domingo, 8 de dezembro de 2013

Simplesmente, encantadoramente, Imaculada!

Dentro do Advento, neste 8 de dezembro, a Igreja imaculada celebra a Concepção Imaculada de Maria, a Virgem. Imaculada Conceição!

Trata-se de uma solenidade que calha bem neste tempo de preparação para o Natal do Senhor. Imaculada Concepção de Maria! O povo de Deus crê que a Virgem Maria, por ter sido escolhida por Deus para Mãe do Cordeiro Imaculado que tira o pecado do mundo, fora, por força da paixão, morte e ressurreição do seu Filho, preservada desde o primeiro momento de sua existência humana, daquela solidariedade no pecado que envolve a nossa raça humana e a que chamamos “pecado original”.

Em Maria não há aquela quebradura interior que todos nós experimentamos: aquele fechamento tão profundo para Deus, fechamento que aparece como desconfiança, às vezes como teimosia em fazer do nosso jeito, em descaso, falta de piedade, soberba, orgulho, e tantos outros vícios que sufocam a nossa liberdade e ferem o nosso coração. 

Sintoma fundamental desse maldito pecado original é a tentação constante que temos de pensar que a vida é nossa e dela podemos fazer o que bem quisermos e entendermos... Na Virgem Maria não há nada disso! Nela não há aquele fechamento para os outros, que se manifesta em tantas e tão diversificadas formas de egoísmo: falta de compaixão, orgulho, sensualidade, frieza, ganância, maledicência, ira, ciúme, inveja... A lista é deveras extensa... Não! Na Mãe do Senhor não há sombra disso: Deus, o Pai, pelos méritos do Filho bendito, preservou-a de toda lama, de toda mácula! Da lama, Deus em Cristo nos arranca; pela lama, Deus em Cristo, sequer permitiu que a Virgem fosse tocada!

Ela é aquela inimiga visceral da serpente: sem acordo, sem pacto sem trégua: ela é a Mulher do Gênesis, do Evangelho, do Apocalipse, em guerra de morte contra a antiga Serpente (cf. Gn 3,15; Jo 2,4; 19, 26; Ap 12,1.3s). Ela é aquela a quem Gabriel, chama como que com um nome novo, ao saudá-la: “Alegra-te, Cheia de Graça!” ou “Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus!”, ou “Alegra-te, Muito Favorecida, Agraciada!” ou “Alegra-te, tu que Foste e Permaneces Repleta da Graça Divina!” – afirmando a mesma realidade espantosa: na Virgem de Nazaré a graça de Deus, o favor de Deus, o amor de Deus habitou como em nenhuma criatura! – Em ti, Virgem Maria, não há o menor espaço para a “des-graça” do pecado! Deus, o Pai, pode dizer de ti: “Como és bela, Minha amada, como és bela! És toda bela, Minha amada, e não tens um só defeito!” (Ct 4,1.7).

Desde a Antiguidade, os Santos Padres e Doutores da Igreja, contemplando este mistério tão grande, chamam a Virgem de “Toda Santa”! Toda Santa, toda inundada da graça que Deus nos dá em Cristo, toda santificada pela santidade de Cristo Jesus! Por isso, a Missa da Imaculada começa com as palavras de Isaías, colocadas pela Virgem Igreja na boca da Virgem Maria: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas joias!” (Is 61,10).

A Imaculada! Que sonho! A Virgem Santíssima é imagem viva, sonho vivo, testemunho fiel daquilo que Cristo realiza em nós, pobre e frágil humanidade: Aquele que preservou Sua Mãe do pecado, do pecado miserável nos arranca; Aquele que fez de Sua Mãe a Primeira Redimida, primeira a ser salva (só Jesus salva, e salvou Sua Mãe de modo admirável!), salva toda a humanidade e tira o pecado do mundo!

Maria, a Virgem! Maria, a Imaculada! Sonho lindo de Deus, sonho lindo do que deve ser a humanidade! A Imaculada! Quando a gente vê o mundo ferido, a humanidade angustiada, meio perdida... Quando ligamos a televisão e vemos a violência dos traficantes e dos corruptos, os descaminhos de tantos jovens, a terrível solidão no seio das famílias... Quando vemos tanta feiura: a guerra, a fome, a injustiça, as crises, a solidão, a morte... Quando a gente vê tudo isso e pensa na Imaculada (beleza, candura, pureza, paz, ternura, sorriso e encanto de Deus), então tem a certeza que esse mundo tem jeito, que Deus não esquece de nós e, de tal modo nos purifica pelo Seu Filho, que seremos todos imaculados (cf. Ef 1,4).

