério da Festa de hoje.

Notai, caríssimos em Cristo, que se trata de uma celebração ainda ligada ao Natal – na verdade é a última das festas ligadas ao ciclo do Tempo do Natal, ainda que ocorra no início do Tempo Comum. Mas, o que celebramos, precisamente?
Primeiramente, o Encontro – Festa do Encontro, a de hoje! – do Messias Filho de Davi com a Sua Cidade Santa e o Seu Templo. Quantas vezes os profetas haviam anunciado que Jerusalém haveria de alegrar-se pela vinda do Enviado Salvador: “Dança de alegria, filha de Sião, dá vivas, filha de Jerusalém, pois agora o teu rei está chegando, justo e vitorioso” (Zc 9,9); “Grita de alegria, filha de Sião! Canta, Israel! Filha de Jerusalém fica contente, de todo o coração, dá gritos de alegria! O Senhor aboliu a sentença contra ti, afastou teus inimigos. O rei de Israel é o Senhor, que está em teu meio; não precisarás mais ter medo de alguma desgraça. Naquele dia, Deus dirá a Jerusalém: ‘Não tenhas medo, Sião! Não te acovardes!’” (Sf 3,14-16).

Pois bem, ei-Lo agora, realizando a promessa do Senhor Deus e a esperança de Israel. Jesus-Messias vem à Cidade Santa e ao Templo, cumprindo quanto Israel tanto sonhou: “Assim diz o Senhor: ‘Logo chegará ao Seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o Anjo da Aliança, que desejais. Ei-Lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; e quem poderá fazer-Lhe frente, no dia de Sua chegada? E quem poderá resistir-Lhe, quando Ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim Ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos’” (Ml 3,1-4). Por isso as palavras emocionadas, exultantes, agradecidas do Velho Simeão, que representa hoje todo o Antigo Israel: “Agora, Senhor, conforme a Tua promessa, podes deixar Teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a Tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do Teu povo Israel” (Lc 2,29-32).

Um segundo sentido, Irmãos, nascido das próprias palavras de Simeão, que profetizou pensando no Servo Sofredor do Livro de Isaías: esse Menino é glória para o Antigo Israel e Luz para iluminar todas as nações da terra! Sim, Ele é o Servo Sofredor, humilde e pobre, anunciado por Isaías Profeta: “Ele disse: ‘É bem pouco seres o Meu servo só para restaurar as tribos de Jacó, só para trazer de volta os israelitas que escaparam, quero fazer de Ti uma luz para as nações, para que a Minha salvação chegue até os confins do mundo’” (Is 49,6). Eis por que nós, Novo Israel, Igreja de Cristo, Jerusalém do Alto, Cidade dos cristãos, devemos fazer nossas as esperanças e as alegrias do Antigo Israel e exultar hoje com a vinda do santo Messias! Que Ele encontre sempre Sua Igreja e o coração de cada um de nós abertos para reconhecê-Lo e acolhê-Lo! Conforme as palavras de Simeão, Ele é Luz para iluminar as nações. Por isso, a Missa começa com uma procissão com velas: eis o Menino-Luz que veio iluminar o mundo inteiro!

Há ainda um terceiro aspecto nesta Festa de hoje: As velas acesas que trazemos nas mãos na procissão que introduz a Missa têm ainda um ulterior significado: a Igreja, Jerusalém da Nova Aliança, recebe como Virgem fiel o seu Esposo-Luz, que é Jesus. Como as virgens prudentes da parábola, a Igreja mantém a luz da sua fé, do seu amor e da sua esperança em meio às trevas deste mundo, das tantas lutas, combates e incertezas! “Eis o Noivo que chega! Saiamos ao encontro de Cristo!” Ele vem vindo sempre e nós devemos saber reconhecê-Lo e acolhê-Lo! Para isso, é essencial vigiar nas noites da vida!

Devemos ainda estar atentos a um último mistério desta Festa: a Virgem Maria. Ela traz nos seus braços seus filho único, seu Menino que é Luz. Vem para ofertá-lo ao Senhor. Como a pobre viúva, ela dá tudo a Deus – esse tudo, que é seu único e amado filhinho! Ela é a Virgem oferente, mais que nosso pai Abraão, que ofereceu Isaac. Por que se pode afirmar isto? Porque Deus poupou o filho de Abraão, o Isaac que seria oferecido em sacrifício; mas não poupou o filho de Maria! Simeão a previne: “A oferta foi aceita! Uma espada, Virgem Maria, traspassará teu coração! Chegará a hora da cruz e tu estarás lá, consumando a oferenda do teu único filho, Daquele que é tudo para ti! Maria aqui, torna-se modelo de total entrega ao Senhor Deus, de total pobreza e desapego! Mais ainda: observe que Simeão anuncia  dor da Virgem como participação na obra da nossa salvação! Para que fôssemos salvos, para que o universo chegasse à plenitude, para que fôssemos salvos da morte eterna, o filho da Virgem teve que Se tornar sinal de contradição, até à cruz... E isto envolveu uma espada duramente traspassada no coração materno da Toda Santa! O ensinamento da Escritura é claro: não se pode pensar a salvação sem contemplar o papel singularíssimo que a Virgem nela ocupa! 


Irmãos, vamos nós também, com a lâmpada da fé, do amor e da esperança, ao encontro do Esposo que vem! Vamos ao encontro do Santo Messias nascido todo para nós com o mesmo ânimo de José e Maria, que apresentando seu filhinho ao Senhor Deus de Israel, deu-Lhe o que tinham de mais valioso! Que o  Senhor aceite a nossa oferta, unida ao pão e ao vinho eucarísticos, que são o próprio Jesus oferecido em sacrifício e recebido em comunhão!


sábado, 25 de janeiro de 2014

Amor, entre a verdade e a mentira, o sublime e o rasteiro

Palavra gasta, hoje em dia, a palavra amor. Ela está nas novelas da TV, nas canções, na boca dos jovens... Em seu nome, pregam-se as maiores aberrações e fazem-se as coisas mais egoístas. Amor, hoje, tornou-se, muitas vezes, sinônimo de paixão, sexo, sentimentalismo... Com o amor justifica-se a infidelidade, a falta de compromisso, a depravação, a destruição da família, o abandono de valores e dos compromissos assumidos... O amor vale mais que tudo – justifica-se! Mas, trata-se, realmente de amor?

Com acuidade perceptiva, o Papa Emérito Bento XVI, com sabedoria e acuidade tão atuais, já chamou atenção que amor é paixão, é sim êxtase, mas não a paixão irracional, cega, centrípeta ou o êxtase do inebriamento irracional, irresponsável, entorpecido. Ao invés, é paixão porque é totalizante, entusiástico, envolvente; é êxtase porque é um sair de si, um esquecer-se de si, com liberdade, maturidade e entrega, para doar-se a Deus e aos outros. Só este êxtase, este sair, é digno do amor e é fruto do verdadeiro amor. Como disse e fez Jesus, “não há maior prova de amor que dar a vida...” O resto é egoísmo disfarçado. O verdadeiro amor amadurece, liberta, gera vida; o falso, infantiliza, escraviza, mata...

Penso que poderíamos exprimir bem a beleza, doçura e sentido profundo do amor verdadeiro com as palavras de São Bernardo de Claraval, monge cisterciense e grande místico do século XII: “O amor basta-se a si mesmo, em si e por sua causa encontra satisfação. É seu mérito, seu próprio prêmio. Além de si mesmo, o amor não exige motivo nem fruto. Seu fruto é o próprio ato de amar. Amo porque amo, amo para amar! Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu Princípio, volte à sua Origem, mergulhe em sua Fonte, sempre beba donde corre sem cassar. De todos os movimentos da alma, sentidos e afeições, o amor é o único com que pode a criatura, embora não condignamente, responder ao Criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque sabe que serão felizes pelo amor aqueles que O amarem”.