Maria, a Virgem, a Imaculada desde a concepção! Pensar em ti é tomar novo respiro e crer que Deus pode fazer em nós maravilhas: pode nos renovar, pode revigorar este mundo cansado e purificar sempre de novo nosso coração manchado... Imaculada: beleza de Deus, ternura de Deus, maravilha de Deus, sorriso de Deus, sonho lindo de Deus! Imaculada desde a conceição... Doce aurora que anuncia o Dia – Jesus Cristo, nosso Deus, Aquele que celebraremos no Natal e acolheremos na Glória!

Imaculada! Hoje e sempre, Imaculada! Encantadoramente, Imaculada!


Imaculada!


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Prova da existência de Deus...

Caro Amigo, veja esta matéria aparecida na internet:

"O físico teórico Michio Kaku afirma ter criado uma teoria que pode apontar a existência de Deus. A informação criou alvoroço no meio científico, pois Michio Kaku é considerado um dos cientistas mais importantes da atualidade, um dos criadores desenvolvedores da revolucionária Teoria das Cordas, e é extremamente respeitado em todo o mundo.

Para chegar às suas conclusões, o físico fez uso de um “semi-raio primitivo de táquions” (que são partículas teóricas, capazes de “desgrudar” do Universo a matéria ou vácuo que entrar em contato com ela, assim, deixando qualquer coisa livre das influências do universo à sua volta), tecnologia criada recentemente, em 2005. Embora a tecnologia para chegar às verdadeiras partículas de táquions ainda esteja muito longe de ser alcançada, o semi-raio tem algumas poucas propriedades dessas partículas teóricas, que são capazes de criar o efeito dos verdadeiros táquions, em escala subatômica.

Segundo Michio, nós vivemos em uma “Matrix”: ”Cheguei à conclusão que estamos em um mundo feito por regras criadas por uma inteligência, não muito diferente do seu jogo preferido de computador, claro, impensavelmente mais complexa. Analisando o comportamento da matéria em escala subatômica, a parte afetada pelo semi-raio primitivo de táquions, um minúsculo ponto do espaço, pela primeira vez na história, totalmente livre de qualquer influência do universo, matéria, força ou lei, percebi de maneira inédita o caos absoluto. Acredite, tudo que nós chamávamos de casualidade até hoje, não fará mais sentido. Para mim está claro que estamos em um plano regido por regras criadas, e não moldadas pelo acaso universal”, comentou o cientista".

Que pensar disto?

Não sei se é verdadeira ou não, a matéria. Mas, sei de uma coisa: JAMAIS se poderá provar que Deus existe ou que Deus não existe! Há indícios muito fortes de que existe Deus; há também mistérios no universo e na existência que nos deixam com um nó na garganta, sem compreendermos o porquê e levam tantos a dizerem: "Deus não existe"...

Mas, PROVA cabal da existência ou inexistência de Deus? JAMAIS! O ser que pudéssemos esquadrinhar e provar com nossa pura razão seria somente um ser e não o Ser, o Santo, o Eterno, o Deus vivo e verdadeiro, mais íntimo e mais além de tudo!


Diante do Mistério de Deus, o crente, vez por outra, perguntará: "E se não for verdade?" Também o ateu sincero, às vezes, incomodado e desconfiado, perguntar-se-á: "E se for verdade?"

Somente no fim do caminho neste mundo veremos plenamente a luz. Como mandou escrever na sua lápide mortuária o grande Cardeal Newman: "Ex umbris in Veritatem!" Em tradução livre: "Das sombras desta vida para dentro da Verdade!" Mas, só lá, quando o véu for descerrado, as sombras passarão... Até lá, seremos sempre peregrinos, na penumbra fé, peregrinos da Verdade!


sábado, 30 de novembro de 2013

A antífona que abre o Advento

“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em Vós espera” (Sl 24,1-3).

Ah, a Liturgia! Que lições, que intuições, que sentimentos inexprimíveis de tão ricos, ela nos faz experimentar!