Perfeita, a percepção de São Bernardo: Grande coisa é o amor, contado que vá a seu Princípio: Deus; contanto que volte à sua Origem: Deus! O verdadeiro amor, mais que o coração humano, tem sua fonte no próprio coração de Deus e mais que parar no objeto amado, tem seu termo no próprio Deus. É o amor que, em última análise, nos faz imagem de Deus.

Quem dera que nós, olhando o Cristo crucificado, de coração e braços abertos, morrendo para dar vida, reaprendêssemos o verdadeiro e definitivo sentido do substantivo amor e do verbo amar.





O mundo, as trevas, a Luz

A primeira leitura da Missa de hoje é, em parte, a mesma da Noite do Natal: "O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu! Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade! Todos se regozijam em Tua presença". Irmãos, esta luz que ilumina as trevas, que dissipa as sombras da morte, que traz a felicidade, é Jesus. O texto do Evangelho que escutamos no-lo confirma: Jesus é a bendita luz de Deus que brilhou neste mundo! Ele mesmo afirmou: "Eu sou a luz do mundo! Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!" (Jo 8,12). Já escutamos tanto tais afirmações, que corremos o risco de não perceber o quanto são revolucionárias, o quanto nos comprometem, o quanto são capazes de transformar a nossa vida!

A Palavra de Deus nos ensina que o mundo é marcado pelas trevas: trevas na natureza (tais como as tragédias provocadas por impressionantes fenômenos da natureza), trevas na história (como as guerras, as injustiças, as violências e opressões), trevas no coração da humanidade e de cada um de nós. Olhemos em volta! O mundo não é bonzinho: há forças destrutivas, caóticas, desagregadoras, forças diabólicas, que destroem a alegria de viver e ameaçam devorar o sentido da nossa existência...

Hoje, tantos e tantos julgam que podem passar sem Deus, que a religião é uma bobagem e uma humilhação para o homem adulto e cheio de razões... Há tantos que zombam de Deus, do Cristo Jesus, da Igreja... O que vale no mundo atual? O que é importante? O que conta realmente? O sucesso, os bens materiais, o prazer e a curtição da vida ao máximo, sem limites, sem peias... Será que não nos damos conta ainda que vivemos num mundo novamente pagão, novamente bárbaro, novamente entregue ao seu próprio pensar tenebroso? Será que não percebemos que o que vemos e lemos e ouvimos dos meios de comunicação é a defesa de uma humanidade sem Deus e sem fé, de uma humanidade que tenha somente a si própria como deus? Será que não percebemos nas novelas e em tantos espaços da internet o quanto os valores cristãos e até mesmo aqueles genuinamente humanos são renegados, solapados clara ou veladamente? Num mundo assim, Jesus nos diz: "Eu sou a Luz!" A luz não está nas universidades, a luz não está nos famosos deste mundo, a luz não está nos que têm o poder político, econômico ou social, a luz não está nos valores ditados pela mídia! A Luz é Cristo! Só Ele nos ilumina, só Ele nos revela o sentido da existência, só Ele nos mostra o caminho por onde caminhar! Ser cristão é crer nisso, é viver disso!

Pois, esse Jesus, hoje, no Evangelho, nos convida a convertermo-nos a Ele, a segui-Lo de verdade, a colocar os passos de nossa vida no Seu caminho: "Convertei-vos! O Reino dos céus está próximo!" Eis o apelo que Jesus nos faz - far-nos-á sempre! Converter-se significa mudar totalmente o rumo de nossa existência, alicerçando-a Nele e não em nós, abraçando o Seu modo de pensar e deixando o nosso, seguindo Sua Palavra e não simplesmente a estreita medida da nossa razão, nossas ideias, nossa cabeça dura, nosso entendimento curto! Quem vai arriscar? Quem vai caminhar com Ele? Quem vai abraçar Sua Palavra, tão diferente do que o mundo quer, do que o mundo prega, do que o mundo valoriza? "Convertei-vos!" Jesus nos exorta porque sabe que também nós andamos em trevas, também nós, simplesmente entregues à nossa vontade e aos nossos pensamentos, jamais poderemos acolher o Reino dos Céus!

Não nos iludamos! Não pensemos que somos sábios, centrados e imunes! Somos, nós também, cegos, curtos de entendimento, pecadores duros e teimosos! Nosso coração é embotado por tantas paixões e por tantas cegueiras! "Convertei-vos!" Daqui a pouco, carnaval à vista, o governo brasileiro, sem nenhum compromisso com valores cristãos nenhuns, vai convidar tantos e tantos brasileiros a vestirem-se de camisinha; o Senhor pede a todos que se vistam Dele: "Revesti-vos de Cristo e não satisfareis os desejos da carne!" (Rm 13,14) Compreendem, irmãos? O mundo vai para um lado; Jesus nos convida a ir para o outro! Converter-se é pensar diferente de nós mesmos e do mundo; é andar na contramão para caminhar com Cristo! A conversão gera uma luta, uma cisão tremenda: não somente entre mim e o mundo, mas também e ainda mais entre mim e eu mesmo! Sim: entre mim do meu modo e eu do modo de Cristo, eu segundo o Evangelho! Converter-se será sempre deixar-se, como Pedro e André, Tiago e João que, "imediatamente deixaram as redes... deixaram a barca e o pai" e seguiram o Senhor!

Caríssimos, como não recordar a exortação do Apóstolo? "Não andeis como andam os pagãos, na futilidade de seus pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus!" (Ef 4,17) Quando aceitamos esse desafio, esse convite, o sentido de nossa existência muda, porque começamos a enxergar e avaliar as coisas de um modo novo, um modo diferente: o modo de Cristo Jesus! Aí se realiza em nós a palavra da Escritura: "Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!" (Ef 5,8).


Amados em Cristo, amado de Cristo, deixar-se iluminar pelo Senhor, permitir que Ele dissipe nossas trevas, é um trabalho, um processo que dura todo o nosso caminho neste mundo. Jamais estaremos totalmente convertidos, totalmente iluminados. Na segunda leitura da Missa, São Paulo convidava os cristãos de Corinto à conversão para uma vida de união e de amor. É assim: a Igreja toda inteira e cada um de nós pessoalmente, seremos sempre chamados a essa mudança, a esse deixar que a luz de Cristo invada a nossa existência tenebrosa! Nunca esqueçais, caríssimos, porque é verdade: "Outrora, sem Cristo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor! Andai, pois, como filhos da luz!" Seja esse o nosso trabalho, seja essa a nossa identidade, seja essa a nossa herança, seja essa a nossa recompensa! E que o Senhor nos socorra com a força da Sua graça, Ele que é fiel e bendito para sempre! Amém.


sábado, 18 de janeiro de 2014

Eis o Cordeiro, o Servo!