 As palavras acima, do Salmo 24, são a antífona de entrada (o Intróito) da Missa do primeiro Domingo do Advento. Pare e pense um pouco, antes de continuar a leitura... Tente descobrir sozinho: o que estas palavras têm a ver com o Advento e com o Natal? Por que a Igreja as colocou aí? Pense um pouco... A Liturgia só pode ser saboreada se a gente aprender a pensar com o coração...

 Observe bem: o Advento é tempo de preparar a celebração da Vinda do Senhor em Belém e de preparar-se para a Vinda Dele na Parusia, na Glória final. Por isso mesmo a primeira palavra da antífona é fortíssima: “A Vós, Senhor, elevo a minha alma!” É o fiel, é a humanidade, que tira o olhar do próprio umbigo, da própria autossuficiência, e, reconhecendo-se pobre, eleva a alma, a vida ao Senhor, esperando Dele a salvação! Já aqui, se coloca a atitude fundamental com a qual devemos viver o Advento: a espera vigilante, como a amada que espera o amado, como a terra que espera o sol, como o vigia que espera a aurora... Feliz daquele que sabe erguer os olhos para o Alto, que sabe abrir-se para o Eterno, que sabe esperar no Senhor! Triste do homem fechado em si mesmo, voltado para o próprio umbigo, atolado no seu dia-a-dia, sem tirar os olhos da terra...

 Depois, a antífona nos joga em cheio no drama da vida: quantos inimigos exteriores e interiores temos, quantas contradições, quantos perigos de cair, de perder o rumo, de fracassar na existência! Somo tão pobres, tão quebrados, tão frágeis... Tão incerto é nosso caminho sobre esta terra de exílio... “Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos!”

 Esta consciência da nossa miséria, esta percepção de que temos um coração de águia, olhos de águia, mas umas asinhas curtas apenas como as de pardal, é a condição essencial para nos descobrirmos pobres diante de Deus e, então, gritar: Senhor, vem salvar-nos! Senhor, precisamos de um Salvador! Sem Tua presença, a humanidade se perde, o homem se destrói, seremos sempre frustrados, seres fracassados no mais profundo de sua existência! É isto que esta antífona comovente nos quer fazer compreender e experimentar.

Mas, observe como ela termina com a proclamação de uma certeza certa: “Não será desiludido quem em Vós espera”. Não será desiludido quem coloca sua esperança no Senhor, quem vigia esperando o Cristo que vem! Deus é fiel: mandou-nos o Seu Cristo e Ele estará para sempre em nosso meio! Aquele que sabe reconhecer Sua presença e vive na Sua verdade, de esperança em esperança, não ficará envergonhado no Dia da Sua Manifestação gloriosa. Lições assim, tão profundas, tão saborosas, tão verdadeiras, somente a Liturgia pode nos dar! Quem dera que soubéssemos percebê-las e saboreá-las...


Feliz Advento a todos!