Na segunda-feira passada, entramos no Tempo Comum. Hoje, com este Domingo, estamos iniciando a segunda semana desse Tempo verde; verde de quem caminha no pequeno dia-a-dia cheio de esperança, porque sabe que o Filho de Deus veio habitar entre nós, entrou nos nossos tempos para santificar os pequenos e aparentemente insignificantes momentos de nossa vida: "O Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós" (Jo 1,14). Para nós, nunca mais o tempo, a vida e a história humana serão a mesma coisa! Agora, tudo tem o gosto da presença de Deus, nossos tempos têm sabor de eternidade, gostinho da Vida de Deus, do companheirismo misericordioso de Deus, o Eterno, o Infinito que está para além do tempo e dos nossos tempos! Então, que este Tempo Comum seja, para todos nós, tempo de graça, tempo de vigilância amorosa, tempo de esperança invencível!
Neste segundo Domingo Comum, a Palavra de Deus ainda nos liga ao Batismo do Senhor, celebrado no Domingo passado. Recordemo-nos do que vimos na Festa que encerrou o santo Tempo do Natal: Jesus foi batizado por João Batista e ungido pelo Pai com o Espírito Santo como Messias de Israel: "Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o Meu bem-querer!" (Mt 3,17). Recordemos que o Pai Lhe revelou o caminho pelo qual Ele deveria passar para cumprir Sua missão: o caminho do Servo Sofredor de Isaías, pobre e humilde: "Ele não clama nem levanta a voz, nem Se faz ouvir pelas ruas". Servo manso e misericordioso: "Não quebra a cana rachada nem apaga o pavio que ainda fumega". Servo perseverante no serviço de Deus: "Não esmorecerá nem Se deixará abater". Servo que será redenção para o povo de Israel e para todas as nações, dando-lhes a luz, o perdão e a paz: "Eu o Senhor, Te chamei para a justiça e Te tomei pela mão; Eu Te formei e Te constitui como aliança do povo, luz das nacões, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos das prisões, livrar do cárcere os que viviam nas trevas!" (Is 42,2-4.6-7)
Pois bem, o Evangelho de hoje aprofunda ainda mais este quadro impressionante, que nos revela a missão de Cristo Jesus: "João viu Jesus aproximar-Se dele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" Em aramaico, língua que João e Jesus falavam, "cordeiro" diz-se talya, que significa, ao mesmo tempo "servo" e "cordeiro". Então, "eis o Cordeiro-Servo de Deus, que tira o pecado do mundo!" Mas, que Cordeiro? Aquele, expiatório, que segundo Levítico 14, era mandado para o deserto, colocado fora da cidade, carregando os pecados de Israel... Como Jesus que "para santificar o povo por Seu próprio sangue, sofreu do lado de fora da porta" (Hb 13,12) de Jerusalém, como um rejeitado, um condenado renegado. Repitamos a pergunta: Que Cordeiro? Aquele cordeiro pascal de Ex 12, cujos ossos não poderiam ser quebrados (cf. Jo 19,36); cordeiro comido como aliança de Deus com Israel! Que cordeiro? – insistamos na pergunta! Aquele, cujo sangue, aspergido sobre o povo, selará a nova e eterna aliança entre Deus e o povo santo (cf. Ex 24,8; Mt 26,27). Jesus é esse Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tomando-o sobre Si! E que Servo? O Servo sofredor anunciado pelo Profeta Isaías. Já ouvimos falar Dele no Domingo passado; fala-nos Dele novamente a Liturgia deste Domingo hodierno: Servo predestinado desde o nascimento: o Senhor "Me preparou desde o nascimento para ser Seu Servo"; Servo destinado a recuperar e salvar Israel: "que Eu recupere Jacó para Ele e faça Israel unir-se a Ele; aos olhos do Senhor esta é a Minha glória"; Servo destinado não só a Israel, mas a todas as nações: "Não basta seres Meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: Eu Te farei luz das nações, para que Minha salvação chegue aos confins da terra". Eis, portanto, quem é o nosso Jesus: o Cordeiro, o Servo! Nele, feito homem, Nele, sofrido como nós, nele, morto e ressuscitado, no Seu corpo macerado em sofrimentos e transfigurado em glória, Deus reuniu e formou um novo povo, o verdadeiro Israel, a Igreja – esta que hoje se reúne como Assembleia santa em torno do Altar e esta mesma, reunida em toda a terra e, como diz São Paulo hoje, "em qualquer lugar" onde o Nome do Senhor Jesus é invocado! Eis: Este povo que Cristo veio reunir, esta Igreja que o Senhor veio formar somos nós, já santificados no Batismo e chamados a ser santos por nosso procedimento, por nosso seguimento ao Senhor!
João reconheceu em Jesus este Messias, tão humilde e tão grande: Ele é o próprio Deus: "passou à minha frente porque existia antes de mim!" E como Deus feito homem, Ele é o único e absoluto Salvador de todos – e absolutamente não há nem pode haver salvação sem Ele ou fora Dele! João reconhece Nele o ungido, Aquele sobre Quem o Espírito "desceu e permaneceu". O próprio Jesus dará testemunho desta realidade: "O Espírito do Senhor repousa sobre Mim, porque Ele Me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-Me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor" (Lc 4,18-19). João reconhece Nele ainda Aquele que, cheio do Espírito Santo, batizará no Espírito Santo: "Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer, Este é o que batiza com o Espírito Santo". Batizando-nos no Espírito, este Santíssimo Jesus-Messias dá-nos o perdão dos pecados, a Sua própria vida divina e a graça de, um dia, ressuscitar dos mortos!
Enfim, João dá testemunho de que Esse Jesus bendito é mais que um Servo, mais que um Crodeiro, mais que um Profeta: Ele é o Filho de Deus: "Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!"
Que mais dizer, ante um Messias tão humilde e tão grande? "Senhor Jesus Cristo, Santo Messias, Servo e Cordeiro de Deus, cremos em Ti, a Ti seguimos, em Ti colocamos nossa vida e nossa morte! Sustenta-nos, pois em Ti esperamos: Tu és o sentido de nossa existência, a razão de nossa vida e o rumo da nossa estrada! Queremos seguir-Te, a Ti, tão pequeno e tão grande; queremos morrer Contigo e Contigo ressuscitar-nos para a Vida eterna; queremos ser testemunhas do Reino do Pai que plantaste com Tua bendita vinda. Senhor Jesus, a Ti amamos, em Ti esperamos, em Ti vivemos! Sê bendito para sempre. Amém".

sábado, 11 de janeiro de 2014

O mistério do Batismo do Senhor: uma Epifania!

A Festa de hoje encerra o sagrado Tempo do Natal mistério do Senhor que faz parte da Semana da Epifania, esse último período do tampo natalino que celebra a Manifestação do Senhor que veio na nossa carne mortal, na nossa humana natureza para nos encher com a Sua divindade. Trata-se, portanto, de um mistério de Manifestação, de Epifania do Senhor Jesus: o Pai apresenta, manifesta publicamente a Israel o Salvador que Ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o Meu Filho amado; em Ti ponho o Meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo!” (3,17). Solenemente, o Pai derrama sobre o Filho todo o Seu Amor – e esse Amor não é uma coisa: é uma Pessoa – o próprio Espírito Santo de Amor, que aparece sob a forma corpórea de uma pomba!

Estas palavras ditas pelo Senhor santíssimo, Deus de Israel, contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo de quem falava a leitura; Ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é muito mais que um servo: é também e misteriosamente o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como o Servo, que deverá exercer sua missão de modo humilde, pobre e doloroso!

Hoje, às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, Ele pode começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão, o Senhor começou desde que Se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-Se publicamente, primeiro a Israel e, após a ressurreição, a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que Ele pregará, fará Seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que Ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte e morte de cruz. Ele é o Ungido pelo Pai com o Espírito Santo para trazer a Vida divina para toda a criação e toda a humanidade. É esse Espírito bendito a força que Dele sai e cura a todos; é na força desse Espírito Bom e Criador que o nosso Cristo “passou fazendo o bem e curando a todos os que se encontravam sob o poder do reino de Satanás porque Deus estava com Ele!” (At 10,38)

Mas, atenção: como já dissemos, esse Jesus que é o Filho, é também o Servo sofredor, anunciado por Isaías. Hoje, nas palavras pronunciadas no Jordão, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que Ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os que vivem na solidão, na amargura, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, ser tentado ao desânimo, mas colocará no Seu Deus e Pai toda a Sua esperança, toda a Sua confiança: “Não esmorecerá nem Se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”. O Senhor Deus estará sempre com Ele e Ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da terra: “Eu, o Senhor, Te chamei para a justiça e Te tomei pela mão; Eu Te formei e Te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”. Que surpresa! Jesus é o Messias que não somente é um servo enviado por Deus, mas o próprio Filho amado, Filho bendito gerado no Amor do Pai; Jesus é o Messias que exercerá Sua missão não em gloria, mas em humilde serviço e tribulação; Jesus é o Messias não somente para Israel, mas para toda a humanidade que, crendo Nele, Nele encontrará a luz de Deus!