O Santo Advento

Neste Domingo a Igreja começa a celebrar o santo tempo do Advento, que abre o novo ano litúrgico e nos prepara para o Natal. Trata-se de um período composto por quatro semanas nas quais a Igreja pode muito bem exprimir seus sentimentos com as palavras da esposa do Cântico dos Cânticos: «Eis a voz do meu Amado! Ele vem correndo pelos montes... Meu Amado é meu e eu sou Dele!» (2,8s.16). Ele vem vindo, o Amado, «porque Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único» (Jo 3,16) para ser o Esposo da humanidade, o Salvador do mundo. O Autor da Epístola aos Hebreus exprimiu isso de modo muito profundo: «Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo Qual fez os séculos» (1,1-2). Efetivamente, Deus já não nos manda um mensageiro, um intermediário, um presente... Ele vem pessoalmente no Seu Filho, vem Ele mesmo ser o Emanuel, o Deus-conosco! Por isso o homem pode ter a certeza que não mais está só, que não mais pode se sentir desamparado, esquecido, perdido... Apesar de tanta dor e sofrimento ainda existentes no nosso mundo!
Mas, aprofundemos um pouco mais. O Advento insiste e celebra e espera do Salvador. Ele foi esperado ansiosamente, de modo que não é somente o Enviado do Pai, mas também o Desejado por nós! Mais que o vigia pela aurora, mais que a terra pelo sol nascente, mais que a flor pelo orvalho, nós o esperamos.
Primeiramente, esperado por Israel, o Povo eleito, porque Deus O prometera a Abraão, aos Patriarcas, a Moisés, a Davi, aos Profetas. E quando Deus promete, não falha jamais! Tantas páginas das Escrituras de Israel falam deste Esperado! Como esquecer as palavras do velho Jacó, no leito de morte, já cego? “Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. O cetro não se afastará de Judá nem o bastão de chefe de entre seus pés até que venha Aquele a Quem pertencem e a Quem obedecerão os povos” (Gn 49,8-10). E as palavras de Deus a Davi? “O Senhor te diz que Ele te fará uma casa. E quando os teus dias estiverem completos, farei permanecer a tua linhagem após ti, gerada das tuas entranhas e estabelecerei para sempre o seu trono. Eu serei para Ele um pai e Ele será para mim um filho” (2Sm 7,11ss). Deus prometeu, jurou a Israel pela Sua fidelidade: “A virgem vai conceber e dará à luz um filho e Seu nome será Deus-conosco!” (Is 7,14). Até pela boca de um feiticeiro pagão, um tal de Balaão, Deus prometeu: “Eu vejo, mas não para já, eu contemplo, mas não para perto: uma Estrela sai de Jacó e um cetro se levanta de Israel” (Nm 24,17). Por isso mesmo, Israel esperou, acreditou, implorou: “Céus, deixai cair o orvalho das alturas, e que as nuvens façam chover a justiça; abra-se a terra e germine a salvação!” (Is 45,8); “Senhor, Tu és o nosso redentor; Eterno é o Teu Nome! Ah! se rasgasses os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de Ti!” (Is 63,19). Nos momentos de alegria, Israel esperou; e esperou também nos momentos de trevas e de dor! É esta espera comovente, insistente, teimosa, que a Igreja celebra e revive no Advento!
Mas o Salvador que Deus nos enviou foi também esperado pelos pagãos, por todos os povos! É uma idéia que nem sempre recordamos e, no entanto, é um aspecto importante do Advento: os pagãos desejaram o Salvador! Eles não conheciam as promessas de Deus, não conheciam o Deus verdadeiro; não sabiam nada a respeito do Messias... Mas tinham e têm ainda no coração um desejo louco de paz, de verdade, de vida, de amor... Sede que Deus mesmo colocou nos seus corações para que sem saberem, às apalpadelas, buscassem Aquele único que pode dar repouso ao coração humano. É isso que Mateus quer dizer quando nos conta a visita dos Magos: eles vêm de longe, seguindo a estrela do Menino; esperavam e agora o procuram: “Vimos a Sua estrela e viemos adorá-Lo!” (Mt 2,2)! Esses Magos representam os pagãos todos, todos os homens e mulheres de boa vontade que, seguindo sua consciência, sem saber, procuravam o Salvador. Pensemos em tantos santos pagãos do Antigo Testamento: Noé, Melquisedec, Jó... Pensemos em tantos sábios das várias culturas: Buda, Confúcio, Maomé, Sócrates e tantos outros, tão numerosos que somente Deus pode contá-los... Todos esperam Aquele que é a verdade, a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo! Também estes a Igreja recorda neste tempo do Advento.
Esperado por Israel, esperado pelas nações, o Salvador também foi esperado pela criação toda! É admirável e sublime! Se tudo foi criado através Dele e para Ele (cf. Cl 1,15), tudo traz em si Sua marca, a saudade do encontro com Ele! A Mãe católica, num êxtase emocionado, canta assim, nas vésperas do Natal: “Saúdam Vossa vinda /o céu, a terra, o mar /e todo ser que vive /entoa o seu cantar!” É toda a criação que o espera! Tudo, desde o início, caminha para Ele! Desde quando explodiu o universo, iniciando a festa, o baile da existência; desde quando as galáxias se formaram; desde quando nosso sistema solar, nosso planeta foram delineados... Tudo caminha para Ele... Passo a passo, lentamente, aos olhos da eternidade de Deus: e a vida surgiu na terra, tímida, pequena, frágil... Depois, a vida animal; depois o homem... Tudo caminhando para Ele, para noite de Belém e, um dia, que será o Dia, caminhando para o Cristo Ressuscitado, que virá em glória! É porque tudo caminha para Ele que o botão se abre em flor, que a vida teima em brotar, que o universo se expande! Também esta espera cósmica é celebrada pela Igreja nestes dias de Advento! Que também nós entremos na festa, na espera, na esperança... E abramos o coração para Aquele que vem – o Enviado, o Esperado, o Rei que vai chegar!