E o Nosso Senhor já começa cumprindo Sua missão na humildade: Ele entra na fila dos pecadores, para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-Se solidário conosco; Ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-Lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti e Tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt 3,14s). Assim convinha, no plano do Pai, na Justiça de Deus, que Jesus Se humilhasse, Se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, o caminho da Igreja, e não há outro!

Que mistério tão grande, Irmãos! O Menino que nasceu para nós, a Criança admirável que cresceu em sabedoria, idade e graça, submisso aos Seus pais na família de Nazaré, o Deus perfeito, filho da Toda Santa Mãe de Deus, Aquele que com o brilho de Sua Estrela atraiu a Si todos os povos, hoje é apresentado pelo Pai: Ele é o Filho querido, Ele é o Servo sofredor, Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Ele é o Messias, o Ungido de Deus! Acolhamo-Lo na nossa existência e no nosso coração e nossa vida terá um novo sentido. Seguindo-O, chegaremos ao coração do Pai que o enviou e é Deus com Ele, nosso Salvador e com o Bom e Vivificante Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Perfumes do Tempo do Natal

Neste Domingo próximo, a Igreja encerra o Tempo do Natal.

Para os cristãos que não se contentaram com um período natalino de simples gestos exteriores costumeiros, modos simplesmente repetitivos, em nome de um difuso e confuso “espírito de natal” que ninguém sabe o que é, para quem procurou realmente celebrar de modo religioso a festividade cristã, este tempo sagrado ora findo deve deixar renovadas no coração algumas certezas.

A primeira e mais importante dessas certezas:
Há um Deus no Céu e este Deus Infinito, Incompreensível, Santo, não é teórico, frio como um teorema, distante quanto uma galáxia no extremo do universo. Nada disso!

O Deus grande, santo, misterioso, inatingível, fez-Se Emanuel, Deus-Conosco, Deus-um-de-nós, Deus humanizado! - Que coisa: Deus apequenou-Se, Deus humanizou-Se!

Isto não significa que Se tornou nosso amiguinho de farra, nosso parceiro, o cara legal, gente boa com quem podemos barganhar ou brincar! Não! Ele continua o Santo, o Misterioso, mas ao mesmo tempo próximo no Seu amor, na Sua misericórdia na Sua ternura salvífica.

Aliás, segundo as Escrituras Santas e a fé da Igreja, para isso Ele criou tudo: para nos visitar e tudo levar à Sua plenitude: “De Sua plenitude recebemos graça sobre graça!” Criou tudo para Si e tudo somente Nele encontra a plenitude do ser e do sentido! Simples assim, grave assim, urgente assim, trágico assim!

Outra certeza: Se Deus entrou no tempo do mundo, todos os nossos tempos agora são povoados pelo Senhor, todos os nossos tempos tornaram-se semente de eternidade, da Eternidade do Deus eterno!Os tempos fugazes, passageiros, de nossa existência tornaram-se grávidos de Glória, do ser imperecível, imorredouro, do próprio Deus!

Quando vivemos a vida diante Daquele que veio a nós, com Aquele que nos visitou, vindo da Virgem, tudo ganha novo sentido, tudo tem gosto de eternidade: até a dor, até as lágrimas, até a morte...

Deus está conosco; não estamos sozinhos nem na vida nem na morte! O Infinito nos circunda, o Eterno nos envolve, a Vida nos abarca, nos penetra, nos encharca com o Seu Ser divino! De repente, para quem de verdade crê que Deus é Emanuel, tudo passa a ter gosto de Eternidade, tudo se transforma em semente de Eternidade!

Um terceiro aspecto: O Senhor veio em Belém, o Senhor vem a cada dia em cada situação, em cada decisão, o Senhor virá no momento da nossa morte, o Senhor virá um Dia, no Dia Final.

A vida de todo verdadeiro crente cristão deve ser vivida como um diálogo contínuo com esse Deus próximo, Deus que vem vindo sempre; a vida do crente é sempre uma resposta aos Seus apelos. O crente verdadeiro nunca vive primeiro diante de si próprio, mas fundamentalmente diante de Deus. É a partir do Altíssimo que ele mesmo se compreende, se sente, decide, caminha... "Anda na Minha presença e sê perfeito!"

Pense que vida: uma aventura de diálogo com o Eterno, uma resposta de amor ao Amor infinito, uma parceria bendita de amizade e ternura e delicadeza com Aquele que é o Mistério Santo, Sentido, Princípio e Fim de todas as coisas.

Quarta certeza: o Emanuel que nos veio não é simplesmente o Salvador dos cristãos.
Ele é a verdade do universo, a verdade da inteira humanidade, o Salvador de todos: veio para todos, veio para o mundo e a humanidade por Ele criados.

Isto compromete todo aquele que crê: temos o dever e a missão de falar do Menino, do Salvador, a todos quantos ainda não O conheçam. A fé em Cristo nunca deve ser imposta a ninguém, mas deve ser com franqueza e coragem proposta a todos!

Os cristãos devem renunciar a toda tentação de poder e de tutela sobre a sociedade, mas nunca devem abrir mão da missão de humildemente ser sal e luz para quem desejar encontrar o Sentido da existência!

Sim, no nosso mundo descristianizado – e olhe que nunca mais a sociedade como um todo será cristã! – temos a responsabilidade de dizer ao mundo que há uma Luz, que Ela brilhou em Belém e resplandeceu de modo definitivo na Ressurreição, de modo que o mundo tem sentido, a vida tem sentido, a criação tem sentido, os sonhos e tormentos dos homens têm sentido!

Com mansa convicção o Cristo deve ser sempre proposto sem nunca ser imposto! Foi assim nos dias da carne de Jesus, deverá ser sempre assim: Ele Se propôs, nunca Se impôs! Por isso mesmo veio pequeno, pobre, criança indefesa... Por isso morreu impotente, mais pobre ainda, homem de dores, crucificado, sepultado pelo pecado e o esquecimento do mundo...

Quinta convicção: O Deus que em Jesus nos visitou e nos convidou a viver na Sua santa presença, fazendo da nossa existência um amoroso “sim”, respeitará sempre a liberdade da nossa resposta...

Os Magos acolheram o Menino; Herodes O rejeitou, Jerusalém tratou-O com solene e fria indiferença. Será sempre assim!

Nós, cristãos, muitas vezes trazemos em nós a saudade dos tempos em que existia uma sociedade nominalmente cristã, com uma cultura gerada em grande parte por uma visão cristã... Estes tempos passaram e não mais voltarão! Mas, veja bem, meu Leitor: o anúncio do Cristo que por nós nasceu não deveria nunca ser feito de modo massificado, a toda uma sociedade. Ao menos não foi assim que o Cristo pensou!

O encontro com o Senhor será sempre pessoal; a resposta ao Seu apelo de salvação será sempre pessoal. Certamente, ao acolher o anúncio feito pela Igreja, o crente entra nessa Comunidade de fé, que é ao mesmo tempo Corpo de Cristo, a nossa Mãe católica. A fé, certamente, não é privada; mas, será sempre pessoal!

Não creio na possibilidade de uma cultura cristã; nem mesmo penso que isso seja um ideal pelo qual devamos os bater! Creio em cristãos sendo pouquinho de sal e teimosas chamas luminosas na cultura plural que vai se afirmando no mundo atual.

Eis o grande desafio para a Igreja inteira e para cada cristão: crer de tal modo no Senhor, vivê-Lo com tal intensidade, testemunhá-Lo com tal coerência e inteireza de vida, que o Senhor e Seus discípulos apareçam ao mundo como luz para quem desejar sair das trevas e sal para quem quiser encontrar o sabor da vida! Foi esta a missão que o Senhor nos deu com a Sua piedosa Vinda; esta será sempre nossa missão, até o fim dos tempos!
Fiquem no nosso coração estes perfumes suaves do Santo Natal!